Ibovespa bate mais um recorde, e mérito não é (só) do Brasil; veja as ações preferidas dos estrangeiros
As ações que compõem o Ibovespa são bastante buscadas, já que muitas compras ocorrem por meio do próprio índice ou ETF do índice

Nem mesmo a espera pelas decisões sobre juros freou o Ibovespa. Hoje, o principal índice da bolsa brasileira bateu mais um recorde, ao ultrapassar os 182 mil pontos.
Por volta do meio dia, o índice subia 2,22%, aos 182,7 mil pontos. Apenas na primeira hora de negociação, o índice saltou 4 mil pontos.
Um dos motivos da alta são os dados macroeconômicos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação e um dos principais termômetros para as expectativas em torno da política monetária no Brasil, avançou 0,20% em janeiro, segundo dado divulgado pelo IBGE.
A estimativa era de que o índice avançaria 0,23% neste mês. No período de 12 meses, o IPCA-15 teve alta acumulada de 4,50%, ante a previsão de 4,52%.
Há também a expectativa para a ‘Super Quarta’. Por aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manter a Selic inalterada em 15% ao ano, mas com alguma indicação de início de um afrouxamento monetário em março.
Nos Estados Unidos, investidores apostam em uma manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pelo Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed).
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Apetite estrangeiro
Nas três primeiras semanas do ano, a bolsa brasileira disparou 11%, ou 15% em dólares. O que tem motivado a alta é principalmente o grande fluxo de investimento vindo de fora — mais de R$ 15,8 bilhões foram trazidos do exterior para a B3 somente neste ano.
"Esse não é um fenômeno brasileiro", diz o BTG Pactual em relatório. Não só outras bolsas na América Latina vivem um fenômeno semelhante, como diversos mercados emergentes pelo mundo.
Na Colômbia, a alta é de 24% em dólares, de 14% no Chile e de 10% no México. O principal índice norte-americano, o S&P 500, subiu apenas 1% no ano.
O apetite dos investidores pelos mercados emergentes — e pelo Brasil em particular — está claramente em alta, com forte interesse em setores domésticos e sensíveis à taxa de juros. "O Brasil continua sendo um dos principais beneficiários desse renovado interesse, embora o posicionamento esteja se tornando mais sofisticado após a recente alta", afirmou o Santander em relatório.
A verdade é que investidores globais estão deixando os Estados Unidos, por conta de uma expectativa sobre os juros, pelas políticas tarifárias do presidente norte-americano e pelos receios de intervenções no Fed, o banco central dos Estados Unidos . Com isso, buscam outros mercados para aplicar o capital.
O Brasil tem a vantagem de estar bem posicionado entre os países emergentes. "O renovado apetite dos investidores estrangeiros por ações brasileiras também se reflete na alocação dos fundos voltados a mercados emergentes globais ao Brasil", diz o BTG em relatório. Segundo o banco, cerca de 6,4% do capital desses fundos estava alocado no Brasil em dezembro, ante 5,6% no final de 2024.
Apetite pode ficar ainda maior
Ainda que a expectativa pela queda de juros no Brasil seja um dos catalisadores para alta na bolsa, essas quedas ainda não aconteceram. Por isso, segundo o Santander, "vários gestores preferem esperar o primeiro corte efetivo — e não apenas a sinalização — antes de aumentar a exposição de forma mais significativa".
Além disso, as eleições presidenciais ainda são um mistério. "Investidores esperam pontos de entrada mais atrativos por volta de março ou abril, quando deverá haver maior clareza política e, em sua visão, uma noção mais clara de quem serão os principais candidatos", escreve o Santander.
As ações brasileiras mais buscadas pelos estrangeiros
Como esses fundos estrangeiros trabalham com grandes movimentações, buscam alocar o capital principalmente em ações de empresas grandes e com alta liquidez, ou seja, facilidade e rapidez para comprar e vender.
"No Brasil, há um conjunto limitado de nomes de grande capitalização e liquidez adequada. Ao longo de 2025, as principais compras líquidas ficaram concentradas em poucos nomes: Vale (VALE3), Eneva (ENEV3), Sabesp (SBSP3) e Axia Energia (AXIA3). Em 2026, Vale, Petrobras (EPTR3; PETR4), MBRF (MBRF3), Prio (PRIO3) e Eneva são os principais nomes", diz o BTG.
As ações que compõem o Ibovespa também são bastante buscadas, já que muitas compras ocorrem por meio do próprio índice ou ETF do índice.
Só neste ano, o número de cotas do ETF brasileiro EWZ, também conhecido como o Ibovespa dolarizado, aumentou 78% na comparação anual, atingindo o maior valor da história. Em 2025, a alta foi de 53%.
Com Money Times
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