Braskem (BRKM5) tem prejuízo de R$ 10,28 bilhões no 4T25, alta de 82%, alavancagem dobra, e auditoria expressa preocupação
O balanço da companhia foi aprovado sem ressalvas pela auditoria da KPMG; no entanto, houve o registro de uma "incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional da companhia".

A Braskem reportou um prejuízo líquido de R$ 10,284 bilhões no quarto trimestre de 2025, número 82% maior do que o resultado também negativo do mesmo trimestre de 2024. Com alavancagem 99% maior que há um ano, a empresa também tem dívidas bilionárias a pagar no curto prazo, que consumiriam quase todo o seu caixa.
O balanço da companhia foi aprovado sem ressalvas pela auditoria da KPMG; no entanto, houve o registro de uma "incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional da companhia".
A Braskem encerrou o quarto trimestre de 2025 com US$ 2,07 bilhões em caixa, frente a vencimentos de US$ 1,52 bilhão previstos para 2026.
O passivo circulante excedeu o total do ativo em R$ 3,09 bilhões na controladora e em R$ 9,77 bilhões no consolidado, e o patrimônio líquido era negativo em R$ 16,15 bilhões na controladora e em R$ 16,5 bilhões no consolidado.
O mercado já aguardava um resultado conturbado. No início do mês, a petroquímica divulgou suas prévias operacionais. O relatório reforçou uma percepção incômoda: a de que a petroquímica ainda patina em um cenário de spreads apertados, volumes irregulares e pressão sobre o caixa — e de que a travessia será mais longa do que parte do mercado gostaria.
O resultado da Braskem no 4T25
O Ebitda recorrente da companhia foi de R$ 589 milhões no período, uma alta de 6% frente a igual etapa de 2024. A receita líquida, por sua vez, somou R$ 16,1 bilhões entre outubro e dezembro, queda de 16%.
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A companhia afirma que, no trimestre, "a dinâmica da indústria petroquímica seguiu impactada pelas incertezas do cenário externo considerando os conflitos geopolíticos e a guerra tarifária que, combinada com a sazonalidade do período, pressionou ainda mais os spreads químicos e petroquímicos no mercado internacional".
Sobre o prejuízo trimestral, a companhia afirma que o indicador foi superior ao do terceiro trimestre (R$ 26 milhões) em função, principalmente, da baixa de ativos fiscais diferidos, sem efeito na liquidez.
No ano, a Braskem teve prejuízo líquido de R$ 9,88 bilhões, 13% menor do que em 2024. O Ebitda recorrente foi de R$ 3,16 bilhões, queda de 45% frente ao ano anterior. Já a receita líquida somou R$ 70,72 bilhões em 2025, com queda de 9% em relação a 2024.
No quarto trimestre, a companhia registrou um prejuízo líquido atribuível aos acionistas de US$ 1,9 bilhão (R$ 10,3 bilhões), maior do que o do terceiro trimestre em função, principalmente, da baixa de ativos fiscais diferidos, sem efeito na liquidez.
- SINAL VERDE: Cade aprova transferência do controle da Braskem (BRKM5) para IG4; gestora se torna sócia da Petrobras (PETR4)
Endividamento
O saldo da dívida bruta corporativa era de US$ 9,4 bilhões ao fim do quarto trimestre, considerando o saque da linha de crédito stand-by realizado em outubro de 2025.
No fim de 2025, a dívida corporativa em moeda estrangeira correspondia a 92% da dívida total da companhia, e o prazo médio do endividamento corporativo era de cerca de oito anos em dezembro de 2025, com custo médio ponderado de variação cambial +6,20% ao ano.
A Braskem encerrou o trimestre com saldo de dívida líquida ajustada de US$ 7,5 bilhões, um aumento de 3% em relação ao trimestre anterior e de 19% frente ao mesmo período de 2024.
A alavancagem corporativa da companhia encerrou o trimestre em 14,74 vezes, estável em relação ao trimestre anterior e 99% maior do que as 7,42 vezes no mesmo período de 2024.
Consumo de caixa e problemas no curto prazo
A Braskem encerrou o quarto trimestre de 2025 com US$ 2,07 bilhões em caixa, frente a vencimentos de US$ 1,52 bilhão previstos para 2026. Esses vencimentos correspondem a US$ 1 bilhão do crédito rotativo que a companhia sacou em 2025, US$ 208 milhões de juros e US$ 310 milhões de abatimento da dívida (principal).
A fotografia é bastante diferente da reportada no terceiro trimestre de 2025, com US$ 2,31 bilhões em caixa, apenas 1% de vencimentos no ano de 2025 e outros US$ 383 milhões a vencer em 2026.
Naquela ocasião, a companhia contabilizou no caixa, a título de ilustração, a linha de crédito rotativa sacada no início de outubro, mas não lançou o vencimento desse crédito de curto prazo no ano seguinte.
No quarto trimestre, a Braskem apresentou geração operacional de caixa de R$ 71 milhões em função, principalmente, dos menores desembolsos com Capex. Esse efeito, porém, foi compensado pelo menor Ebitda em relação ao terceiro trimestre.
Assim, o consumo recorrente de caixa totalizou cerca de R$ 756 milhões, 54% menor em relação ao trimestre imediatamente anterior em função, principalmente, dos menores pagamentos de juros dos títulos de dívida emitidos no mercado internacional, que se concentram no 1º e 3º trimestres do ano.
No entanto, considerando os desembolsos referentes ao evento geológico de Alagoas, a Braskem apresentou um consumo de caixa de R$ 1,1 bilhão no quarto trimestre de 2025.
Com Estadão Conteúdo e Broadcast
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