Nubank (ROXO34), Localiza (RENT3) e mais: as 10 ações para investir em 2026, com cortes na Selic e eleições à vista
Em painel do evento Onde Investir em 2026, do Seu Dinheiro, grandes nomes do mercado analisam os cenários para o Ibovespa em 2026 e apontam as ações que podem se destacar mesmo em um ano marcado por eleições
Não sabendo que era “impossível”, o Ibovespa foi lá e fez. O principal índice de ações da bolsa brasileira fechou 2025 com mais de 30 recordes de fechamento e valorização de 34%, um desempenho que se encaixa perfeitamente no meme usado para celebrar feitos improváveis — ou, ao menos, um tanto desacreditados.
O avanço veio na onda do dinheiro gringo saindo dos Estados Unidos rumo aos países emergentes, mesmo que o movimento tenha representado uma ‘migalha’ do que ainda ficou por lá. Além disso, a expectativa de cortes na Selic também impulsionou a alta.
Em 2026, as coisas seguem de vento em popa, com o Ibovespa superando os 170 mil pontos pela primeira vez nesta quarta-feira (21), ainda sob os mesmos vetores positivos do ano passado.
Mas, se as ações vencedoras de 2025 já estão mais do que carimbadas, resta saber no que apostar agora. Para responder a essa pergunta, o Seu Dinheiro reuniu nomes de peso no evento Onde Investir em 2026.
O painel dedicado a ações contou com a presença de: Bruno Henriques, diretor executivo de sell side do BTG Pactual; Bruno Rignel, sócio-fundador e CIO da Alpha Key Capital Management Investimentos, e Larissa Quaresma, analista de equity da Empiricus Research.
Esta matéria faz parte de uma série especial do Seu Dinheiro sobre onde investir no primeiro semestre de 2026. Eis a lista completa:
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- Renda fixa
- FIIs
- Investimentos internacionais
- Criptomoedas
- Alocação
O cenário para o investidor em ações em 2026
O grande evento do ano serão as eleições presidenciais em outubro, que muita gente já tenta precificar desde o começo de 2025. No entanto, os painelistas não parecem muito alarmados, apesar de reconhecerem que a corrida pelo Palácio do Planalto pode trazer turbulências.
“O mercado entra neste ano um pouco menos preocupado. Até porque 2026 vai ser um ano diferente: é a primeira vez que o ciclo eleitoral coincide com o de quedas de juros, então a análise do assunto muda”, afirma Henriques, do BTG Pactual.
Para Quaresma, há também a questão da diversificação em direção aos países emergentes, que deve seguir fazendo preço por aqui.
“São três grandes ciclos que vão interagir ao longo do ano. Além disso, até abril não teremos definição clara de quem serão os candidatos à presidência. Quando soubermos, teremos os elementos para explorar as possibilidades”, destaca a analista da Empiricus.
Na visão de Rignel, no entanto, não há cenário doméstico que se sobreponha ao contexto internacional. Ele argumenta que se as coisas estiverem bem lá fora, a tendência é que o dinheiro gringo continue a impulsionar nossas ações.
“Quando olhamos para o todo, percebemos que o Brasil é poeira cósmica do mundo. Muitas vezes parece que tudo depende só do que acontece aqui, mas o ciclo é global. Quando o dólar cai, o governo da vez se fortalece; quando o dólar sobe, o governo enfraquece e a oposição ganha força. Isso se repete em praticamente toda a América Latina, independentemente de quem esteja no poder”, ressalta o CIO.
Fora do ruído eleitoral, os cortes na Selic tendem a aliviar as empresas em duas frentes: reduzem o peso das despesas financeiras, dando fôlego às companhias mais endividadas, e ajudam a destravar a atividade econômica, com impacto positivo sobre a demanda e os resultados.
“A ação só sobe quando a empresa dá resultado”
Outro ponto que os especialistas destacam é que muitas vezes os investidores dão menos importância ao contexto micro das empresas, mas essa é uma peça fundamental para orientar a escolha sobre onde investir. “Se a base de lucro é menor, não tem cenário macro ou Trump que resolva”, afirmou Rignel durante o painel.
