‘Pimentinha’ na carteira: Nubank (NU; ROXO34) pode subir mais de 80%, mas investidor tem que segurar a emoção
Mesmo com lucro 41% maior no primeiro trimestre, o Nubank decepcionou o mercado ao entregar inadimplência mais alta e provisões acima do esperado; analistas, porém, defendem que a reação das ações pode ter sido exagerada diante de um trimestre sazonalmente mais pressionado

O Nubank (NU; ROXO34) chegou à temporada de balanços do primeiro trimestre cercado por uma preocupação do mercado: até que ponto o banco digital conseguiria manter o crescimento do lucro sem sacrificar a qualidade da carteira de crédito.
A apreensão dos investidores ganhou força diante de um ambiente macroeconômico mais desafiador, com receios de aumento da inadimplência. O cenário ainda ficou mais turbulento com a escalada da guerra no Irã, que passou a pressionar as expectativas para juros no Brasil e no exterior.
No fim das contas, o roxinho apresentou lucro líquido de US$ 871 milhões no período, alta de 41% na comparação anual. Apesar do avanço expressivo, o resultado ficou abaixo das projeções do mercado, que esperava cerca de US$ 980 milhões.
Além disso, os indicadores de inadimplência vieram piores: o índice subiu para 5%, contra 4,1% registrados no trimestre anterior.
Com a carteira em alta, o roxinho também se viu obrigado a acelerar as provisões — dinheiro usado pelos bancos para se proteger dos calotes. A linha aumentou 38% em relação ao trimestre anterior e ficou cerca de 30% acima das expectativas.
Assim, as ações NU acumulam queda de mais de 14,7% nos últimos 5 dias, enquantos os BDRs negociados na B3 tem perdas de 11,72%.
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Nubank teve balanço fraco?
Entre os analistas, é quase unânime a visão de que o Nubank não entregou resultados tão ruins quanto o desempenho da bolsa levaria a crer. A qualidade do crédito piorou. Mas eles questionam até que ponto isso é algo estrutural ou apenas um “ajuste” em meio a um primeiro trimestre que costuma ser mais difícil?
O diretor financeiro, Guilherme Lago, disse à Reuters que o lucro sofreu impacto do crescimento mais acelerado do crédito, o que obrigou a empresa a reconhecer provisões antecipadamente. A carteira de crédito total do Nubank aumentou 40% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 37,2 bilhões.
Além disso, o executivo deixou claro que o aumento refletia a sazonalidade do primeiro trimestre, e não uma piora na qualidade dos ativos.
O Safra, por exemplo, afirma que as perdas esperadas de crédito (ECLs) aumentaram de forma mais natural do que excessivamente conservadora. “Analisar apenas os créditos inadimplentes (NPLs) ou o Estágio 3 como métricas de deterioração pode ser enganoso.”
Os analistas sustentam que, quando se divide o provisionamento bruto pela formação dos Estágios 2 e 3 — “que acreditamos ter melhor correlação com as ECLs trimestrais” —, a proporção fica amplamente alinhada ao padrão histórico. Em bom português: para o Safra, o Nubank provisionou o necessário, e não mais do que isso.
A XP também afirma que a qualidade do crédito reportada veio mais fraca, mas permanece estruturalmente sólida, enquanto o Itaú BBA destacou que o banco inicia o ano com uma excelente estrutura de provisões para o crescimento previsto e para as melhorias usuais nos negócios após o primeiro trimestre.
Na visão do BBA, no fim, o resultado do primeiro trimestre superou as expectativas em 10%, enquanto uma alíquota de imposto de renda maior do que a esperada compensou os lucros em linha com as projeções.
Em resumo, o primeiro trimestre apresentou o aumento esperado nas provisões, compensado pelos volumes robustos, pela receita e pela eficiência.
Segundo o Bradesco BBI, o Nubank apresentou um trimestre consistente com a sazonalidade, especialmente em termos de receita.
Houve ainda forte expansão da margem financeira e das tarifas. Já as despesas operacionais também superaram as expectativas, resultando em um índice de eficiência melhor do que o previsto.
Atire primeiro, pergunte depois?
Em relatório, o BTG fez uma provocação: estariam os investidores “atirando primeiro e perguntando depois”, ou seja, vendendo no impulso?
Para os analistas, o Nubank apresentou mais um trimestre de forte crescimento da carteira de empréstimos e resiliência, com alta rentabilidade.
O banco vai além: afirma que o roxinho está bem posicionado para superar o mercado durante um ciclo de crédito mais desafiador no Brasil.
Observa ainda que a combinação de um crescimento mais forte da receita e a expectativa de uma alíquota efetiva de imposto muito menor no futuro levou muitos investidores brasileiros a elevarem suas expectativas de lucro.
“Como consequência, muitos agora veem as ações da Nu sendo negociadas a um múltiplo de 10 vezes o lucro por ação (P/L) projetado para 2027, ou até mesmo abaixo disso (nós o vemos em 12,2 vezes), e têm aumentado suas posições.”
O problema é que os americanos parecem céticos quanto à entrada da Nu nos EUA. A fintech, porém, pretende avançar com cautela em sua expansão, com investimentos limitados a menos de 100 pontos-base de seu índice de eficiência consolidado, tanto em 2026 quanto em 2027.
“Não nos lembramos de ter visto uma divergência tão grande de opiniões em torno da tese desde o IPO, quando os investidores locais eram os céticos e os estrangeiros, os otimistas”, observa o banco.
Precisa controlar a emoção
Por mais que os analistas tenham reafirmado seu otimismo em relação ao papel, eles alertam: o curto prazo deve permanecer desafiador e incerto.
“Temos pouca ideia de como as ações se comportarão no curto prazo. Com base nas reações aos recentes resultados bancários no Brasil, os investidores parecem estar vendendo primeiro e perguntando depois. Vamos ver se as ações da Nu se comportarão de maneira diferente nos próximos dias”, destaca o BTG.
Ainda segundo o banco, a expansão internacional permanece um pilar fundamental da tese de investimento de longo prazo da Nu e a oportunidade nos EUA, embora ainda altamente incerta, oferece potencial relevante de valorização.
A XP segue a mesma linha ao afirmar que, embora o aumento do custo de crédito deva gerar uma reação negativa no curto prazo, não vê o trimestre como um ponto de inflexão negativo.
Em vez disso, prefere enxergar o copo meio cheio: uma assimetria ainda atrativa, sustentada por avenidas de crescimento, métricas operacionais resilientes e um valuation que já incorpora espaço para revisões de curto prazo.
O Itaú vai além: afirma que as ações são negociadas a 16 vezes o lucro projetado para 2026 e a 13 vezes o lucro líquido, entre os níveis mais baixos da história do Nubank.
Veja as recomendações abaixo:
| Casa | Recomendação | Preço-alvo | Potencial |
|---|---|---|---|
| XP | Compra | US$ 21 | +75,0% |
| BTG | Compra | US$ 22 | +83,3% |
| Citi | Compra | US$ 22 | +83,3% |
| Safra | Compra | US$ 22 | +83,3% |
| Itaú BBA | Compra | US$ 20 | +66,7% |
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