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A FATURA DA FRAUDE

Investidores da Americanas (AMER3) cobram R$ 12,8 bilhões e tentam fazer ex-controladores pagarem a conta da fraude

Acionistas alegam prejuízos causados por demonstrações financeiras fraudadas e pedem responsabilização de Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles após o colapso da empresa, em 2023

Jorge Paulo Lemann, Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira, bilionários acionistas da Americanas (AMER3)
Carlos Alberto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Herrmann Telles, acionistas da Americanas (AMER3) - Imagem: Shutterstock/Ambev/Seu Dinheiro - Montagem Brenda Silva

A Americanas (AMER3) já soprou três velas de aniversário desde a fraude multibilionária, mas os estragos seguem longe de serem superados. Nesta semana, um grupo de investidores da varejista levou adiante mais uma ofensiva judicial, com uma nova arbitragem de R$ 12,8 bilhões.

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O objetivo dos investidores é buscar reparação pelos danos causados após o rombo contábil de mais de R$ 25 bilhões, revelado no início de 2023.

A ação não mira apenas a companhia. No centro do processo estão também Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, acionistas de referência e antigos controladores da Americanas até 2021, além de ex-executivos e membros da alta administração. 

Segundo comunicado da própria Americanas, a arbitragem é liderada por Charles Xavier Gois Dantas, Fabiana dos Reis Saorin, Francisco Airton Duarte Filho, Francisco Rubens Leite Coringa e Naiguel Sassi.  

Trata-se da terceira iniciativa desse tipo movida por investidores desde a explosão do escândalo. 

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O que pedem os investidores na arbitragem

O grupo pede ressarcimento e indenização por perdas sofridas após a divulgação das inconsistências contábeis, que fizeram as ações da companhia despencarem cerca de 99% na B3 em relação à abertura de capital. 

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No pedido, os investidores afirmam ter sido induzidos a erro por demonstrações financeiras fraudadas e buscam a condenação da Americanas e de seus acionistas de referência ao pagamento de indenizações por prejuízos diretos. 

A tese central é de que, entre 2013 e o fim de 2023, os acionistas pagaram valores excessivos pelas ações, baseados em informações que não refletiam a real situação econômico-financeira da empresa.  

Segundo os investidores, o preço correto dos papéis teria sido significativamente menor se o rombo já fosse conhecido pelo mercado. 

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Além da companhia, o grupo pede que determinados acionistas de referência respondam solidariamente pelos danos, com a devolução de supostas vantagens indevidamente percebidas ao longo dos anos.  

Também pedem a responsabilização de membros do conselho de administração e do conselho fiscal. 

Três anos do caso Americanas (AMER3): como a fraude veio à tona 

O ponto de virada na Americanas ocorreu em 11 de janeiro de 2023, quando a varejista comunicou ao mercado a existência de “inconsistências contábeis” nos resultados.  

Após sucessivos adiamentos na divulgação do balanço, o tamanho do problema ficou claro: um rombo estimado inicialmente em R$ 25,2 bilhões. 

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O que havia sido anunciado como o “maior lucro da história” da empresa em 2021 se transformou em um prejuízo líquido superior a R$ 6 bilhões, com perdas adicionais se acumulando nos meses que se seguiram. 

A revelação levou a companhia à recuperação judicial, desencadeou uma fuga de investidores e expôs fragilidades profundas nos mecanismos de controle e governança da empresa. 

As investigações indicaram que a diretoria anterior teria manipulado demonstrações financeiras e ocultado informações relevantes tanto do conselho de administração quanto do mercado.  

Em março de 2025, a própria Americanas ingressou com um processo arbitral contra o ex-CEO e outros três executivos envolvidos diretamente na fraude. Em paralelo, o caso seguiu se desdobrando em diferentes frentes regulatórias e judiciais. 

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Mais de três anos depois, o caso Americanas permanece como um problema em aberto: investigações em andamento, disputas por ressarcimento, sanções ainda sem desfecho e uma empresa que tenta se reerguer em um setor cada vez mais competitivo. 

No fim de janeiro deste ano, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu dois novos inquéritos administrativos, aprofundando a investigação sobre responsabilidades no escândalo. 

O primeiro apura a atuação de bancos, administradores e intermediários que mantinham relações comerciais com a Americanas. O segundo foca no papel de membros dos conselhos de administração e fiscal, além de integrantes de comitês de assessoramento.  

Além de abrir novos inquéritos, a CVM concluiu uma investigação iniciada em 2023 sobre as inconsistências contábeis e abriu um processo administrativo sancionador, no qual a Americanas e ex-executivos, administradores e conselheiros passaram a responder formalmente por infrações no mercado de capitais. 

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