S&P acende sinal amarelo após rebaixamentos da Raízen (RAIZ4) e muda perspectiva da Cosan (CSAN3) para negativa
Com a Raízen afundando para a faixa de alto risco, a S&P passou a ver mais incertezas e riscos financeiros para a controladora

A novela dos ratings da Raízen (RAIZ4) começou a respingar oficialmente na controladora. A S&P Global Ratings revisou nesta quinta-feira (12) a perspectiva da Cosan (CSAN3) de estável para negativa, citando os efeitos adversos da possível reestruturação da dívida da Raízen, joint venture com a Shell. A agência, porém, manteve o rating da Cosan em "BB".
A mudança vem na esteira de uma sequência de rebaixamentos sofridos pela Raízen nos últimos dias. Na segunda-feira (9), a própria S&P cortou a nota da companhia para "CCC+" e colocou as classificações em observação com implicações negativas.
No mesmo dia, a Fitch Ratings foi ainda mais dura: rebaixou o rating duas vezes em menos de sete horas, levando a empresa para a faixa de alto risco "CCC".
Ontem, foi a vez da Moody’s Local Brasil entrar no jogo. A agência rebaixou o rating corporativo da Raízen de "AAA.Br" para "CCC+.Br" e ainda mudou a perspectiva de negativa para “em revisão para rebaixamento”.
Para as agências, o recado é claro: cresce a probabilidade de uma reestruturação da dívida da Raízen depois que a companhia anunciou a contratação de assessores financeiros e jurídicos para avaliar alternativas de otimização da estrutura de capital e da liquidez.
Impactos na Cosan
Na visão da S&P, o risco para a Cosan existe. “Embora não antecipemos aceleração imediata de vencimento cruzado de dívidas ou impacto de caixa para a Cosan, acreditamos que riscos relacionados à reestruturação da dívida de sua joint venture podem surgir, potencialmente enfraquecendo a flexibilidade financeira da Cosan”, afirmaram os analistas.
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A perspectiva negativa, segundo a agência, reflete principalmente as incertezas em torno da estrutura de capital da Raízen e o possível impacto sobre a Cosan, especialmente do ponto de vista de percepção e confiança do mercado.
Também pesa a avaliação de padrões de governança mais fracos, associados a políticas consideradas pouco claras na Raízen.
Ainda assim, a S&P tenta colocar um freio no pessimismo de curto prazo: “Acreditamos que os impactos imediatos na Cosan decorrentes da potencial reestruturação da dívida da Raízen são limitados”, dizem os analistas.
Por volta das 17h15 (de Brasília), as ações da Cosan caíam 3,29% no Ibovespa, cotadas a R$ 6,16. Já os papéis da Raízen despencavam 9,09% no mesmo horário, a R$ 0,70.
A situação na Raízen
O pano de fundo dessa história é o alto nível de endividamento da Raízen. No segundo trimestre da safra 2025/26, a dívida líquida alcançou R$ 53,4 bilhões — um salto de 48,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Diante da piora no perfil de crédito, a companhia anunciou nesta semana a contratação da Rothschild & Co como assessora financeira e dos escritórios Pinheiro Neto Advogados e Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP como assessores legais.
“Os referidos assessores, em conjunto com a administração da companhia, iniciaram a avaliação de alternativas econômico-financeiras preliminares, em caráter exploratório, em linha com as melhores práticas de governança e de mercado”, afirmou a empresa em fato relevante.
Ainda nesta quinta-feira, a Raízen divulga os resultados do terceiro trimestre da safra 2025/26 (3T26).
*Com informações do Money Times
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