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Larissa Bernardes

Repórter no Seu Dinheiro, formada em Comunicação Social - Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui experiência na cobertura do mercado financeiro em tempo real, economia, política e cenário internacional. Passou por agências de notícias e redações, como Agência Estado, Safras News, DCM e Record TV.

LADEIRA ABAIXO

Fitch corta nota de crédito da Raízen (RAIZ4) pela segunda vez no mesmo dia; rating passou de B para CCC

Agora, Fitch, S&P Global e Moody’s — as três principais agências de rating — rebaixaram a companhia para nível especulativo

Larissa Bernardes
9 de fevereiro de 2026
20:09
Raízen - Imagem: Montagem Seu Dinheiro/iStock

A semana começou pesada para a Raízen (RAIZ4) — e não foi por falta de aviso do mercado. Nesta segunda-feira (9), as duas principais agências de classificação de risco, Fitch Ratings e S&P Global, rebaixaram a nota de crédito da companhia para o chamado nível especulativo, o que significa, na prática, a perda do grau de investimento.

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O movimento foi especialmente duro no caso da Fitch. Em cerca de sete horas, a agência fez dois rebaixamentos em sequência. Pela manhã, a nota caiu de BBB- para B, ainda sob observação negativa. No fim do dia, veio um novo corte: de B para CCC, agora sem a observação.

Traduzindo do “economês”: as agências passaram a enxergar um risco bem maior de a empresa não conseguir honrar suas dívidas no futuro.

Vale lembrar que, em novembro do ano passado, a Moody’s atribuiu rating de crédito corporativo familiar (CFR) Ba1 à Raízen e retirou os ratings de emissor de longo prazo Baa3 da Raízen S.A. e da Raízen Energia.

A perda do grau de investimento costuma ter efeitos colaterais importantes. Muitos fundos e investidores institucionais só podem aplicar recursos em empresas com o selo de “bom pagador”. Quando esse selo cai, é comum haver saída de capital tanto dos títulos de dívida quanto das ações.

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De fato, os títulos de dívida da Raízen, tanto no Brasil quanto no exterior, têm visto uma queda acentuada nos últimos dias, devido a uma grande força vendedora no mercado secundário de renda fixa.

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O que motivou o rebaixamento

O gatilho para a decisão foi o anúncio de que a Raízen contratou assessores financeiros e jurídicos para estudar alternativas de reforçar o caixa e reorganizar suas dívidas — um sinal de alerta para o mercado.

Em comunicado, a Fitch explicou que o novo corte para ‘CCC’ veio depois dessa informação, que não havia sido considerada no rebaixamento feito horas antes, quando a nota tinha ido de BBB- para B.

Segundo a agência, as incertezas sobre os próximos passos da companhia e sobre a disposição dos acionistas — Cosan e Shell — em oferecer suporte financeiro já pesavam sobre a avaliação.

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Agora, com a classificação em ‘CCC’, a Fitch afirma que o risco de crédito é substancial e que um calote ou algum processo semelhante à inadimplência passou a ser uma possibilidade real, a depender das medidas que a empresa e seus controladores venham a adotar.

Qual é a situação da Raízen

O pano de fundo é um nível elevado de endividamento. A dívida líquida da companhia chegou a R$ 53,4 bilhões no segundo trimestre da safra 2025/26, um salto de 48,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Além disso, a empresa atravessa mudanças relevantes no conselho de administração. No fim de janeiro, a Raízen informou a renúncia de Brian Paul Eggleston. Em seu lugar, a acionista Shell indicou Jorrit Jan Witte Van Der Togt.

Menos de uma semana depois, a companhia comunicou também a saída de Sonat Burman-Olsson, e disse que ainda informará ao mercado sobre a nova nomeação.

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Em nota, a Raízen afirmou que reforça “seu compromisso com a continuidade regular de suas atividades”, destacando a importância da relação com clientes, fornecedores e parceiros de negócios para a operação.

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