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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

A MAIS-VALIA DO BRADESCO

“É o momento certo de capturar valor”: CEO do Bradesco (BBDC4) revela plano para destravar até R$ 50 bilhões com a Bradsaúde

Banco separa ativos de saúde via IPO reverso da Odontoprev e aposta que mercado vai reprecificar a “joia escondida” no balanço

Camille LimaBia Azevedo
27 de fevereiro de 2026
11:43
O CEO do Bradesco (BBDC4), Marcelo Noronha.
O CEO do Bradesco (BBDC4), Marcelo Noronha. - Imagem: Divulgação

Assim que o Bradesco (BBDC4) colocou na mesa a criação da Bradsaúde, uma pergunta ganhou força no mercado: por que agora? 

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O banco decidiu reunir todos os seus ativos de saúde em uma nova holding, que chegará à bolsa por meio da já listada Odontoprev (ODPV3) em uma operação de IPO reverso — e que pode nascer valendo algo entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões, segundo estimativas do mercado.  

Não se trata apenas de reorganização societária. É uma tentativa explícita de mudar a forma como o mercado enxerga — e precifica — um dos pilares do grupo. 

“Esta é a oportunidade de realizar o IPO de todo o sistema de saúde com a Bradsaúde. É o momento certo para capturar esse valor e levar mais riqueza para nossos acionistas e mais benefícios para nossos clientes e para a sociedade”, afirmou Marcelo NoronhaCEO do Bradesco, em entrevista coletiva na sede da seguradora, na Avenida Paulista. 

Executivos do Grupo Bradesco em entrevista coletiva de criação da Bradsaúde.
Executivos do Grupo Bradesco em entrevista coletiva de criação da Bradsaúde.

A escolha do timing diz tanto quanto o movimento em si. Depois de um ciclo de reestruturação interna e de ajustes no próprio banco, o Bradesco decidiu expor à vitrine um ativo que, até aqui, vivia “escondido” no balanço consolidado.  

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Nas palavras de Noronha, trata-se de uma jogada para destravar valor. Na prática, é uma aposta de que o mercado pagará mais por um negócio de saúde independente do que por esse mesmo negócio "diluído” dentro de um conglomerado financeiro. 

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Bradsaúde: o potencial de R$ 50 bilhões 

Vale destacar que não haverá uma oferta de ações (IPO) tradicional. A Bradsaúde estreará no Novo Mercado usando a estrutura societária da Odontoprev, que deixará de ser uma empresa focada apenas em odontologia para se tornar a holding de toda a divisão de saúde.  

Para Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do conselho, o movimento é quase natural dentro da história do grupo. “O Bradesco sempre foi essa moeda de duas faces: de um lado, o banking; do outro, a seguridade”, disse.  

Segundo ele, é justamente essa combinação que explica a penetração do banco no sistema financeiro brasileiro. A diferença agora é que uma dessas faces ganhará vida própria na bolsa. 

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“A Bradsaúde é uma oferta que fazemos ao mercado de capitais para que o setor possa ter mais uma opção”, afirmou Trabuco. 

A aposta do banco é que a listagem da Bradsaúde na bolsa brasileira deve permitir que o mercado reavalie o ativo por outro prisma bem maior.

Na visão de Noronha, o que estava registrado a valor contábil pode carregar uma mais-valia relevante quando separado, com governança própria, foco exclusivo e comparáveis mais claros no setor de saúde. 

“A gente encontra mais-valia em todos os ativos da Bradesco Saúde”, disse o CEO do banco, sugerindo que a joia da coroa pode ser mais valiosa do que parecia quando vista apenas pelo retrovisor do consolidado. 

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Noronha destacou que analistas já trabalham com um valor de mercado potencial entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões para a nova companhia.  

“Não é algo pequeno. É um negócio muito grande que oferece uma excelente alternativa no mercado de capitais para investidores brasileiros e estrangeiros”, afirmou. 

