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Para manter balanço saudável e bancar infraestrutura colossal de IA, a dona do Google recorre aos investidores; pacote inclui papéis inéditos que pagam dividendos de 6,25%

A corrida pela inteligência artificial (IA) exige um poder de fogo computacional gigantesco — e a conta não sai barata nem mesmo para as gigantes da tecnologia. Acostumada a financiar sua expansão tirando dinheiro do próprio bolso (lucros retidos) e emitindo dívidas, a Alphabet pegou os investidores no pulo.
Sem dar aviso prévio durante a divulgação do balanço do primeiro trimestre, em abril, a controladora do Google decidiu ir ao mercado acionário para captar US$ 84,75 bilhões. O apetite foi tanto que a operação superou a meta inicial, que era de US$ 80 bilhões.
O recado para o investidor é claro: a empresa precisa acelerar investimentos em infraestrutura de IA para dar conta da forte demanda, mas quer fazer isso mantendo o que chamou de um "balanço saudável".
Para se ter uma ideia do tamanho dessa fatura, a dona do Google está executando um dos maiores programas de investimentos corporativos do mundo.
A estimativa é desembolsar entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões somente neste ano. E prepare-se: a previsão é que os gastos sejam ainda maiores em 2027.
Para levantar essa montanha de dinheiro, a Alphabet desenhou uma megaoperação dividida em várias frentes. E teve espaço para tudo: do varejo futuro até descontos exclusivos para bilionários.
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Para você entender melhor, a captação foi estruturada da seguinte forma:
A companhia vendeu cerca de US$ 18 bilhões desses papéis, superando os US$ 15 bilhões planejados no início. Foram ofertadas 25,5 milhões de ações classe A (por US$ 355,20 cada) e 25,5 milhões de ações classe C (a US$ 351,80).
Seguindo a cartilha das grandes ofertas, os preços vieram com um desconto em relação ao fechamento de terça-feira (3) para atrair a demanda.
O lendário investidor não ficou de fora. A Berkshire Hathaway, conglomerado de Warren Buffett, comprou US$ 10 bilhões em ações da Alphabet na operação.
O detalhe que chama a atenção é que o Oráculo de Omaha conseguiu descontos ainda maiores do que os oferecidos ao restante do mercado.
A Alphabet também levantou US$ 16,8 bilhões (ante US$ 15 bilhões previstos) emitindo ações preferenciais conversíveis obrigatórias. Trata-se da maior emissão já realizada na história neste formato.
Esses papéis trazem um atrativo extra para quem gosta de renda: pagam dividendos com rendimento de 6,25%.
O porém é que, após três anos, elas serão automaticamente convertidas em ações ordinárias. Para quem for acompanhar, elas serão negociadas na bolsa Nasdaq sob os tickers GOOGM e GOOGN.
Por fim, a operação deixou engatilhado um programa que permite à Alphabet vender até US$ 40 bilhões em ações no mercado de forma gradual. Essa captação parcelada começará a partir do terceiro trimestre.
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