IPCA+ 8% é pouco: gestores revelam qual outro investimento pode render IPCA+ 14% e quase ninguém está percebendo
Gestores da Guepardo, Ibiuna e Encore dizem que o investimento em ações é muito mais interessante do que o Tesouro hoje, e que o pessimismo está exagerado

Muitos investidores estão com os olhos brilhando para os títulos públicos oferecendo juros reais entre 7% e 8% acima da inflação — e seria natural imaginar que esse é o melhor negócio disponível no mercado brasileiro. Mas, para alguns dos principais gestores de ações do país, essa remuneração já não é suficiente para justificar o investimento.
Na visão de Octávio Magalhães, fundador e diretor de investimentos da Guepardo Investimentos, esses títulos podem ser muito mais arriscados do que parecem, dado que o governo não passa muita credibilidade do lado fiscal. Para ele, as melhores oportunidades hoje estão na bolsa, com muitas ações boas sendo negociadas a valuations bastante deprimidos.
"Na bolsa, com os ativos amassados, você consegue encontrar empresas líderes de mercado negociando a IPCA+ 14%. Prefiro isso do que emprestar dinheiro para o governo a IPCA+ 8%", disse Magalhães durante a Expert 2026, nesta quinta-feira (23).
Para ele, empresas de boa qualidade e desalavancadas são as vencedoras no longo prazo, já que o ambiente macro restritivo tende a eliminar a concorrência de players menores que "foram ficando pelo caminho".
O painel também contou com a presença de André Lion, CIO e gestor da estratégia de ações da Ibiuna Investimentos, e João Braga, sócio-fundador e principal gestor da Encore Asset Management. A conversa foi mediada por Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head de Research da XP Investimentos.
Ferreira explica que a bolsa é precificada pelo preço das ações, enquanto a renda fixa é comparada pela taxa de retorno. Por isso, quando o mercado entra em turbulência e as cotações caem, muitos investidores se assustam com o preço e deixam de avaliar o valor e a qualidade das empresas. A avaliação é que se a bolsa negociasse em yields, como é o caso dos títulos do Tesouro, a situação seria bem diferente.
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O cenário para a bolsa em 2026
Para os gestores, o pessimismo com a bolsa parece exagerado, mesmo considerando um cenário de guerra no Oriente Médio e juros elevados aqui e no mundo, além de uma eleição presidencial se aproximando.
Na avaliação deles, boa parte das más notícias já foi incorporada aos preços das ações, enquanto a percepção de risco em relação ao cenário externo começou a diminuir nas últimas semanas.
"O mundo percebeu que o risco de petróleo a US$ 150 a US$ 200 ainda existe, mas é bem menor e deixou de ser o cenário-base para os agentes econômicos, reduzindo a pressão sobre as expectativas de inflação e de juros globais", disse Lion.
Quanto à eleições, mesmo que a vitória seja do atual governo — percebido como menos responsável do ponto de vista fiscal — os gestores acreditam que o mercado já tenha precificado isso.
"Hoje deve ter 65% de Lula no preço das ações da nossa carteira", avaliou Braga. Para ele, embora a economia brasileira esteja crescendo na base dos estímulos do governo, o cenário seria preocupante mesmo em um contexto de estagflação.
Mas não é o caso, com os dados mais recentes do IPCA mostrando desaceleração maior do que o mercado esperava, abrindo espaço para o mercado sonhar com possíveis cortes de juros no horizonte, o que favorece ativos de risco, como as ações.
Com isso, eles avaliam que o mercado brasileiro passou a oferecer uma assimetria favorável ao investidor. Nos cenários traçados pelas gestoras, o potencial de valorização das ações supera com folga o risco de novas quedas, mesmo em uma hipótese mais pessimista para os juros e para a economia.
IPCA+8% é pouco: quais ações comprar (e de quais ficar longe)?
Diante desse cenário, os gestores revelaram algumas posições e de quais ações o investidor deve fugir agora.
"Se a bolsa está ridícula de barata, eu fujo de histórias problemáticas. Natura, Ânima e Azzas eu não tenho, por exemplo. Agora, ao menos sinal de melhora no cenário macro, eu vou fazer um movimento parecido com o que fiz em 2015, quando pulei para empresas mais alavancadas", disse Braga.
Para ele, empresas atrativas para o momento são: Smart Fit (SMFT3), Nubank (ROXO34) e Vibra (VBBR3).
Já Magalhães destacou que gosta de Vivara (VIVA3), Fleury (FLRY3) e Klabin (KLBN11). Já a principal posição da Guepardo é Ultra (UGPA3). Lion, por sua vez, destacou o setor de construtoras expostas ao Minha Casa Minha Vida.
Copasa (CSMG3): uma unanimidade
Além das ações acima, os gestores são unânimes ao falar da Copasa. "Tentei colocar R$ 1 bilhão lá, não consegui. Hoje, ela representa cerca de 2% do nosso fundo", afirmou. A declaração arrancou uma reação imediata de Ferreira: "Todo mundo tentou".
Na visão do grupo, a companhia reúne justamente as características mais valorizadas no atual cenário macroeconômico: receita previsível, reajustes tarifários atrelados à inflação, forte geração de caixa e baixa sensibilidade ao ciclo econômico.
Em um ambiente de juros elevados e incerteza fiscal, empresas com essas características tendem a atravessar o ciclo sem grandes impactos sobre seus resultados, enquanto concorrentes mais dependentes de crédito enfrentam maiores dificuldades.
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