Ibovespa dispara em janeiro e nenhum outro investimento foi páreo — nem mesmo o ouro
Novos recordes para a bolsa brasileira e para o metal precioso foram registrados no mês, mas as ações saíram na frente

Não deu para nenhum outro investimento. Janeiro foi o mês do Ibovespa e das ações. Nem mesmo o ouro, eleito como o ativo de proteção neste período de incertezas, teve um retorno melhor do que o da bolsa brasileira neste primeiro mês do ano.
Janeiro foi marcado por recorde atrás de recorde do Ibovespa. Na melhor pontuação do mês, a bolsa brasileira ultrapassou a marca inédita de 186 mil pontos no intradia. Mas, na reta final do mês, devolveu um pouco desses ganhos.
Nesta sexta-feira (30), o Ibovespa fechou aos 181.363,90 pontos, após uma queda de 0,97%. Com isso, a valorização do principal índice de ações da B3 em janeiro foi de 12,56%.
Esse desempenho foi resultado principalmente da entrada de capital estrangeiro. Até quarta-feira (28) — dia em que a bolsa atingiu 184 mil pontos — os estrangeiros tinham colocado R$ 23 bilhões no Ibovespa, o maior volume mensal desde janeiro de 2022, segundo dados da B3.
O montante equivale a mais de 90% de todo o investimento estrangeiro registrado ao longo de 2025, quando entraram R$ 25,47 bilhões.
O mérito, no entanto, não é totalmente das ações brasileiras ou do Brasil em si. Na verdade, é mais uma questão de demérito dos Estados Unidos.
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Desde o ano passado, os grandes fundos de investimento globais estão tirando dinheiro dos Estados Unidos. Os países emergentes têm sido um dos principais destinos — dentre eles, o Brasil.
E, como o colunista do Seu Dinheiro Ruy Hungria explicou aqui, quando o fluxo é gigantesco, não tem como fugir — é só seguir a onda. E o Ibovespa foi na onda.
Ouro cada vez mais brilhante
Embora o ouro tenha ficado um pouco para trás (segundo a cotação do ETF GOLD11, usado como referência pelo ranking do Seu Dinheiro), o metal precioso tem sido o destino de outra parte do capital estrangeiro — principalmente de bancos centrais mundo afora.
O ouro é considerado pelos agentes financeiros um ativo de proteção. Quando há muita incerteza no mundo — como a captura do presidente da Venezuela pelos Estados Unidos ou a intenção de comprar a Groenlândia — esses agentes tendem a buscar ativos mais seguros.
A busca pelo ouro, no entanto, não é recente. Desde a pandemia os bancos centrais mundo afora têm aumentado as reservas de seus países. Em 2025, o metal precioso tomou o lugar do dólar como a principal reserva financeira global.
No ano passado, a valorização acumulada foi de 46,65%. Em janeiro, a cotação chegou ao pico de US$ 5,6 mil por onça-troy (medida de 31 gramas) pela primeira vez na história. E não deve parar por aí.
… dólar cada vez mais cinza
Por outro lado, a derrocada do dólar se intensifica.
Na mínima de janeiro, a moeda norte-americana chegou a valer R$ 5,16 pela primeira vez em dois anos. Desde então, recuperou um pouco do valor em relação ao real.
No fechamento desta sexta-feira, a cotação era de R$ 5,25, acumulando uma desvalorização de 4,4% ao longo do mês.
Os motivos para essa fraqueza são os mesmos listados anteriormente. Tudo faz parte do mesmo contexto: saída do grande capital dos Estados Unidos e sentimento de incerteza global.
No entanto, também se somaram a esse cenário outros dois fatores: a incerteza em torno da política monetária dos Estados Unidos e os rumos da política monetária do Brasil.
Nos EUA, o presidente Donald Trump falou diversas vezes ao longo do mês que indicaria o próximo presidente do Federal Reserve (Fed, banco central do país), e que ele seria alinhado aos seus interesses.
O assunto já causava muito desconforto entre os agentes financeiros e piorou a desconfiança institucional. Foi nesta sexta-feira que o republicano anunciou o nome de Kevin Warsh. A reação do mercado não foi tão ruim, visto o histórico de preocupação com a inflação de Warsh, mas o sentimento ainda é de “vamos ver como será”.
Veja o ranking de investimentos de janeiro
| Investimento | Rentabilidade no mês/ acumulado no ano |
|---|---|
| Ibovespa | 12,56% |
| Ouro (GOLD11) | 7,23% |
| Tesouro Prefixado 2032 | 2,82% |
| Tesouro Prefixado c/ JS 2035 | 2,30% |
| IFIX | 2,27% |
| IDA - Geral* | 2,05% |
| Tesouro IPCA+ 2050 | 1,85% |
| Tesouro Prefixado 2028 | 1,61% |
| Tesouro Selic 2028 | 1,21% |
| Tesouro Selic 2031 | 1,19% |
| Tesouro IPCA+ 2029 | 1,14% |
| CDI* | 1,11% |
| Poupança nova** | 0,67% |
| Poupança antiga** | 0,67% |
| Tesouro IPCA+ c/ JS 2060 | 0,31% |
| Tesouro IPCA+ c/ JS 2035 | -0,49% |
| Tesouro IPCA+ c/ JS 2045 | -0,50% |
| Tesouro IPCA+ 2040 | -2,15% |
| Dólar à vista | -4,40% |
| Dólar PTAX | -4,94% |
| Bitcoin | -8,77% |
(**) Poupança com aniversário no dia 28.
Todos os desempenhos estão cotados em real. A rentabilidade dos títulos públicos considera o preço de compra na manhã da data inicial e o preço de venda na manhã da data final, conforme cálculo do Tesouro Direto.
Fontes: Banco Central, Anbima, Tesouro Direto, Broadcast e Coinbase Inc..
E a renda fixa?
Teve um mês positivo, em sua maioria. De um lado, os títulos prefixados seguem registrando valorização no preço, que se intensificou diante da perspectiva de corte de juros em março.
Nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sinalizou que fará seu primeiro corte na taxa Selic na próxima reunião, em março. Na prática, isso faz com que o mercado espere títulos com taxas menores no futuro, de modo que os papéis antigos, de taxas maiores, passem a valer mais.
- LEIA TAMBÉM: Tesouro Prefixado ou Tesouro IPCA+? O que dizem as recomendações de renda fixa e Tesouro Direto para janeiro
Com isso, o Tesouro Prefixado 2032 ganhou a dianteira no ranking de janeiro. O papel valorizou 2,8% somente neste mês. O Tesouro Prefixado com juros semestrais 2035 aparece na sequência, com retorno de 2,3%.
- A rentabilidade apresentada no ranking do Seu Dinheiro corresponde ao retorno com a variação do preço dos títulos de renda fixa. Taxas e preços têm correlação negativa, de modo que, quando as taxas caem, os preços sobem — e o inverso também é verdadeiro.
Já o Tesouro Selic, que acompanha a taxa básica de juros, segue com seu retorno nas alturas: 1,2% com o dinheiro parado.
Com os títulos indexados à inflação o cenário foi diferente. As tensões globais mexeram com os títulos públicos mundo afora, com repercussão nos papéis do Brasil. O maior movimento aconteceu no começo do mês e jogou as taxas para cima.
No entanto, ao longo do mês, as taxas fecharam de volta — mas não para todos os vencimentos. No acumulado do mês, alguns registraram valorização e outros ficaram no negativo.
SD ENTREVISTA
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