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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

NOVO PESO-PESADO NA B3 

Bradesco (BBDC4) coloca a Bradsaúde no jogo da B3, Odontoprev (ODPV3) reage forte — há espaço para mais um gigante da saúde?

Nova gigante nasce com escala bilionária e mira Novo Mercado — mas o que muda para Rede D’Or, Fleury e Mater Dei? 

Camille Lima
Camille Lima
27 de fevereiro de 2026
13:22 - atualizado às 15:39
Ações de saúde na B3
Setor de saúde - Imagem: Canva PRO / Montagem Seu Dinheiro

O mercado não precisou de muito tempo para reagir. Bastou o anúncio da criação da Bradsaúde para as ações entrarem em modo euforia. Por volta das 13h10 desta sexta-feira (27), os papéis do Bradesco (BBDC4) subiam 3,57%, a R$ 21,73. Já a Odontoprev (ODPV3) disparava 23,11%, negociada a R$ 15,82.

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O banco decidiu reunir todos os seus ativos de saúde em uma nova holding batizada de Bradsaúde, que chegará à bolsa por meio da já listada Odontoprev, em uma operação de IPO reverso. 

Na visão do mercado, o movimento não se trata só de uma reorganização societária, mas algo maior: uma mudança estrutural na tese de investimento — especialmente para quem já estava posicionado em Odontoprev

De Odontoprev a Bradsaúde: um mercado de R$ 8 bilhões vira um oceano de R$ 435 bilhões 

Hoje, a Odontoprev atua em um mercado de planos odontológicos estimado em cerca de R$ 8 bilhões. Com a Bradsaúde, passa a integrar uma plataforma que, segundo o Bradesco, endereça um mercado total superior a R$ 435 bilhões. 

Dentro dos demais ativos do grupo que serão abarcados pela Bradsaúde, a Bradesco Saúde opera em planos médico-hospitalares, um setor que gira em torno de R$ 327 bilhões.  

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A Atlântica Hospitais está inserida em um mercado hospitalar que beira R$ 66 bilhões. Já os serviços de diagnóstico, onde atua o Grupo Fleury, somam cerca de R$ 34 bilhões. 

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O que antes era uma companhia focada em dental passa a ser a porta de entrada para um ecossistema completo: planos médicos, hospitais, clínicas, oncologia, diagnóstico e tecnologia aplicada à saúde. 

Para o Bradesco, a listagem da Bradsaúde permitirá uma “precificação adequada” desses ativos e maior acesso ao mercado de capitais — dois pontos centrais na tese de destravamento de valor defendida pelo banco. 

O jogo dos múltiplos: por que o mercado animou 

Outro ponto que ajuda a explicar a disparada das ações está nos múltiplos. Hoje, a Odontoprev negocia a 11,8 vezes o lucro dos últimos 12 meses encerrados em dezembro. É um patamar abaixo de outras empresas do setor listadas na bolsa. 

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A título de referência, a Rede D’Or roda a cerca de 19,9 vezes preço/lucro. O próprio Grupo Fleury negocia a 15,3 vezes. Já a Mater Dei (MATD3) é avaliada em 13,1 vezes. 

Nas contas do BTG Pactual, a nova companhia nasce com um valor de mercado estimado em R$ 38 bilhões, negociando perto de 10 vezes preço/lucro e com estrutura de capital desalavancada.  

Em outras palavras: escala relevante, múltiplo relativamente baixo e sem pressão de dívida. 

Já o Itaú BBA destaca dois potenciais benefícios para o Bradesco. O primeiro é a possibilidade de o mercado enxergar melhor o valor das operações de saúde, que têm apresentado forte melhora nos últimos anos.

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Nas contas dos analistas, se a Bradsaúde negociar entre 10 vezes a 12 vezes os lucros estimados para 2026, em comparação ao múltiplo de 7,6 vezes do Bradesco consolidado, a operação pode adicionar de 4% a 7% em valor de mercado (market cap) por ação BBDC3, o que equivale a cerca de R$ 0,80 a R$ 1,50 por papel.

O segundo catalisador vem do lado do capital. Na leitura dos analistas, a transação provavelmente será positiva para o capital do Bradesco.

