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No evento Onde Investir 2026, do Seu Dinheiro, Marcelo Bolzan, da The Hill Capital, fala o segredo para surfar um ano de corte de juros em 2026 e proteger sua carteira de riscos desnecessários
O ano de 2026 já começou cheio de emoções para o investidor e promete ainda mais nos próximos meses. No radar do mercado, alguns dos principais gatilhos para os ativos já estão mapeados: o início do ciclo de cortes na Selic, as eleições presidenciais e um cenário geopolítico global que segue adicionando tensão aos noticiários.
Nesse contexto, a palavra de ordem passa a ser alocação. Com mais volatilidade no horizonte, o investidor precisa redobrar a atenção à composição da carteira — tanto para evitar riscos desnecessários quanto para não deixar oportunidades pelo caminho.
Foi com esse pano de fundo que o Seu Dinheiro convidou Marcelo Bolzan, sócio e head comercial da The Hill Capital, para discutir o tema em um dos painéis do evento Onde Investir 2026, que reuniu nomes de peso do mercado para traçar estratégias e recomendações em diferentes classes de ativos.
Esta matéria faz parte de uma série especial do Seu Dinheiro sobre onde investir no ano de 2026. Eis a lista completa:
Apesar de não faltarem elementos para fazer preço nos ativos até dezembro, a principal tese de investimentos para esse primeiro trimestre é a expectativa de cortes na taxa básica de juros. Na visão de Bolzan, a Selic deve encerrar o ano na casa dos 12% ao ano.
“Isso muda completamente o cenário de alocação para os clientes. Os investidores ficaram muito tempo estacionados no CDI nos títulos pós-fixados. A partir de agora terão que ajustar, já que a rentabilidade vai cair”, afirmou durante o painel.
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Segundo o especialista, o ajuste na renda fixa passa por alongar os prazos, com foco em títulos prefixados e em papéis atrelados à inflação, que ainda oferecem prêmios elevados e tendem a se beneficiar com a queda dos juros.
“Na renda fixa, nossa principal forma de proteção está nos títulos indexados à inflação. Preferimos vencimentos mais longos, na faixa de sete a dez anos, como os papéis com prazo em torno de 2035”, afirma.
Já nos prefixados, a preferência é por prazos mais curtos — em torno de três a quatro anos — que permitem travar boas taxas sem assumir volatilidade excessiva.
Ele também acredita que bolsa deve ter uma parcela relevante na carteira dos investidores em 2026, uma vez que a queda dos juros favorece o desempenho das ações.
No desenho geral das carteiras, Bolzan reforça que o ponto central não está em acertar o “melhor ativo” do momento, mas na distribuição correta entre as classes.
Em um cenário de transição como o de 2026, o equilíbrio entre renda fixa, renda variável, multimercados e investimentos no exterior passa a ser decisivo para o desempenho ao longo do ano.
O ideal é que o investidor tenha prazo para rebalancear os investimentos e acompanhe o cenário macro, para fazer ajustes pontuais.
“No longo prazo, o resultado dos portfólios de investimento vem principalmente da alocação entre as classes de ativos. Cerca de 90% do desempenho está ligado a esses percentuais, enquanto a escolha do produto ou o momento exato de entrada respondem por algo próximo de 10%. Por isso, manter o controle da diversificação é fundamental”, destaca Bolzan.
Segundo Bolzan, para um perfil intermediário, considerado o mais representativo entre os investidores, a alocação recomendada parte de 70% do portfólio em renda fixa.
Dentro dessa fatia, a distribuição fica em cerca de 30% da carteira total nos títulos pós-fixados, que funcionam como reserva de liquidez e proteção para oportunidades ao longo do caminho.
Outros 30% ficam alocados em papéis atrelados à inflação, que ainda oferecem juros reais elevados e tendem a se valorizar com o início do ciclo de cortes da Selic.
Já os 10% restantes da renda fixa são direcionados a títulos prefixados, preferencialmente com vencimentos mais curtos.
Os 30% restantes do portfólio, classificados como parcela de risco, são divididos em duas frentes. Metade — 15% da carteira total — vai para fundos multimercados, que combinam estratégias de renda fixa, bolsa, moedas e commodities e ganham relevância em um ambiente mais volátil.
A outra metade, também 15%, é destinada às ações brasileiras, que devem se beneficiar da perspectiva de queda dos juros, ainda que com oscilações ao longo do ano eleitoral.
Já no perfil arrojado, a renda fixa perde espaço e passa a representar 50% do portfólio, enquanto os outros 50% são distribuídos igualmente entre multimercados (25%) e ações (25%), refletindo um apetite maior ao risco.
Fora dessa estrutura, Bolzan destaca que é importante ter uma parcela de 20% do portfólio total em ativos internacionais. Essa fatia funciona como diversificação e proteção, combinando renda fixa global — ainda com juros elevados em termos históricos — e exposição à bolsa norte-americana, onde o cenário segue construtivo.
Para investidores conservadores, o peso da renda fixa sobe para 90% da carteira, enquanto os 10% restantes ficam alocados em ativos de risco — sendo 5% em fundos multimercados e 5% em ações brasileiras.
No caso desse grupo, a alocação internacional tende a ser mais limitada, mas não inexistente.
Ainda assim, Bolzan avalia que faz sentido manter uma exposição no exterior por meio de renda fixa global, funcionando como instrumento adicional de diversificação e proteção, mesmo com a carteira concentrada em 90% em renda fixa no total.
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