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MUDANÇA NO COMANDO

Fim de uma era na Braskem (BRKM5): Novonor dá adeus, IG4 avança — mas mercado quer saber da OPA

Venda do controle abre nova fase para a petroquímica, com Petrobras e IG4 no centro da governança e desafios bilionários no horizonte

Imagem: Montagem Seu Dinheiro/Canva/Divulgação

Depois de anos de idas e vindas, a Braskem (BRKM5) tem um novo controlador à vista. A Novonor, antiga Odebrecht, anunciou ao mercado que o controle da petroquímica está prestes a mudar de mãos. 

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A Novonor e a NSP Investimentos assinaram o contrato para vender sua participação majoritária para o Shine I Fundo de Investimento em Participações (FIP), assessorado pela IG4 Capital. 

O movimento, se concretizado, encerra uma longa incerteza sobre o comando da petroquímica — mas abre um novo desafio: reestruturar uma companhia ainda pressionada por dívidas, passivos e um ciclo global desfavorável. 

O desenho da operação: das dívidas às debêntures 

Nos termos do negócio, o Shine I FIP deve abocanhar 50,1% das ações ordinárias, 13,6% dos papéis preferenciais e 5,9% do capital total, passando a deter aproximadamente 34,3% do capital social total da companhia. 

Em vez de uma transação tradicional em dinheiro, o negócio será estruturado por meio da entrega de debêntures da NSP Investimentos.  

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Na prática, trata-se de uma conversão de dívida em participação acionária: credores da Novonor passam a se tornar sócios indiretos da Braskem por meio do fundo. 

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É um arranjo que limpa parte da estrutura financeira da antiga controladora e, ao mesmo tempo, redefine o perfil dos donos da petroquímica. 

No front regulatório, o negócio já avançou: autoridades antitruste do Brasil, México, União Europeia e Estados Unidos deram sinal verde. Ainda assim, há etapas pendentes, incluindo autorizações judiciais e a análise final da Comissão Europeia no âmbito do Foreign Subsidies Regulation (FSR). 

Em comunicado ao Seu Dinheiro, a Novonor afirmou que a operação "assegurará a continuidade necessária para que a Braskem siga avançando com solidez". Veja a nota na íntegra:

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"Foi celebrado o contrato de compra e venda para transferência de sua participação acionária na Braskem à IG4 Capital, o que levará ao encerramento de um ciclo de décadas de investimento pela Novonor dedicado à construção de uma das petroquímicas mais relevantes do mundo, em parceria com a Petrobras.

A empresa reafirma o orgulho em ter contribuído para que milhares de profissionais de altíssima qualidade desenvolvessem ao longo dos anos um ativo de tamanha importância estratégica para o país, essencial para o fortalecimento da indústria nacional.

Importante ressaltar que a conclusão da transação está condicionada a condições precedentes e que a atuação da Novonor, enquanto acionista, seguirá sendo pautada pela observância e promoção do interesse social da Braskem até a sua consumação.

A nova estrutura de controle, que terá a Petrobras como co-controladora, assegurará a continuidade necessária para que a Braskem siga avançando com solidez, focada em inovação e na construção de um futuro cada vez mais forte e sustentável para o setor petroquímico."

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Petrobras: de sócia "passiva" a parceira de peso na Braskem

Enquanto a Novonor sai de cena, a Petrobras (PETR4) reforça sua posição. A estatal já foi notificada e está avaliando se exercerá seu direito de preferência ou o tag along.  

“A diretoria executiva da Petrobras está avaliando os termos da operação para manifestação final quanto ao não exercício, pela companhia, dos direitos de preferência e tag along previstos no Acordo de Acionistas vigente da Braskem”, afirmou a petroleira, em fato relevante. 

O Shine I FIP já enviou uma carta vinculante se comprometendo a firmar um novo acordo de acionistas com a Petrobras para uma governança compartilhada na petroquímica.  

"O Comprador pretende conduzir, em conjunto com a Petrobras, a reestruturação financeira e operacional da Companhia, com a intenção de que a Braskem volte a gerar valor", afirma o comunicado do fundo. 

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A proposta prevê equilíbrio no conselho de administração e na diretoria, e com necessidade de consenso nas principais decisões estratégicas. 

