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O foco do investidor continua na dívida da empresa, a reestruturação da estrutura de capital e o resultado potencial para os acionistas minoritários
A Braskem (BRKM5) reportou mais um resultado decepcionante aos investidores, o que fez as ações caírem na bolsa de valores. Mesmo com leve melhoria operacional, a queima de caixa pesou no balanço.
A empresa diz que o contínuo ciclo de baixa da indústria petroquímica mantém os preços e os spreads pressionados, o que prejudica suas receitas. Por outro lado, as dívidas da empresa continuam crescendo como uma bola de neve.
A companhia reportou um prejuízo líquido de R$ 10,284 bilhões no quarto trimestre de 2025, número 82% maior do que o resultado também negativo do mesmo trimestre de 2024. Com alavancagem 99% maior que há um ano, a empresa também dobrou o consumo de caixa e tem dívidas bilionárias a pagar no curto prazo.
Com o conflito no Oriente Médio, a companhia pode ver melhora nas margens, já que a matéria-prima e, consequentemente, alguns produtos ficam escassos no mercado. No entanto, não é possível saber quanto tempo o conflito vai perdurar e manter os preços em um patamar mais alto.
Enquanto isso, a petroquímica continua queimando caixa. No trimestre, a queima de caixa totalizou R$ 1,1 bilhão, já considerando os desembolsos para Alagoas, acumulando R$ 7,3 bilhões em 2025, 116% a mais que em 2024.
“Permanecem como principais riscos a alavancagem elevada, o consumo de caixa recorrente, a fraqueza estrutural dos spreads petroquímicos globais e a dependência de melhora do ciclo para normalização dos resultados, fatores que continuam limitando a recuperação da companhia no curto prazo”, diz o BB Investimentos em relatório
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A indústria petroquímica afirmou que parte dos resultados pode ser explicada pelo ciclo ainda complicado para o setor de petroquímica, que vem pressionando seus spreads.
"Durante 2025, a indústria petroquímica global foi impactada pelo ciclo de baixa prolongada e contínuo desbalanceamento entre oferta e demanda", explicou Rosana Avolio, diretora de RI durante teleconferência de resultados.
A empresa disse que reduziu a produção para se adequar à demanda. Em quase todas as suas praças a taxa de utilização caiu, como no Brasil, Estados Unidos e Europa, com alta apenas no México. Também focou na venda de produtos com maior valor agregado.
Mesmo assim, o Ebtida recorrente foi de US$ 109 milhões no trimestre, queda de 27%, e de US$ 557 milhões do ano, queda de 49%.
Em relação ao desastre ambiental de Alagoas, em que a mineração de sal-gema pela Braskem resultou em afundamento do solo em cinco bairros e levou ao deslocamento de 60 mil pessoas, a empresa diz que já cumpriu com uma parte relevante dos projetos de compensação, como 99,9% de realocação dos moradores dos bairros afundados.
A empresa tinha uma provisão de R$ 18 bilhões para gastos envolvendo o desastre ambiental, dos quais R$ 13,9 bilhões já foram gastos. R$ 1,4 bilhão foram classificados como de outros gastos e ainda há R$ 3,5 bilhões provisionados.
O foco do investidor continua na dívida da empresa. "Acreditamos que o foco do investidor deve continuar em sua reestruturação em andamento e o resultado potencial para os acionistas minoritários”, escreveu o BTG Pactual em relatório sobre a empresa.
Entre as opções, estão uma combinação de uma conversão de dívidas em equity para melhorar a estrutura de capital e uma injeção de capital, para melhorar a liquidez no curto prazo. Isso poderia levar a um cenário de diluição para os acionistas minoritários, diz o banco.
A Braskem encerrou o quarto trimestre de 2025 com US$ 2,07 bilhões em caixa, frente a vencimentos de US$ 1,52 bilhão previstos para 2026.
A Braskem encerrou o trimestre com saldo de dívida líquida ajustada de US$ 7,5 bilhões, um aumento de 3% em relação ao trimestre anterior e de 19% frente ao mesmo período de 2024. Isso porque a empresa recebeu um alívio de US$ 1 bilhão em outubro de 2025, de uma linha de crédito stand-by.
A alavancagem corporativa da companhia encerrou o trimestre em 14,74 vezes, estável em relação ao trimestre anterior e 99% maior do que as 7,42 vezes no mesmo período de 2024.
"Isso indica que a companhia precisa endereçar com urgência uma otimização de sua estrutura de capital, algo que os executivos afirmaram estar em andamento nas discussões com os controladores, com foco em garantir liquidez para atravessar o momento mais difícil do setor", diz o BB Investimentos em relatório.
Por essa situação delicada, a auditoria da KPMG registrou uma "incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional da companhia" no balanço.
O preço do petróleo não foi o único a subir com a instabilidade causada pela guerra no Oriente Médio e o bloqueio do Estreito de Ormuz.
O custo da nafta também subiu: ela é obtida pela destilação do petróleo ou gás natural e principal matéria-prima da indústria petroquímica para produzir químicos para plásticos e resinas.
Grande parte da Ásia importa nafta do Oriente Médio, passando justamente pela região bloqueada. Muitas dessas petroquímicas trabalham com um estoque pequeno, de 15 dias apenas, já que a oferta dessa matéria-prima normalmente é rápida e acessível.
Como consequência da guerra, algumas plantas chegaram a reduzir substancialmente sua produção, explica Roberto Ramos, CEO da Braskem, o que diminui a oferta e, consequentemente, aumenta o preço.
Já a nafta que a Braskem usa vem principalmente dos Estados Unidos e da Argélia, e não sofre impacto com os bloqueios no Oriente Médio - além do aumento do custo.
"Nosso sourcing de nafta não está sob risco do ponto de vista da origem, mas tem impacto no preço", afirmou Ramos na teleconferência.
Segundo a Braskem, o aumento do preço da nafta impacta diretamente no preço dos produtos químicos e petroquímicos vendidos pela companha no Brasil. Algumas matérias primas podem ter restrições logísticas de 4% a 11%, dependendo do material.
Por isso, a companhia acredita que há oportunidades para capturar receitas maiores, principalmente na América do Norte.
Mesmo assim, não é possível saber quanto tempo o conflito irá durar. Hoje à noite (27), o presidente Donald Trump afirmou que terá uma reunião com o Irã para negociar um acordo com o país persa.
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