E o plano não termina aqui. “Podemos fazer outros movimentos futuramente”, acrescentou Noronha, lembrando que o grupo segurador atua em praticamente todos os ramos com “empresas de muito valor”. 

Bradsaúde: um sonho antigo do grupo Bradesco 

Apesar do anúncio formal nesta sexta-feira (27), a ideia não nasceu ontem. Ivan Gontijo, CEO da Bradesco Seguros, fez questão de reforçar que o projeto vem sendo maturado há muitos anos dentro do grupo. 

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“É um projeto que nasce robusto, mas ele não é de hoje nem de ontem. Vem ao longo de mais de quatro décadas”, afirmou. 

Os números ajudam a explicar o apetite: a Bradsaúde já nasce com R$ 52 bilhões em faturamento, lucro de R$ 3,6 bilhões e ROE de 24%.  

Uma escala que Carlos Marinelli, futuro CEO da holding, classificou como “irreplicável”. 

Marinelli, aliás, simboliza a tentativa do Bradesco de combinar experiência interna com visão setorial. Ele está no grupo há cinco anos, atualmente à frente da Bradesco Saúde, e antes comandou o Grupo Fleury por sete anos.  

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Ao seu lado estarão Elsen Carvalho, hoje CEO da Odontoprev e futuro responsável pela área odontológica da Bradsaúde; Vinícius Cruz, com 27 anos de casa e futuro diretor financeiro (CFO); e José Pacheco, há duas décadas na área de relações com investidores da Odontoprev e que assumirá como diretor de relações com investidores (DRI). 

No conselho, Trabuco segue como figura central. E a estratégia contará com o suporte direto de Noronha e de Gontijo — uma sinalização de que, embora ganhe autonomia, a nova empresa continuará no coração do grupo.  

O ataque às PMEs: o novo "mar azul" da Bradsaúde 

Historicamente forte no segmento corporativo, o grupo agora quer avançar sobre pequenas e médias empresas (PMEs).  

Gontijo resumiu o tamanho da oportunidade com um dado: dos mais de 200 milhões de brasileiros, apenas cerca de 52 milhões têm plano de saúde. 

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Para ele, há espaço para ampliar o acesso, especialmente entre PMEs, usando a capilaridade das agências do banco e a força da marca.  

"Vamos buscar um aperfeiçoamento cada vez maior, oferecendo principalmente no segmento de pequenas e médias empresas um acesso diferenciado a esse ecossistema", disse. 

A ideia é integrar saúde ao ecossistema financeiro, oferecendo produtos com a mesma fluidez com que se vende um seguro ou um crédito empresarial. 

O "presente" para o acionista minoritário da Odontoprev 

Um dos pontos mais sensíveis é o impacto para os acionistas minoritários da Odontoprev. Pela estrutura proposta, eles passarão a deter 8,65% da Bradsaúde. 

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Segundo Noronha, o minoritário verá um aumento estimado de 21% na sua base de lucro líquido ao migrar para a nova estrutura.  

Mais do que isso, deixará de ser sócio de uma empresa “monoline”, focada apenas em odontologia, para participar de um grupo diversificado, com hospitais, planos médicos, rede credenciada e inteligência de dados. 

"Ao realizarmos um negócio desta magnitude e diversificação, damos aos acionistas minoritários acesso a um potencial muito maior, com riscos menores. Oferecemos o destravamento de valor para os acionistas controladores e para os acionistas do Bradesco. Temos a oportunidade de capturar sinergias que endereçarão crescimentos futuros”, disse o executivo. 

O que vem por aí? Follow-on no radar 

Embora Noronha tenha dito que "não há previsão" para uma oferta de ações (follow-on) este ano, a intenção de longo prazo é clara: atingir os 25% de free float exigidos pelo Novo Mercado. 

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“No momento oportuno, decidiremos sobre um follow-on para capturar resultados. Este movimento demonstra que movimentos inorgânicos são possíveis dentro da nossa transformação”, disse o CEO. 

Porém, reforçou: “a decisão é estratégica e será tomada no momento certo para capturar resultado”. 

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