Mesmo em recorde, a bolsa brasileira segue barata para o gringo — e fiscal não apavora o estrangeiro, diz UBS
Na avaliação de Ulrike Hoffmann e Arend Kapteyn, mesmo com incertezas fiscais, ações brasileiras seguem atraentes no cenário global

Selic a 15%, incerteza fiscal persistente, eleições no horizonte e o Ibovespa renovando máximas históricas. À primeira vista, o retrato parece pouco convidativo para investimentos. Mas, para investidores globais, o Brasil segue contando uma história diferente — e atraente.
Na avaliação de executivos do UBS, mesmo aos 182 mil pontos, a bolsa brasileira ainda está longe de parecer cara. Pelo contrário: segue barata em termos relativos e continua despertando apetite em um momento em que o investidor global busca diversificação fora dos Estados Unidos.
"Estamos otimistas com o Brasil e vemos potencial de alta a partir de agora", afirma Ulrike Hoffmann, head global de equities e CIO para as Américas no UBS Global Wealth Management, em entrevista coletiva nesta terça-feira (27).
“A moeda está relativamente barata nos nossos modelos, e as taxas de juros estão muito altas. Assim que o Banco Central começar a cortar, isso tende a impulsionar o mercado.”
Não por acaso, Brasil e China aparecem hoje como os dois mercados favoritos do UBS no universo emergente, segundo Arend Kapteyn, economista-chefe do UBS Global.
Por que a bolsa brasileira ainda brilha aos olhos do gringo
A explicação começa fora do Brasil. Nos últimos anos, investidores globais concentraram suas carteiras de forma quase exclusiva nos Estados Unidos. O resultado foi uma subalocação prolongada em mercados emergentes — um movimento que agora começa a se reverter.
Leia Também
Acontece que mesmo pequenos graus de diversificação em portfólios gigantescos resultam em grandes fluxos para outros mercados menores. E o Brasil entra nesse radar por um motivo simples: escala.
Há poucos mercados emergentes grandes, com liquidez e profundidade suficiente para absorver volumes elevados de capital institucional, segundo o UBS. O Brasil é um deles.
A isso se soma um valuation que segue convidativo ao estrangeiro. Mesmo após o rali recente, a bolsa brasileira continua sendo negociada a múltiplos entre 8 e 9 vezes o lucro — abaixo da média histórica do Ibovespa e também inferior à de outros mercados emergentes e desenvolvidos.
Em outras palavras, o investidor estrangeiro olha para o Brasil e enxerga um mercado grande, líquido, barato e com potencial de valorização à frente.
O cenário externo também ajuda. Segundo o UBS, a combinação de liquidez global, expectativa de cortes de juros em economias centrais e preços mais elevados de commodities cria um pano de fundo favorável.
De acordo com Hoffmann, segurança alimentar e energética voltaram ao centro do debate global — e o Brasil está bem posicionado para atender a essa demanda.
Fluxo gringo vai desacelerar?
Para o UBS, uma reversão de fluxo estrangeiro para o Brasil no curto prazo parece improvável, apesar das incertezas do cenário macroeconômico local.
“Não vejo uma mudança significativa agora”, afirma Kapteyn. “O dólar vem se depreciando em relação a várias moedas, o que libera capital para buscar oportunidades em outros mercados.”
Na leitura do economista, o investidor estrangeiro parece menos obcecado com os ruídos da política doméstica brasileira do que o investidor local. Isso não significa que os riscos estejam fora do radar, no entanto.
“É natural que as pessoas dentro de um país sejam mais críticas ao governo do que quem está fora. Mas, na comunidade financeira, há uma preocupação real com a dinâmica da dívida brasileira”, afirmou.
Na avaliação de Kapteyn, o problema do Brasil é “mais uma crise de confiança”.
Segundo ele, se o governo conseguir convencer o mercado de que a política fiscal será responsável e os gastos permanecerão sob controle, o ajuste pode vir pelo caminho certo: expectativas de inflação mais baixas, queda dos juros e retomada do crescimento — sem a necessidade de um choque fiscal abrupto.
“O Brasil não precisa necessariamente desse ajuste se mantiver a confiança dos mercados e permitir que o Banco Central corte os juros”, avaliou.
IPOs voltam ao radar
Além do fluxo para ações já listadas, o UBS também vê uma reabertura gradual da janela de ofertas no mercado de capitais ao longo do ano — especialmente nos Estados Unidos —, com oportunidades para estreia de companhias brasileiras no exterior.
