Raízen (RAIZ4) contrata assessores para solucionar dívidas, liquidez e cortes de rating
O anúncio da contratação dos escritórios vem após a empresa ter tido suas notas de crédito rebaixadas por três empresas empresas de rating

Com endividamento elevado e tendo acabado de perder seu grau de investimento, a produtora de açúcar e etanol Raízen (RAIZ4) contratou escritórios para avaliar alternativas para otimizar o capital.
A companhia selecionou a Rothschild & Co como assessora financeira, bem como os escritórios Pinheiro Neto Advogados e Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP como assessores legais, segundo fato relevante divulgado nesta segunda-feira (9).
“Os referidos assessores, em conjunto com a administração da companhia, iniciaram a avaliação de alternativas econômico-financeiras preliminares, em caráter exploratório, em linha com as melhores práticas de governança e de mercado”, disse a Raízem no fato relevante.
“Tais avaliações não implicam, até o momento, na celebração de compromisso vinculante relacionado a eventual transação ou operação específica”, acrescentou.
Mais cedo, a Reuters havia antecipado que os escritórios Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb haviam sido selecionados pela empresa, segundo fontes, para fortalecer sua liquidez.
- Leia também: Raízen (RAIZ4) non grata: investidores vendem debêntures da empresa com prejuízo, diante de maior percepção de risco
A empresa enfrenta alto endividamento, com dívida líquida de cerca de R$ 53,4 bilhões, e mudanças no conselho de administração.
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Raízen perdeu grau de investimento
O anúncio no fim do dia vem após a empresa ter tido suas notas de crédito rebaixadas por três empresas de rating para o chamado nível especulativo, o que significa, na prática, a perda do grau de investimento.
Traduzindo do “economês”: as agências passaram a enxergar um risco bem maior de a empresa não conseguir honrar suas dívidas no futuro.
A perda do grau de investimento implica na saída de grandes investidores dos títulos de dívida e ações da empresa, uma vez que muitos fundos só podem investir em companhias com selo de bom pagador.
De fato, os títulos de dívida da Raízen, tanto no Brasil quanto no exterior, têm visto uma queda acentuada nos últimos dias, devido a uma grande força vendedora no mercado secundário de renda fixa.
No final do dia, a Raízen anunciou ainda que a Moody’s rebaixou seu rating, de Ba1 para Caa1, com perspectivas negativas.
A S&P Global Ratings rebaixou o rating da Raízen, de ‘BBB-’ para ‘CCC+’ e colocou a companhia em observação de crédito negativa, citando o aumento dos riscos de uma reestruturação da dívida que a agência considera equivalente a default.
Já a Fitch Ratings rebaixou o rating da Raízen duas vezes em menos de sete horas na segunda-feira, levando as classificações para a faixa de alto risco (‘CCC’).
Segundo a Fitch, as reduções seguidas no mesmo dia foram ocasionadas justamente pela informação de contratação de assessores financeiros para conduzir uma avaliação de alternativas estratégicas.
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