Embora ainda não haja detalhes sobre o quanto, o ativo está registrado atualmente em R$ 15,5 bilhões em valor patrimonial no balanço do Bradesco. Para os analistas, não está claro se o próprio negócio — avaliado em cerca de R$ 30 bilhões — desencadeará uma reavaliação contábil.

"De qualquer forma, o veículo “independente” certamente abre espaço para eventos corporativos que podem ser positivos para capital no futuro", avalia o Itaú BBA.

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Vale a pena comprar a tese? 

Para o BTG, o anúncio é bastante positivo. O banco vê a criação de uma nova plataforma de saúde com relevante potencial de crescimento e afirma que, diante da combinação de valuation atrativo e expansão possível, seria comprador de Odontoprev na abertura. 

O Itaú BBA avalia que a notícia é positiva para as ações do Bradesco sob vários ângulos, e manteve recomendação outperform, equivalente à compra, para banco, que continua entre as principais escolhas dos analistas no setor bancário brasileiro.

Banco Safra foi na mesma linha, classificando o movimento como um “claro reset na tese de investimento”.  

A leitura é que, agora, as ações da Odontoprev (ODPV3) passam a ser a porta de entrada listada para a plataforma de saúde mais ampla do Bradesco, que possui uma base de lucros maior e forte posição de capital. 

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“A maior diversificação para outros segmentos de saúde (planos médicos, hospitais, diagnósticos etc), com potencialmente maiores avenidas de crescimento e uma capitalização de mercado estimada entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões, é claramente positiva para os acionistas da Odontoprev”, avaliam os analistas. 

Além disso, segundo os analistas, o negócio parece ser positivo em lucro por ação para a Odontoprev.  

Combinado a uma possível reprecificação dos papéis, o potencial de valorização estimado varia entre 8% e 57%, dependendo do cenário considerado, de cordo com o Safra. 

E as rivais de saúde? Há espaço para todos na B3? 

No caso da Rede D’Or (RDOR3), o BTG não vê implicações negativas relevantes. Pelo contrário: a avaliação é que o Bradesco, com mais flexibilidade financeira, pode estruturar investimentos e até iniciativas conjuntas com o grupo hospitalar. 

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Mesmo assim, as ações da Rede D’Or abriram o dia em queda e recuavam 2,09% no início da tarde. 

Apesar da reação negativa, o BTG manteve RDOR3 como a favorita no setor de saúde, devido ao "papel
relevante na consolidação do setor e sua relação estratégica com o Bradesco".

Para o Grupo Fleury (FLRY3), a leitura é semelhante. Os analistas avaliam que um controlador com mais capital e foco em expansão pode criar novas oportunidades no setor.  

Ainda assim, os papéis FLRY3 registravam leve baixa de 0,33% no mesmo horário. 

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Vem follow-on da Bradsaúde pela frente 

A Bradsaúde também já nasce com um desafio: adequar-se às regras do Novo Mercado da B3, que exige um número de ações em circulação (free float) mínimo de 25%. 

Na largada, o percentual de ações em circulação ficará abaixo de 9%, concentrado nos atuais minoritários da Odontoprev. 

"A BradSaúde terá um free float reduzido, o que pode limitar liquidez no início, mas também cria espaço para ofertas subsequentes em janelas favoráveis", avalia o BTG.

Na visão do mercado, esse cenário abre espaço para uma oferta subsequente de ações (follow-on) na bolsa brasileira no futuro.  

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“A empresa irá para o Novo Mercado e a intenção é que, no futuro, tenha 25% de free float. No momento oportuno, decidiremos sobre um follow-on para capturar resultados. Este movimento demonstra que movimentos inorgânicos são possíveis dentro da nossa transformação”, afirmou o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha. 

No entanto, ainda não há calendário definido para uma eventual oferta de ações.  

Segundo Noronha, o banco deve solicitar um waiver (dispensa provisória) à B3, procedimento convencional nesses casos, e decidir sobre a oferta “no momento estratégico adequado”. 

Na visão do BTG, a possibilidade de acessar o mercado de capitais com mais liberdade é um dos grandes trunfos da nova estrutura.  

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A Bradsaúde passa a ter não apenas escala operacional, mas também munição financeira para financiar crescimento adicional ao longo do tempo. 

“O movimento destrava muitas oportunidades”, afirmam os analistas. 

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