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Segundo levantamento do BCE, o ouro responde por 27% das reservas globais, contra 22% dos papéis da dívida norte-americana. Mas calma, investidor: antes de sair comprando barras de ouro, entenda o contexto.

Se você acha que o investidor pessoa física é o único obcecado por ativos do tipo porto seguro, é melhor pensar novamente. O movimento não está mais na sua corretora — ele está nos cofres dos gigantes globais.
Um relatório recém-saído do forno do Banco Central Europeu (BCE) confirmou o que muitos já sentiam no ar: o ouro deu uma rasteira nos títulos do Tesouro norte-americano –— os famosos Treasurys — na composição das reservas internacionais ao final de 2025.
O ouro agora responde por 27% das reservas globais, contra 22% dos papéis da dívida norte-americana. Mas calma, investidor: antes de sair comprando barras de ouro, entenda o contexto.
Essa mudança não ocorreu puramente por uma corrida desenfreada de compra, mas por uma valorização explosiva: o metal subiu 60% em 2025 e outros 30% no ano anterior.
Segundo o estudo do BCE, o ouro se tornou o protagonista silencioso, mas não se engane: ser reserva não é apenas brilhar; é também garantir liquidez.
O BCE, contudo, jogou um balde de água fria em qualquer euforia excessiva. O relatório faz questão de lembrar que o ouro não é uma moeda fiduciária comum.
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Ele tem, sim, limitações técnicas importantes: o metal não paga juros, é volátil e sua oferta não se ajusta como um passe de mágica às necessidades de liquidez do sistema financeiro.
Enquanto os bancos centrais reduziram levemente o ritmo de compras — de mais de 1.000 toneladas anuais para 850 toneladas — o apetite continua alto.
Mas a mensagem implícita para você, que olha para o seu portfólio, é clara: o ouro segue como proteção contra tempestades, mas não substitui a necessidade de ativos que geram fluxo de caixa ou que ofereçam a liquidez imediata.
Nesta terça-feira (2), o ouro encerrou em alta, apesar dos relatos divergentes sobre a retomada do diálogo entre os Estados Unidos e o Irã, que mantém o cenário incerto, enquanto Israel e Líbano voltam a negociar, apesar de continuarem com ataques.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para agosto encerrou em alta de 0,30%, a US$ 4.519,9 por onça-troy. Já a prata para julho avançou 0,40%, a US$ 75,556 por onça-troy.
Para o TD Securities, os metais preciosos continuam oscilando de acordo com as notícias sobre o Oriente Médio, com a perspectiva de queda do ouro para a faixa de US$ 4.000 a US$ 4.200 caso o petróleo retome o patamar de US$ 100.
Além disso, a consultoria destaca que revisou para baixo as projeções para os preços do metal para os próximos dois trimestres, levando em conta as expectativas de inflação que elevaram os yields (rendimentos) dos Treasurys e mantiveram o dólar firme, levando os mercados a precificar uma alta nos juros ainda em 2026.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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