O casamento continua — por enquanto: Azzas 2154 (AZZA3) reelege Birman e Jatahy em meio a rumores de cisão
Conselho mantém principais executivos por mais dois anos, apesar das turbulências recentes na governança

Enquanto o mercado especula sobre um eventual divórcio, a Azzas 2154 (AZZA3) decidiu, ao menos por enquanto, manter o casamento. Em reunião realizada na última terça-feira (26), o conselho de administração da gigante do varejo de moda selou a reeleição de seus dois principais protagonistas: Alexandre Birman e Roberto Jatahy.
Segundo ata da reunião, Birman foi reconduzido aos cargos de diretor-presidente (CEO) e de operações (COO), posições que ocupa desde a fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, concluída em 2024.
Já Jatahy, fundador do antigo Grupo Soma e peça central na integração das operações, seguirá à frente da unidade de negócios de vestuário feminino.
Ambos os executivos terão mandatos de dois anos para tentar provar que a união que criou a maior "house of brands" do Brasil ainda faz sentido estratégico.
Afinal, nos últimos meses, a Azzas 2154 viu questões de governança ganharem protagonismo entre investidores, após disputas judiciais e arbitrais envolvendo justamente seus dois principais acionistas e executivos.
História de um casamento na Azzas
A renovação dos mandatos acontece após uma sequência de episódios que colocaram a governança da companhia no centro das atenções.
Leia Também
Recentemente, a Azzas 2154 foi obrigada a detalhar ao mercado disputas judiciais e arbitragens envolvendo Birman e Jatahy.
O conflito teve origem em mudanças promovidas na estrutura organizacional do grupo, iniciativa contestada por Jatahy na Justiça do Rio de Janeiro.
Posteriormente, a discussão migrou para a Câmara de Arbitragem do Mercado da B3 (CAM-B3), onde os dois executivos passaram a discutir possíveis violações ao acordo de acionistas e ao estatuto social da companhia.
Embora a empresa tenha reiterado seu compromisso com a integração dos negócios, os episódios alimentaram especulações sobre um eventual desalinhamento entre os sócios que lideraram a criação da companhia.
- Leia também: Conflito entre sócios da Azzas 2154 (AZZA3) faz Itaú entrar em cena para discutir possível cisão, diz jornal
Afinal, a integração entre Arezzo&Co e Grupo Soma sempre foi vista pelo mercado como um processo complexo.
A operação reuniu culturas empresariais distintas e consolidou sob o mesmo guarda-chuva algumas das marcas mais relevantes do varejo de moda brasileiro.
Desde então, a companhia convive com movimentos de reorganização interna e elevada rotatividade em posições estratégicas, fatores que passaram a levantar questionamentos sobre a capacidade de execução da nova estrutura.
A mudança mais recente envolveu a Reserva e ocorreu após uma nova rodada de reorganização executiva, que acabou deixando Jatahy responsável pelas operações de moda feminina.
O movimento foi impulsionado pela saída de Ruy Kameyama, então responsável pela unidade Fashion & Lifestyle, anunciada no início de abril.
Mercado vê Azzas entre riscos e oportunidades
As discussões em torno da governança também passaram a influenciar a percepção dos analistas sobre a companhia.
Em relatório recente, o JP Morgan destacou que parte do mercado reagiu positivamente aos rumores sobre uma eventual separação dos negócios, enxergando potencial para destravar valor.
Ao mesmo tempo, o banco destacou que os ruídos societários representam um fator adicional de incerteza para os investidores.
“A cisão pode acabar sendo a solução mais simples para resolver o desalinhamento entre os acionistas, mas os efeitos de curto prazo para as ações ainda são incertos”, escreveram os analistas.
A avaliação reflete a percepção de que a discussão já não se limita apenas à integração operacional das empresas, mas também a convivência entre seus principais acionistas.
Resultados pressionados aumentam o desafio
O novo mandato de Birman e Jatahy não terá vida fácil. Além do ruído societário, a Azzas 2154 enfrenta um momento operacional mais fraco.
No primeiro trimestre de 2026, o lucro líquido recorrente desabou 45,7%, somando R$ 63,9 milhões.
A receita líquida também recuou 8%, evidenciando que a integração das marcas — que inclui nomes como Animale, Hering, Reserva e Farm — ainda encontra percalços em meio à "dança das cadeiras" no alto escalão.
Os próximos capítulos do casamento
A reeleição dos dois executivos sugere que, por ora, o projeto de integração segue de pé. Mas isso não significa que as especulações desapareceram.