A OPA no horizonte: o que sobra para o minoritário da Braskem? 

Para quem tem BRKM5 na carteira, a notícia mais quente é a confirmação de que o Shine I FIP protocolará junto à CVM um pedido de oferta pública de aquisição (OPA) pelas ações dos minoritários.  

A promessa é assegurar aos minoritários o direito de vender suas ações nas mesmas condições da transação principal. 

A IG4 também destacou que não pretende cancelar o registro de companhia aberta da Braskem após a transação — o que tende a manter a Braskem listada e sob o escrutínio do mercado. 

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Em um histórico recente marcado por volatilidade, a possibilidade de uma saída organizada pode ser vista como um fator de previsibilidade — ainda que o preço e os termos da oferta sigam no radar dos investidores. 

Na visão do Citi, embora o anúncio represente mais um passo na história de mudança de controle da Braskem, ele não implica em “grandes potenciais de alta na tese de mudança de controle, uma vez que as principais melhorias da companhia devem vir de um cenário mais favorável para os spreads petroquímicos e do provável plano de reestruturação a ser anunciado nas próximas semanas ou meses”. 

Além disso, os analistas destacam alguns riscos, como a possibilidade de entrada com pedido de recuperação judicial. 

O desafio do "dia seguinte"

Se a troca de controle resolve uma parte da equação, ela escancara outra: o tamanho do problema que o novo controlador terá pela frente. 

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A Braskem chega a essa nova fase carregando um passivo pesado. No quarto trimestre de 2025, a companhia registrou prejuízo de R$ 10,3 bilhões — um número que sintetiza a combinação de desafios operacionais e contingências jurídicas. 

A situação financeira é tão delicada que a auditoria da KPMG inseriu uma nota de "incerteza relevante relacionada à continuidade operacional" no último balanço. Os motivos são conhecidos, mas continuam pressionando: 

  1. Maceió: O desastre ambiental relacionado à extração de sal-gema segue drenando o caixa e gerando custos jurídicos imprevisíveis. 
  1. Ciclo dos spreads petroquímicos: A demanda global fraca e as margens apertadas continuaram a esmagar os resultados operacionais da companhia. 
  1. Patrimônio líquido: A empresa encerrou o período com patrimônio líquido negativo de mais de R$ 16 milhões. 

Segundo a empresa, o desempenho do trimestre foi impactado pelas incertezas externas, incluindo conflitos geopolíticos e guerra tarifária, que, combinadas à sazonalidade, pressionaram os spreads químicos e petroquímicos no mercado internacional. 

A entrada da IG4 traz um componente de "especialista em problemas". O fundo já recrutou profissionais experientes em processos de turnarounds para ocupar cargos chave. 

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Segundo informações de agências, Helcio Tokeshi, sócio da IG4, deve assumir como novo CEO da Braskem, enquanto Carlos Brandão, que liderou a Iguá Saneamento e já atuou como diretor financeiro (CFO) da Oi, deve comandar a diretoria financeira da petroquímica.

“Com o auxílio da IG4, o Comprador recrutou, para ocupar cargos de administração e gestão na companhia, profissionais altamente experientes na administração e na condução de processos de reestruturação (turnarounds) de empresas líderes em seus segmentos de atuação, incluindo nos setores de logística e de água e esgotamento sanitário”, escreveu o fundo. 

A estratégia é estancar a sangria financeira e resolver os impasses jurídicos que travam o valor da companhia. 

Na leitura de Frederico Fernandes, responsável por precificação de petroquímica da Argus, a venda do controle da Braskem "reduz a pressão imediata sobre o balanço, alinha incentivos entre credores e acionistas e cria espaço para uma reestruturação financeira e operacional".

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Isso, segundo Fernandes, poderia melhorar os resultados da Braskem caso haja disciplina de custos, otimização de ativos e alocação eficiente de capital no futuro.

"Para o setor petroquímico como um todo, o acordo sinaliza um movimento em direção a maior pragmatismo financeiro e consolidação, podendo restaurar a confiança na cadeia petroquímica brasileira após um longo período de margens fracas e altas importações, ao mesmo tempo em que reforça a influência estratégica da Petrobras sobre ativos petroquímicos domésticos", avalia o especialista.

*Com informações do Money Times.

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