Braskem (BRKM5) troca CEO e CFO em meio à turbulência financeira, e ações sobem na B3; veja quem assume o comando
Petroquímica promove ampla reformulação na liderança e coloca elege ligados à IG4 Capital para posições estratégicas

Sob a pressão de um caixa mais apertado e de crescentes questionamentos sobre sua liquidez, a Braskem (BRKM5) decidiu promover uma reestruturação da alta cúpula.
A petroquímica anunciou nesta terça-feira (9) uma nova diretoria estatutária e uma nova composição para o conselho de administração, redesenhando parte relevante da equipe que ficará responsável por conduzir a empresa nos próximos anos.
As mudanças foram aprovadas em assembleia geral extraordinária (AGE) realizada na segunda-feira (8) e levam executivos ligados à IG4 Capital e à Petrobras (PETR4) a posições-chave da companhia.
A reformulação acontece em um momento delicado para a petroquímica. Enquanto avalia alternativas para fortalecer sua estrutura financeira, a companhia luta para recuperar a confiança dos investidores e reorganizar sua trajetória financeira.
- Veja também: Alívio do exterior, perigo no caixa: por que o UBS BB elevou o preço-alvo da Braskem (BRKM5) agora
As ações da Braskem reagiram positivamente às mudanças na alta cúpula. Logo na abertura, os papéis BRKM5 subiam 3,48%, cotados a R$ 9,21. Desde o início do ano, a petroquímica acumula valorização de cerca de 16% na B3.
A nova dupla que assume o comando da Braskem
A principal mudança ocorre na presidência da companhia. Helcio Tokeshi foi eleito novo diretor-presidente (CEO) da Braskem, substituindo Roberto Prisco Paraiso Ramos.
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Com experiência em projetos de infraestrutura, reestruturação empresarial e gestão pública, Tokeshi atuava como managing director na IG4 Capital e já ocupou cargos como CEO da CLI (Corredor Logística e Infraestrutura) e secretário da Fazenda do Estado de São Paulo.

Para Tokeshi, a parceria entre a IG4 e a Petrobras "reflete a nova fase na Braskem para preservar sua relevância estratégica para a cadeia química e petroquímica".
“O foco agora é na execução: reorganizar a estrutura financeira, melhorar a eficiência operacional preservando a liquidez e otimizando a geração de caixa. Será um trabalho em conjunto com a Petrobras e a IG4 e com foco total no desenvolvimento da companhia”, afirma o novo CEO, em nota à imprensa.
“Vamos avançar na revisão da estratégia com disciplina na alocação de capital, de modo a priorizar iniciativas com retorno claro. Em paralelo, estamos conduzindo uma agenda estruturada para endereçar a posição financeira da companhia, com diálogo com stakeholders financeiros para otimizar a estrutura de capital”, acrescenta o executivo.
Ao seu lado estará Carlos Brandão, escolhido para assumir simultaneamente as funções de diretor financeiro (CFO) e diretor de relações com investidores (DRI), posto anteriormente ocupado por Felipe Montoro Jens.

Brandão também chega da IG4 Capital, onde era sócio-gerente, e acumula passagens pela presidência da Iguá Saneamento e por posições executivas na Oi (OIBR3).
A chegada da dupla ao comando da Braskem sinaliza um perfil de gestão focado em reestruturação e eficiência operacional, possivelmente mirando o equacionamento das dívidas que têm assombrado o balanço da petroquímica.
Vale destacar que a reestruturação alcançou também o conselho de administração. A atual presidente da Petrobras, Magda Chambriard, foi eleita presidente do colegiado, enquanto Hélio Baptista Novaes assumirá a vice-presidência.
Quem fica e quem sai do alto escalão
A limpeza promovida pela nova gestão resultou na saída de executivos que haviam assumido postos-chave há pouco mais de um ano. Deixam a companhia:
- Roberto Prisco Paraiso Ramos (ex-CEO);
- Felipe Montoro Jens (ex-CFO);
- Geraldo Magela de Moraes Vilaça Netto (ex-Jurídico); e
- Stefan Lanna Lepecki.
Por outro lado, alguns nomes foram mantidos para garantir a continuidade operacional.
Permanecem na estrutura Nir Lander, à frente dos Assuntos Corporativos; Carlos Plachta, responsável pelo Mercado Consumidor e Logística; e Raphael Franco de Campos, diretor de Operações.
A novidade no time de apoio é Camilla Tedeschi de Toledo Tápias, que assume a Diretoria Jurídica.
O desafio hercúleo da nova gestão da Braskem
A Braskem continua pressionada por margens apertadas no setor petroquímico, além de carregar passivos importantes relacionados ao desastre geológico em Maceió, que segue impactando o caixa da companhia.
A Braskem terminou o primeiro trimestre de 2026 com cerca de US$ 1,06 bilhão em caixa, mas tem US$ 1,46 bilhão em dívidas vencendo ainda este ano.
Sua subsidiária no México, a Braskem Idesa, já está negociando separadamente o processo de entrada em recuperação judicial nos Estados Unidos (o chamado Chapter 11).
Nas últimas semanas, a Braskem voltou ao centro das discussões após notícias de que a companhia estaria avaliando alternativas para reorganizar seu passivo financeiro e buscando apoio de credores para uma eventual reestruturação extrajudicial.
Segundo o Valor Econômico, havia inclusive a possibilidade de postergação de aproximadamente US$ 150 milhões em pagamentos de juros de bonds com vencimento a partir de julho.
A notícia provocou forte repercussão entre investidores e pressionou as ações da companhia. Em junho, BRKM5 amarga perdas da ordem de 12% na bolsa brasileira.
Em resposta, a Braskem informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que ainda não tomou qualquer decisão formal sobre uma eventual reestruturação de dívida.
A empresa confirmou que, desde setembro de 2025, trabalha com assessores financeiros e jurídicos especializados na avaliação de alternativas para otimizar sua estrutura de capital.
Segundo a companhia, as análises continuam em andamento e incluem diferentes possibilidades, desde reprogramações de obrigações financeiras até mecanismos de proteção contra credores.
Apesar disso, a petroquímica enfatizou que nenhuma alternativa foi formalmente aprovada até o momento.
A missão de Tokeshi e Brandão, cujos mandatos se estendem até a assembleia geral ordinária (AGO) de 2028, será navegar em meio ao ciclo de baixa petroquímico e convencer os investidores de que a Braskem pode, finalmente, reencontrar o caminho da geração de caixa.
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