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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

A META FICOU MAIS DIFÍCIL

Banco Inter reage à queda das ações na bolsa com nova aposta: a “Regra dos 50” para crescer — e lucrar mais — até 2029

Nova estratégia combina crescimento acelerado com ROE em alta, e coloca o banco em um novo patamar de cobrança; veja os detalhes

Camille Lima
Camille Lima
11 de maio de 2026
12:16 - atualizado às 12:19
Fachada do Banco Inter.
Fachada do Banco Inter. - Imagem: Divulgação

Em um mercado em que bancos ainda tentam sobreviver ao peso de juros elevados, o Banco Inter decidiu fazer um novo compromisso com os investidores: não apenas crescer, mas crescer com rentabilidade. E, mais do que isso, elevar o próprio sarrafo no meio do caminho. 

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Depois de anos priorizando escala e aquisição de clientes, o Inter entra agora em uma nova fase — mais exigente, mais cobrada e, ao mesmo tempo, mais ambiciosa. 

A própria administração define esse momento como o “terceiro capítulo” do Inter: uma tentativa de provar que o modelo digital não só cresce com eficiência, mas também é capaz de gerar rentabilidade consistente — e comparável à dos grandes bancos. 

Do 60-30-30 à “Regra de 50”: o novo jogo do Inter 

Se antes o plano 60-30-30 funcionava como a principal referência estratégica de longo prazo — atingir 60 milhões de clientes, 30% de eficiência e 30% de ROE até 2027 —, agora ele deixa de ser a única estrela-guia do Inter. 

Sem abandonar a meta original, o Inter adiciona uma nova camada de ambição: a chamada “Regra de 50”. Inspirada na “Rule of 40” das empresas de tecnologia, mas com um grau maior de exigência, a métrica combina crescimento de receita e rentabilidade. 

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A meta é que esses dois indicadores, somados, precisam chegar a 50% até 2029. 

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Na prática, isso implica sustentar um crescimento acima de 30% ao ano enquanto a rentabilidade avança de forma consistente.

“Queremos ter lucratividade, formação sustentável de capital, mas também queremos ter tamanho”, disse João Vitor Menin, CEO Global da Inter&Co, durante encontro com investidores em Wall Street. “Esse equilíbrio é o que define a empresa que estamos construindo.” 

A nova meta passa a orientar a estratégia para os próximos três anos e meio e reforça a tentativa do banco de equilibrar expansão com disciplina financeira. 

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Ainda há incerteza, porém, sobre como ela convive com o plano anterior — especialmente em relação ao prazo para atingir um ROE de 30%, inicialmente previsto para 2027.  

De toda forma, para sustentar essas metas mais ambiciosas, o Inter aposta em três pilares já conhecidos — mas agora levados ao limite: o baixo custo de captação, a eficiência na prestação de serviços e a alavancagem operacional.  

Essa transição, no entanto, não vem sem ruído. Mesmo após reportar lucro recorde de R$ 395 milhões no primeiro trimestre de 2026, as ações do banco chegaram a cair mais de 14% em Nova York na semana passada. Hoje, os papéis INTR caem pouco mais de 4,4% em Wall Street.

A reação escancara um ponto de tensão na tese do Inter: o mercado agora começa a questionar até que ponto esse crescimento é sustentável — e a que custo ele vem sendo construído. 

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Inter mira expansão onde está o dinheiro de verdade 

Para sustentar essa equação mais exigente, o Inter decidiu mudar o foco e avançar sobre um território historicamente dominado pelos grandes bancos: o crédito com garantia.  

Depois de crescer em produtos mais básicos, como contas digitais e cartões, o banco agora mira segmentos como consignado privado, crédito com FGTS e financiamento imobiliário. 

A leitura do Inter é que é ali que está o retorno mais previsível e o risco mais controlado.  

Em um mercado de crédito que gira em torno de R$ 6 trilhões, essas linhas concentram a maior parte da rentabilidade e ainda permanecem, em grande medida, nas mãos dos bancos tradicionais — que detêm mais de 80% desse segmento. 

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A estratégia é migrar capital que hoje está alocado em tesouraria para operações de crédito mais rentáveis, elevando o retorno marginal da carteira dos atuais 12% para algo próximo de 22%. 

Ao mesmo tempo, o banco reconhece que ainda opera com uma alavancagem abaixo do potencial. Hoje, está em torno de 9,6 vezes — com a meta de se aproximar do intervalo de 11 vezes, mais próximo do padrão do setor, que varia entre 12 e 13 vezes. 

O movimento, no entanto, vem acompanhado de um risco: crescer sem comprometer a qualidade dos ativos — justamente o ponto que começa a incomodar analistas.  

Escala, engajamento e monetização: o tripé da nova fase do Inter 

A aposta do Inter passa por aprofundar o relacionamento com uma base que já é grande, mas ainda pouco monetizada. 

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Hoje, o banco tem cerca de 9% de market share em base de clientes no Brasil. Mas, em várias linhas de crédito, a participação do banco digital laranja ainda gira entre 1,5% e 2%. É esse “gap” que a instituição quer capturar. 

“Todo cliente importa. Temos uma oportunidade enorme de fazer cross-sell upsell”, afirmou o vice-presidente e diretor financeiro (CFO), Santiago Stel. “Nossa marca já é maior do que o nosso negócio transacional.” 

A lógica é transformar engajamento em receita — e, principalmente, em crédito. Isso passa por aumentar a principalidade, expandir a base de depósitos e destravar a alavancagem do balanço. 

Dentro desse plano, o banco também estabeleceu metas mais específicas, como dobrar o market share em crédito consignado e financiamento imobiliário até 2029. 

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Crescer mais… sem gastar mais 

Do outro lado da equação está o controle de despesas, peça-chave para sustentar uma das alavancas do plano 60-30-30: a eficiência. 

O Inter promete reduzir seu índice de eficiência dos atuais 44% para 30% até 2027 — um movimento que depende menos de cortes e mais de alavancagem operacional. 

Hoje, o banco opera praticamente com o mesmo número de funcionários de quando tinha metade da receita atual, o que, segundo a administração, sinaliza uma estrutura já desenhada para crescer sem expandir proporcionalmente os custos.  

Segundo os executivos, a aposta está baseada na combinação entre escala e tecnologia. 

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Há também um esforço claro de reduzir custos com fornecedores, consultorias e serviços externos — áreas que, segundo o banco, ainda carregam ineficiências relevantes. 

“Testamos soluções de inteligência artificial que conseguem fazer o mesmo por uma fração do custo”, disse o CFO do Inter.

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