A expectativa é de que o movimento seja liderado por empresas de tecnologia, após um longo período de “digestão” dos investimentos privados feitos durante a pandemia.
“Nem todas as empresas financiadas em 2021 vão abrir capital, mas um novo núcleo começa a surgir”, avalia Kapteyn. “Empresas de inteligência artificial em escala maior agora precisam de financiamento e podem vir a mercado ainda este ano.”
Mas não apenas as techs devem protagonizar esse ciclo. Segundo Hoffmann, setores mais tradicionais, como biotecnologia, também podem ganhar espaço no pipeline de IPOs.
Ainda assim, a lógica permanece: empresas de tecnologia tendem a dominar as ofertas porque operam em um ambiente disruptivo, criando novos modelos de negócio e novas histórias de crescimento, segundo a executiva do UBS.
DA PRIMAVERA AO OUTONO?
Dólar a R$ 6, bolsa em queda de até 30% e juros mais altos: o que Wall Street espera do Brasil após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 13:51SANGRIA NA BOLSA
Ibovespa cai 14%, dólar sobe a R$ 5,40, mas nem todo mundo perdeu — entenda o caos nos mercados
26 de outubro de 2026 - 12:29DEPOIS DA BONANÇA, A TEMPESTADE
Ibovespa em choque: várias ações derretem mais de 40% após virada de Lula no segundo turno, apenas 6 sobem
26 de outubro de 2026 - 12:10BOTÃO DE PÂNICO
‘Circuit breaker’: o que é botão do pânico da bolsa, acionado após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 10:48MODO DEFESA
Salve-se quem puder: Ibovespa pode tombar 17% após reeleição de Lula, avalia BTG; quais ações podem escapar?
26 de outubro de 2026 - 10:17NA CONTRAMÃO
Gavekal, importante casa de análise gringa, recomenda compra de ativos no Brasil após vitória de Lula; ações caem 30% lá fora
26 de outubro de 2026 - 10:01REPORTAGEM ESPECIAL
Lula venceu, e a festa da bolsa pode acabar: o que esperar dos investimentos agora?
25 de outubro de 2026 - 22:48MERCADOS
Petrobras despenca 12%, Vale cai 4% e EWZ tomba 19%: a reação imediata à vitória de Lula — e o que vem por aí
25 de outubro de 2026 - 22:28Conteúdo Empiricus
O teto do INSS hoje é de R$ 8.475,55, mas grupo de investidores recebeu o dobro com esse sistema; entenda
25 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #293
Eleições podem destravar IPOs e novas emissões de dívida no Brasil? CEO da Nero Capital responde
23 de outubro de 2026 - 18:56O EFEITO DAS URNAS
Depois de lucrar com a alta do Ibovespa, tubarões se protegem no mercado, de olho em eleição mais acirrada
23 de outubro de 2026 - 17:53MERCADO DE FIIs
Fundo imobiliário ALZR11 vai ao mercado em busca de até R$ 530,5 milhões; veja os detalhes
23 de outubro de 2026 - 14:28SMALL CAPS EM ALTA
10 small caps que saltaram mais de 50% em outubro e lideram rali histórico na bolsa
23 de outubro de 2026 - 13:13NOVAS VITRINES
Allos (ALOS3) mira gestão de fundos imobiliários e vende fatias de shoppings à Kinea; confira os detalhes da parceria
23 de outubro de 2026 - 12:30AS 3 ESTAÇÕES
Ganho de até 50% em dólares: as ações que florescem na primavera da bolsa brasileira
22 de outubro de 2026 - 19:45MUDOU A META?
Meta (META) cai mais de 7% após balanço; veja 3 pontos para prestar atenção, segundo o Safra
22 de outubro de 2026 - 14:32PODCAST TOUROS E URSOS
Crescimento à vista? As oportunidades que podem surgir na bolsa e na renda fixa após as eleições
22 de outubro de 2026 - 11:00ENTRE CHIPS E TIJOLOS
A corrida da IA precisa de imóveis para data centers. E isso pode abrir espaço — e riscos — para os FIIs
21 de outubro de 2026 - 15:30ORGANIZANDO A CASA
Gigante à vista: Patria fica a um passo de unir quatro fundos imobiliários (FIIs) em um só
21 de outubro de 2026 - 11:20DECOLOU