Azul (AZUL53) conclui Chapter 11 nos EUA e diz estar pronta para crescer após reestruturação bilionária; dívida foi reduzida em US$ 2,5 bilhões
Companhia aérea informou que reduziu pagamentos financeiros em mais de 50% e concluiu processo em menos de nove meses

A Azul (AZUL53) anunciou na noite desta sexta-feira (20) que concluiu oficialmente seu processo de reestruturação financeira nos Estados Unidos, encerrando o Chapter 11 após menos de nove meses de negociação com credores.
Em um comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia aérea afirma deixar o processo com um balanço significativamente mais sólido, menor nível de endividamento e foco em crescimento sustentável no longo prazo.
Segundo o fato relevante, a saída ocorreu após o pagamento integral do financiamento DIP (debtor-in-possession, crédito concedido a empresas durante recuperação judicial) e a liquidação da oferta pública de ações realizada no início de fevereiro.
As ações da Azul fecharam o pregão de hoje em alta de 60%, após passarem por dois leilões consecutivos na B3 acionados por oscilação máxima e pelo chamado “limite estático” — mecanismo da bolsa que interrompe temporariamente as negociações quando o preço varia além do intervalo definido no início do pregão.
Apesar da forte alta, o papel ainda registra baixa liquidez, com cerca de 2 mil negócios realizados. A ação é negociada a R$ 230,01, considerando o lote de 1 milhão de ações ordinárias sob o ticker AZUL53.
O movimento representa uma recuperação após as perdas da véspera, quando investidores reagiram negativamente à oferta pública primária de ações anunciada pela companhia e as ações chegaram a cair 50%
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Dívida menor e despesas financeiras mais leves
Como resultado da reestruturação, a Azul afirma ter reduzido aproximadamente US$ 2,5 bilhões em dívidas e obrigações de arrendamento, um dos principais objetivos do processo.
Entre os principais efeitos financeiros anunciados pela companhia estão:
- redução de cerca de US$ 1,1 bilhão em empréstimos e financiamentos;
- queda próxima de 40% na dívida ligada a arrendamentos de aeronaves;
- diminuição estimada de mais de 50% nos pagamentos anuais de juros em relação ao período anterior ao Chapter 11;
- redução de aproximadamente um terço dos custos recorrentes de leasing;
- alavancagem líquida proforma abaixo de 2,5 vezes após a implementação do plano.
A empresa também levantou novos recursos para sustentar a nova estrutura de capital, com cerca de US$ 1,375 bilhão em notas seniores e US$ 950 milhões em compromissos de equity.
Com a liquidação da oferta de saída e o grupamento de ações aprovado em assembleia, o capital social da Azul passou a ser de R$ 21,75 bilhões, dividido em mais de 54 trilhões de ações ordinárias.
Esse número pode subir para cerca de 62 trilhões de ações caso haja exercício integral dos bônus de subscrição aprovados pelo conselho de administração.
O que muda agora para investidores
Na prática, a saída do Chapter 11 tende a reduzir a pressão financeira sobre a companhia, já que juros menores e contratos renegociados aliviam o fluxo de caixa — um ponto crítico para empresas aéreas, que operam com custos elevados e margens historicamente apertadas.
A empresa afirma que seguirá focada em crescimento disciplinado, expansão sustentável e geração de valor no longo prazo, apoiada em frentes como Azul Cargo, Azul Viagens e o programa Azul Fidelidade.
Ainda assim, a companhia ressalta que os dados divulgados refletem o momento atual e não representam projeções ou garantias de desempenho futuro.
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