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O RISCO PASSOU?

Alívio do exterior, perigo no caixa: por que o UBS BB elevou o preço-alvo da Braskem (BRKM5) agora

Banco vê potencial de alta de quase 20% para as ações; por outro lado, petroquímica corre contra o tempo para resolver liquidez no menor nível em duas décadas

Imagem de indústrias petroquímicas da Braskem
Braskem - Imagem: Estadão Conteúdo/Alex Silva

A vida do investidor da Braskem (BRKM5) tem sido uma verdadeira montanha-russa. Se por um lado o cenário operacional global resolveu dar uma trégua e clarear o horizonte da petroquímica, por outro, os desafios financeiros internos continuam testando os nervos do mercado. 

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Nesse cabo de guerra entre a melhora operacional e a corda bamba financeira, o UBS BB decidiu recalcular a rota para as ações da companhia. O banco elevou o preço-alvo da Braskem de R$ 10 para R$ 10,50 para os próximos 12 meses. A nova avaliação implica um potencial de valorização de 19,6% em relação ao último fechamento. 

Apesar do sinal verde para o preço-alvo, o UBS optou pela cautela e manteve a recomendação neutra para os papéis BRKM5. Os desafios de liquidez continuam sendo o principal risco para a tese de investimento.  

Como resumiram os analistas Tasso Vasconcellos e João Barichello: "o principal ponto de incerteza da tese continua sendo a solução para a liquidez da companhia". 

Braskem: o empurrãozinho do Oriente Médio e os spreads em alta 

A revisão para cima feita pelo UBS BB não aconteceu por acaso. Os analistas apontam que a melhora decorre principalmente da elevação das premissas para os spreads petroquímicos e da incorporação de mais benefícios tributários relacionados ao Regime Especial da Indústria Química (REIQ). 

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E o vento favorável nos spreads veio justamente das tensões geopolíticas. As interrupções de oferta provocadas pelo conflito no Oriente Médio afetaram parte da capacidade produtiva na Ásia e na Europa, gerando restrições no fornecimento de matérias-primas. Com isso, os spreads do setor reagiram fortemente. 

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Mesmo com uma eventual normalização do mercado no futuro, o UBS BB não espera um retorno aos níveis mínimos observados anteriormente.  

Consultorias especializadas projetam um período de 12 a 18 meses para a recuperação integral da capacidade produtiva afetada, enquanto os riscos geopolíticos continuam sustentando custos mais elevados de frete, financiamento e produção. 

Graças a esse cenário, o UBS BB passou a estimar um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 2,6 bilhões para a Braskem em 2026. 

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Na visão do banco, esse nível de geração operacional de caixa ficaria acima do ponto de equilíbrio financeiro da companhia (estimado em cerca de US$ 1,5 bilhão por ano), o que deve reduzir a pressão provocada pelas sucessivas queimas de caixa registradas nos últimos trimestres. 

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O fantasma da liquidez assombra a Braskem 

Se a operação dá sinais de fôlego, o financeiro acende o sinal de alerta máximo. A situação de liquidez da Braskem segue delicada. A posição de caixa da companhia encerrou o primeiro trimestre de 2026 em cerca de US$ 1 bilhão — o menor nível registrado em duas décadas. 

Diante desse cofre pressionado, os analistas ressaltam que permanece em aberto qual solução será adotada para reforçar a estrutura financeira da empresa.  

Entre as alternativas discutidas pelo mercado estão captações de recursos e potenciais operações societárias, caminhos que trazem consigo o risco de diluição para os acionistas minoritários. 

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Uma luz no fim do túnel pode vir da governança: o UBS BB avalia que a recente conclusão da transferência do controle da Braskem para o fundo IG4 pode facilitar uma solução para a questão financeira e até abrir espaço para uma oferta pública de aquisição de ações (OPA), embora ainda não existam detalhes concretos sobre eventuais medidas. 

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