Esta small cap está “mal precificada” e ainda pode pagar dividendos extras neste ano, diz CEO
Com dividend yield acima de 16% e caixa reforçado por uma operação de R$ 1 bilhão, a Log diz que quer devolver ainda mais dinheiro aos acionistas

Dividendos gordos, recompra de ações e um caixa prestes a engordar ainda mais. A Log Commercial (LOGG3), empresa especializada em galpões logísticos, quer continuar premiando os acionistas em 2026 e já sinaliza a possibilidade de proventos extraordinários neste ano.
A indicação foi dada pelo CEO da companhia, Sérgio Fischer, em entrevista ao Money Times. Segundo o executivo, a estratégia de forte retorno de capital deve continuar sustentada pela baixa alavancagem e pela geração de caixa da operação.
Hoje, a empresa exibe um dividend yield (retorno dos dividendos em relação ao preço da ação) de cerca de 16,2%, segundo dados da plataforma Status Invest. Em 2025, o indicador encerrou próximo de 17%.
Dividendos extraordinários no radar
“No ano passado, tivemos lucro de R$ 350 milhões e devolvemos os mesmos R$ 350 milhões aos acionistas. Em 2024, foram R$ 220 milhões em dividendos e mais R$ 300 milhões em recompra de ações”, afirmou Fischer.
Apesar de não divulgar uma projeção para os dividendos neste ano, o CEO indicou que a empresa deve realizar pagamentos extraordinários. “Seguimos com a política de distribuir pelo menos o mínimo trimestral de 25%, mas queremos fazer mais”, disse.
Fischer acrescentou que o espaço para reforçar os proventos também depende de fatores como investimentos, expansão e reciclagem de ativos.
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Venda bilionária para o Itaú
“O recurso da venda para o Itaú (ITUB4) ainda não entrou. Deve entrar no próximo mês. Quando isso acontecer, o balanço ficará super confortável”, afirmou.
A operação mencionada pelo executivo foi anunciada no início de maio, quando a Log fechou um acordo de R$ 1,02 bilhão com o fundo imobiliário Itaú Log CP, gerido pelo Itaú Unibanco Asset Management e administrado pela Intrag DTVM.
O negócio envolveu a venda de 11 empreendimentos logísticos e reforçou a estratégia de reciclagem de portfólio da companhia. Os ativos somam cerca de 332,8 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL) e foram negociados a um preço médio de R$ 3.065 por metro quadrado.
Pelos termos da operação, aproximadamente R$ 816 milhões, equivalentes a 80% do valor total, serão pagos à vista. Os 20% restantes serão liquidados com cotas do próprio fundo imobiliário.
“A ação deveria ter subido mais”
Além dos dividendos, Fischer demonstrou incômodo com o desempenho recente das ações da empresa na bolsa brasileira (B3).
Embora os papéis acumulem valorização próxima de 20% nos últimos 12 meses, o executivo avalia que o mercado ainda não reconhece adequadamente os fundamentos da companhia.
“Estamos super insatisfeitos com a performance do papel. Subiu, mas muito menos do que deveria”, disse.
Segundo ele, o elevado retorno distribuído aos acionistas deveria ter impulsionado mais as ações.
“No ano passado entregamos 17% de retorno em dividendos. É dinheiro no bolso do investidor. A ação deveria ter andado muito mais, mas esse também é um trabalho nosso de mostrar tudo o que está sendo feito”, afirmou o CEO.
- Leia também: A ação da Log (LOGG3) já subiu, mas ainda está barata? CFO aponta dividendos de até 17%
Custos de construção seguem preocupando
Mesmo com a valorização em 12 meses, LOGG3 acumula queda de cerca de 4% nos últimos 30 dias, em um ambiente de preocupação do mercado imobiliário com o avanço dos custos de construção.
Enquanto isso, o Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M) subiu 1,04% em abril e acumula alta de 6,28% em 12 meses.
Na avaliação de Fischer, porém, a pressão recente sobre as ações está mais relacionada ao cenário macroeconômico e à saída de investidores da bolsa do que à inflação das obras.
“Não vejo custo como um problema para a gente. Estamos acompanhando isso de perto e conseguimos repassar o aumento para os clientes sem perder margem”, afirmou.
Já o diretor da companhia, Eudóxio Pontes, estimou um aumento de cerca de 7,5% nos custos de construção em 2026, especialmente para projetos que ainda serão iniciados.
“Nos últimos meses tivemos pressão de custos principalmente por causa da guerra, mas isso não afetou as obras que já estão acima de 50% ou 60% de execução”, disse.
“A maior preocupação está nos empreendimentos que ainda vamos começar. Fizemos projeções e isso pode gerar um aumento de aproximadamente 7,5% nos custos. Não é uma certeza, mas estamos nos preparando para esse cenário”, acrescentou o executivo.
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