Nos bastidores do mercado, continuam circulando hipóteses sobre possíveis rearranjos societários capazes de reduzir os atritos entre os grupos de controle, como uma eventual divisão de ativos entre os sócios.
Também permanece no radar o potencial estratégico da Farm, considerada por muitos participantes do mercado um dos ativos mais valiosos do portfólio da companhia e frequentemente associada a discussões sobre expansão internacional e eventual listagem no exterior.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
NOVA FASE
Tem ações da Braskem? Nova oferta da controladora permite venda dos papéis, mas nem todo acionista pode participar; entenda
17 de outubro de 2026 - 11:01FIQUE POR DENTRO
A noite na bolsa: os anúncios de Cosan (CSAN3), Rede D´Or (RDOR3), XP(XPBR31) e mais
16 de outubro de 2026 - 19:51APOSTA RENOVADA
O Itaú (ITUB4) quer mais energia: bancão injeta mais R$ 1,77 bilhão em subsidiária da Eneva (ENEV3)
16 de outubro de 2026 - 11:09FORA DE CIRCULAÇÃO
Banco Central decreta liquidação da cooperativa de crédito Credipaiva após “grave violação” de regras
16 de outubro de 2026 - 9:26MERCADO EM EXPANSÃO
Rival da B3 quer estrear em 2027 e promete reduzir custos e ampliar opções para quem investe em ações, ETFs e FIIs
15 de outubro de 2026 - 17:10DOS MIMOS ÀS PROTEÍNAS
Black Friday 60% maior: como o iFood quer provar de vez que não é mais um aplicativo de entregas de refeições
15 de outubro de 2026 - 16:35ATENÇÃO, INVESTIDOR
INBR32 dá adeus à B3: prazo para decidir o destino dos BDRs do Inter termina nesta sexta-feira; veja as opções
15 de outubro de 2026 - 10:50ESTRUTURAS INTACTAS
O negócio caiu, mas a ação subiu: por que a disparada dos distratos não assusta os investidores de Tenda (TEND3) e Cury (CURY3)
15 de outubro de 2026 - 6:06ATENÇÃO, ACIONISTA!
Dividendos e JCP: dona da Vivo (VIVT3) vai distribuir R$ 450 milhões em proventos; confira os prazos
14 de outubro de 2026 - 19:14EM MEIO À EUFORIA
O Bradesco saiu de moda na bolsa? O rali eleitoral tem seus queridinhos — e BBDC4 ficou de escanteio
14 de outubro de 2026 - 19:03PARA ALÉM DAS ACADEMIAS
Juros são o maior desafio da Smart Fit (SMFT3), segundo o CEO. Como a líder do setor fitness tem crescido nesse cenário?
14 de outubro de 2026 - 17:45SAÚDE NA BOLSA
Ações de saúde pegaram carona na eleição; agora, UBS BB revela o que pode vir pela frente para Rede D’Or, Hapvida e outras
13 de outubro de 2026 - 19:51DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ?
Vencedores e vencidos pelos juros: o mapa do BTG para a sua carteira com a Selic menor
13 de outubro de 2026 - 19:21ESPAÇO PARA FATURAR BILHÕES
O jogo virou para o Magazine Luiza (MGLU3)? Itaú BBA eleva recomendação para compra com alívio nos juros e crise na Casas Bahia (BHIA3)
13 de outubro de 2026 - 12:45DESALAVANCAGEM EM FOCO
CSN (CSNA3) põe siderúrgica alemã à venda; negócio de R$ 3,1 bilhões vai resolver sua dor de cabeça bilionária?
12 de outubro de 2026 - 10:59ESTRATÉGIA DE EXPANSÃO
Bradseg quer crescer sem entrar na guerra de preços dos seguros, diz CEO; veja onde está a aposta da companhia
12 de outubro de 2026 - 10:03NA ERA DA IA
Seu próximo gerente pode ser uma IA: veja como Bradesco e Santander estão se preparando e se os apps de banco vão acabar
12 de outubro de 2026 - 7:02O QUE ESTÁ EM JOGO?
Raízen (RAIZ4) quer listar subsidiária na B3 em meio a plano bilionário de reorganização
10 de outubro de 2026 - 9:08ATENÇÃO, ACIONISTA!
Dividendos e JCP: Santander (SANB11) distribuirá R$ 1,5 bilhão aos acionistas; saiba quem mais paga
9 de outubro de 2026 - 19:34Conteúdo Market Makers