Para ele, mesmo em um ambiente favorável aos mercados, o investidor não pode simplesmente sair comprando qualquer ação.
Além disso, a qualidade da governança das companhias segue sendo um filtro decisivo — e, em muitos casos, o fator que separa as boas histórias das armadilhas. Até porque o ano passado foi marcado por casos como os do Banco Master e da Ambipar (AMBP3), que ainda devem ecoar por um bom tempo.
Para Rignel, além dos requisitos básicos de governança, é preciso que o investir esteja atento a outras coisas. Uma delas é: se o acionista majoritário está alinhado aos interesses dos minoritários.
Ele afirma que o investidor só se apropria da valorização da ação, dos dividendos e dos proventos — enquanto o controlador ou o executivo podem ganhar de outras formas, como salários, bônus ou até receitas com aluguéis dos ativos da empresa.
“Muitas vezes o executivo recebe um salário e bônus que podem importar mais para ele do que o desempenho das ações. Já até fizemos uma lista de empresas cujos executivos ganharam milhões enquanto o papel caía 95%”, aponta o CIO.
Onde investir em 2026
Diante desse cenário, os especialistas selecionaram alguns papéis para apostar ao longo de 2026. Para Quaresma, a grande tese de investimentos do ano é a queda de juros, razão pela qual a casa montou uma carteira mais exposta ao cenário doméstico e aos desdobramentos do ciclo de cortes da Selic.
Nesse sentido, Quaresma destaca a intenção de investir em empresas sensíveis ao ciclo doméstico, sem ignorar a robustez dos negócios — já que os juros devem seguir em patamares elevados mesmo depois dos cortes.
Assim, um dos papéis citados é o do Nubank (ROXO34). “É uma companhia que já tem operação rentável no Brasil, deve alcançar rentabilidade positiva no México em até dois anos e tem uma relação positiva com a queda dos juros, justamente pelo perfil da renda mais baixa dos clientes”.
Nessa toada, ela também recomenda as ações de Localiza (RENT3). A empresa tende a se beneficiar da queda dos juros porque seu modelo de negócios é intensivo em capital.
Com o custo da dívida menor, a empresa reduz despesas financeiras e, ao mesmo tempo, se beneficia da melhora nas condições de crédito para a venda de veículos seminovos, o que sustenta preços, acelera a renovação da frota e reforça a geração de caixa.
A analista também cita Itaú (ITUB4), uma vez que o setor bancário ganha em todos os cenários.
Já Rignel aponta para a Allos (ALOS3), também considerando a perspectiva de dividendos. “É uma empresa de shopping centers que hoje eu diria ser a maior do Brasil. Ela mudou o modelo, ficando parecida com um fundo imobiliário, e passou a pagar dividendos mensais recorrentes”, diz o CIO.
“Pelas nossas estimativas, a companhia tem total capacidade de sustentar esse nível de distribuição por muitos anos, o que torna o retorno mais atrativo do que o da maioria dos FIIs”, completa.
Ele ainda argumenta que o diferencial da companhia está na gestão ativa do portfólio: ao longo dos últimos anos, a empresa vendeu ativos menos eficientes, direcionou capital para os shoppings mais fortes e promoveu reformas para destravar valor, em um processo que vai além de simplesmente colher renda dos melhores ativos.
Outras ações citadas por Rignel são: Track&Field (TFCO4), Priner (PRNR3), 3tentos (TTEN3) e Axia Energia (AXIA6).
Já Henriques, do BTG Pactual, cita Copel (CPLE3) e Cyrela (CYRE3), além de setores como o de construção civil voltado para baixa renda, bancos e utilities. Ele também endossou a recomendação em Itaú, Allos e Axia dos outros dois painelistas.
Confira a seguir na íntegra o evento Onde Investir 2026:
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