Citi “passa a tesoura” no Inter (INBR32); entenda por que bancão cortou a recomendação e o preço-alvo pela metade
O risco para os lucros no curto prazo está maior, à medida que a qualidade dos ativos se deteriora e os custos permanecem altos, diz o Citi

O Inter (INTR, INBR32) tem menos espaço para crescer e, se as tendências apresentadas em seu último balanço se mantiverem, terá dificuldades de atingir as metas prometidas ao mercado, segundo um novo relatório do Citi.
O Citi rebaixou a recomendação das ações do Inter, negociadas na Nasdaq, de compra para neutra e cortou do preço-alvo para INTR em quase 50%. O banco agora projeta a ação a US$ 6,50 em dezembro, o que ainda representa um potencial de valorização de cerca de 11% sobre o preço de fechamento anterior. O preço-alvo anterior era de US$ 12.
As ações estão em queda na Nasdaq. Por volta de 15h20 (horário de Brasília), INTR caía 1,20%, a US$ 5,79.
Os BDRs, recibos de ações internacionais negociados na bolsa brasileira, acompanham o desempenho dos papéis no exterior. No mesmo horário, INBR32 caía 2,89%, a R$ 28,86.
Espaço limitado para novas altas
Para o Citi, o valor atual da ação, e a relação do preço do papel sobre seu lucro, já refletem adequadamente uma trajetória de ROE (sigla para Retorno sobre o Patrimônio) na faixa dos “mid-teens”, ou perto dos 15%.
“Após uma forte valorização desde a introdução da guidance 60/30/30, a ação entregou retorno de aproximadamente 150% em dólar, acompanhado de importante reprecificação dos múltiplos”, afirmaram os analistas.
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Por isso, eles veem um espaço limitado para alta à medida que os riscos de execução aumentam.
“Com baixa visibilidade para frente e os ganhos mais fáceis já incorporados, acreditamos que a próxima etapa de entrega tende a ser mais desafiadora, enquanto o valuation já embute certa credibilidade em relação ao atingimento das metas de ROE”, acrescentaram.
Risco do crédito está maior
O risco para os lucros no curto prazo está maior, à medida que a qualidade dos ativos se deteriora e os custos permanecem altos.
O aumento da formação de créditos mais arriscados aumenta o custo, além de limitar a expansão da margem financeira ajustada ao risco. Assim, a carteira está migrando para linhas com garantia, escreveram os analistas Arnon Shirazi, Brian Flores e Gustavo Schroden, em relatório.
A equipe do Citi também considera que as despesas operacionais continuam surpreendendo negativamente. No último trimestre, os custos de pessoal subiram cerca de 20% na comparação anual, mesmo com um quadro de funcionários estável, o que indica uma estrutura de mão de obra mais cara.
Expansão do Inter perdeu força
Eles ainda avaliam que a expansão operacional perdeu força, os ganhos de eficiência estagnaram e, por isso, há pouca visibilidade para uma recuperação das margens no curto prazo.
O banco também considera que o Inter enfrenta desafios estruturais crescentes para expandir as receitas, além das pressões cíclicas. Em destaque, as receitas com tarifas estão desacelerando, especialmente em cartões de crédito devido ao crescimento mais fraco do volume total de pagamentos.
Já as receitas não ligadas ao crédito não estão crescendo no mesmo ritmo da carteira, limitando a expansão do ARPAC (Receita Média Mensal por Cliente Ativo) e a monetização geral.
Além disso, o trio considera que ganhos de participação de mercado em produtos-chave, como crédito consignado, podem ser difíceis de alcançar, “reforçando os desafios de execução em um ambiente bastante competitivo”.
Uma expansão sem deixar a rentabilidade de lado já era estratégia do Inter. Depois de anos priorizando escala e aquisição de clientes, o Inter entra agora em uma nova fase — mais exigente, mais cobrada e, ao mesmo tempo, mais ambiciosa.
A própria administração define esse momento como o “terceiro capítulo” do Inter: uma tentativa de provar que o modelo digital não só cresce com eficiência, mas também é capaz de gerar rentabilidade consistente.
No entanto, alcançar retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 30%, como promete o banco, será difícil, se o banco mantiver as tendências atuais, acreditam os analistas.
Com Money Times
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