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SURFANDO NA FIBRA ÓTICA

Adeus, B3? Claro compra 73,01% da Desktop (DESK3) por R$ 2,41 bilhões, que terá OPA para sair da bolsa

Depois que a operação for fechada, a Claro será obrigada a abrir um registro de uma oferta pública para a aquisição das ações restantes da Desktop, em função da alienação de controle da empresa

Imagem: Montagem Seu Dinheiro/Canva/Divulgação

A Claro Participações anunciou neste domingo (22) que sua controladora, a Claro NXT Telecomunicações S.A., comprou 73,01% do capital social da Desktop S.A. (DESK3), por R$ 2,414 bilhões. O valor é de R$ 20,82 por ação ON, ou um prêmio de 45,09% em relação ao último fechamento, segundo fato relevante divulgado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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A Claro, do grupo mexicano América Móvil, estava em negociações para comprar a provedora de internet pelo menos desde outubro do ano passado. No entanto, as partes não haviam chegado a um consenso sobre o preço da transação e as condições para acertar um acordo, conforme apuração da Broadcast.

Depois que a operação for fechada, a Claro será obrigada a abrir um registro de uma oferta pública para a aquisição das ações restantes da Desktop, em função da alienação de controle da empresa.

Na oferta de Tag Along, será ofertado aos demais acionistas da Desktop um preço por ação, em reais, no mínimo, igual ao preço de aquisição. Assim, a empresa deve deixar a bolsa de valores brasileira.

A Desktop estreou na B3 em 2021 com captação de R$ 715 milhões. Desde a abertura de capital, as ações da companhia perderam mais de metade do valor. Hoje, a empresa é avaliada em pouco mais de R$ 1,67 bilhão na bolsa.

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O documento indica que a fatia comprada pela Claro representa 84.684.273 ações ordinárias, vendidas por Makalu Brasil Partners I J, Denio Alves Lindo, Mucio Camargo de Assis Filho, Marcos Camargo de Assis e José Carlos Franco Júnior. O Bank of America foi o assessor exclusivo da Desktop.

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O que ainda falta fechar

O preço de compra no âmbito da operação (a ser ajustado no fechamento) foi estipulado baseando-se em um enterprise value correspondente ao valor total da Desktop de R$ 4 bilhões, e considerando o endividamento líquido da companhia em 30 de setembro de 2025, de R$ 1,59 bilhão, resultando no preço base total de R$ 2.414.749.380 ou R$ 20,82 por ação.

A Claro informa que o fechamento da operação estará sujeito, dentre outras condições usuais a contratos dessa natureza, à prévia aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Ainda, deve ser realizada uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE), na qual seja aprovada a alteração do Estatuto Social da Desktop para exclusão integral da seção que trata de ofertas públicas por atingimento de participações relevantes.

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Vantagem para a Claro

A Claro é a provedora líder de banda larga no Brazil, com 20% de participação de mercado, em comparação com os 15% da Vivo e 2% da Desktop. Mas, ao olhar apenas para a internet por fibra óptica, a participação da Claro é de 6,6%, contra 15% da Vivo e 3% da Desktop, de acordo com dados obtidos pelo BTG Pactual.

O principal ganho da Claro será no estado de São Paulo, onde ela tem 28% do mercado, enquanto Vivo é a líder com 31% (42% considerando apenas fibra) e a Desktop tem 7,4%. Nas 198 cidades em que a Desktop opera, a empresa oriunda da fusão será a líder de mercado.

"A operação faz sentido estrategicamente para a Claro, na nossa visão. A companhia é a operadora líder de banda larga no Brasil, embora uma porção significativa de sua base de clientes ainda esteja conectada por um híbrido de fibra e cabo coaxial (HFC), tecnologia inferior à fibra", diz o banco BTG em relatório.

Já a XP acredita que a transação é um sinal ao mercado. "As operadoras estão usando o M&A não apenas para ganhar escala, mas também para reforçar a convergência, aumentar a densidade regional, reduzir churn e restaurar a racionalidade em um mercado que se tornou mais maduro e competitivo", descreveram os analistas do banco em relatório.

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As tentativas de aquisição da Desktop

Fundada em 1997 por Denio Alves Lindo, em Sumaré, SP, a Desktop acompanhou todas as fases do desenvolvimento da internet no Brasil.

Hoje, é focada em internet de alta velocidade 100% fibra óptica e uma das maiores operadoras do estado de São Paulo. Atualmente, a Desktop S.A. cobre 194 municípios no interior de São Paulo e tem 4,8 milhões de domicílios cobertos.

Em 2024, a Telefônica Brasil, dona da Vivo, chegou a negociar a compra da Desktop, mas o negócio acabou não avançando.

Porém, o presidente-executivo da Telefônica afirmou que ainda havia questões que precisavam ser analisadas na época, como a sobreposição de redes.

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Em outubro do ano passado, a provedora de internet acabou confirmando conversas com a Claro. Na ocasião, a Desktop disse que as tratativas não eram vinculantes e que não havia um entendimento sobre preço e estrutura dos negócios.

Para o BTG Pactual, o negócio seria estrategicamente relevante para a Claro Brasil e fortaleceria a posição competitiva da telecom, especialmente em São Paulo, disse o banco na ocasião.

Ainda em outubro, a Anatel divulgou um estudo sugerindo que a compra da Desktop pela Claro levaria a concentração de mercado para níveis “moderadamente elevados”. Isso levou muita gente a acreditar que o regulador não aceitaria essa negociação, o que chegou a derrubar as ações.

Com Money Times

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