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Ibovespa interrompeu sequência de três semanas de alta, pressionado por tarifaço de Trump contra o Brasil e avanço das tensões no Oriente Médio

A semana foi negativa para o Ibovespa (IBOV), mas algumas ações conseguiram escapar do mau humor da bolsa brasileira. Entre os dias 13 e 17 de julho, o principal índice da B3 acumulou queda de 2,33% e encerrou a última sessão aos 173.714,08 pontos. O dólar à vista, por sua vez, terminou a semana a R$ 5,1112, com leve alta de 0,05% no período.
Mesmo com o índice no vermelho, a Hapvida (HAPV3) liderou os ganhos da semana. Do outro lado, a Auren (AURE3) teve o pior desempenho do Ibovespa, com queda de 11,05%.
A maior alta da semana ficou com a Hapvida (HAPV3), que avançou 7,36% entre 13 e 17 de julho. Os papéis ganharam fôlego no último pregão da semana depois que o Santander avaliou que a rentabilidade das operadoras de planos de saúde ainda não atingiu seu pico.
Além da Hapvida, empresas ligadas a combustíveis, petróleo e siderurgia também apareceram entre os principais ganhos da semana, como Vibra Energia (VBBR3), Gerdau (GGBR4), Ultrapar (UGPA3) e PRIO (PRIO3).
| CÓDIGO | NOME | VARIAÇÃO SEMANAL |
|---|---|---|
| HAPV3 | Hapvida ON | 7,36% |
| VBBR3 | Vibra Energia ON | 5,82% |
| GGBR4 | Gerdau PN | 4,48% |
| UGPA3 | Ultrapar ON | 4,43% |
| PRIO3 | PRIO ON | 4,33% |
| PETR3 | Petrobras ON | 3,67% |
| VAMO3 | Vamos ON | 3,59% |
| BRAV3 | Brava Energia ON | 3,33% |
| PETR4 | Petrobras PN | 3,15% |
| GOAU4 | Metalúrgica Gerdau ON | 2,64% |
Na ponta negativa, quem chamou atenção foi a Auren (AURE3). As ações caíram 11,05% na semana e lideraram as perdas do Ibovespa.
O movimento veio depois que a Fitch revisou a perspectiva dos ratings da empresa de estável para negativa. A agência manteve as classificações em BB+ para a nota em moeda estrangeira e BBB- para a classificação em moeda local.
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O mau humor também atingiu empresas como Engie (EGIE3), Cury (CURY3), Marcopolo (POMO4) e Direcional (DIRR3), que ficaram entre os maiores tombos da semana.
| Código | Nome | Variação semanal |
| AURE3 | Auren ON | -11,05% |
| EGIE3 | Engie ON | -10,75% |
| CURY3 | Cury ON | -10,35% |
| POMO4 | Marcopolo PN | -9,81% |
| DIRR3 | Direcional ON | -9,34% |
| CEAB3 | C&A Modas ON | -8,71% |
| LREN3 | Lojas Renner ON | -8,21% |
| AXIA3 | Axia Energia PNB | -7,09% |
| AXIA3 | Axia Energia ON | -7,09% |
| COGN3 | Cogna ON | -7,08% |
O Ibovespa interrompeu uma sequência de três semanas consecutivas de alta em meio ao aumento da aversão ao risco no exterior.
Dois temas pesaram sobre o mercado: a escalada das tensões no Oriente Médio e o novo “tarifaço” anunciado pelo governo de Donald Trump contra o Brasil.
Na noite de quarta-feira (15), os Estados Unidos anunciaram novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. As taxas se aplicam a milhares de produtos, incluindo açúcar, maquinário agrícola, vestuário, maquinário elétrico, papel e aço, e devem entrar em vigor na quarta-feira (22).
Segundo cálculos do Goldman Sachs, a tarifa efetiva média aplicada ao Brasil será de 16,8%, considerando os itens isentos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que só falará da tarifa depois de uma manifestação do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o assunto. Lula também declarou que ninguém vencerá o Brasil com mentiras.
No campo dos indicadores, o índice de atividade econômica do Banco Central, o IBC-Br, registrou alta de 0,1% em maio na comparação mensal.
O resultado veio melhor do que o esperado pelo mercado. As projeções medidas pelo Broadcast apontavam para recuo de 0,2%.
Na comparação anual, a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) teve alta de 0,8%. No acumulado em 12 meses, o indicador passou a mostrar ganho de 1,4%.
Apesar da surpresa positiva, economistas avaliam que o dado não muda o diagnóstico de desaceleração gradual da economia brasileira. Outros indicadores divulgados nas últimas semanas já vinham apontando para perda de ritmo da atividade no segundo trimestre.
O cenário externo também pesou. Os ataques entre Estados Unidos e Irã continuaram ao longo da semana. Na sexta-feira (17), os países intensificaram as ofensivas: os EUA atingiram pontes e um aeroporto no Irã, enquanto o país persa lançou uma ofensiva contra uma usina de energia e dessalinização no Kuwait.
O Irã também lançou ataques contra instalações norte-americanas no Oriente Médio e realizou o primeiro ataque direto à Síria, após a sexta noite consecutiva de ataques dos EUA.
Em meio às incertezas sobre a retomada das negociações de paz, o petróleo disparou. O contrato mais líquido do Brent, referência internacional, para agosto avançou 15,9% na semana e encerrou a última sessão a US$ 88,10 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
O avanço do petróleo ajudou algumas ações ligadas ao setor de energia a se destacarem no Ibovespa, mas o clima geral seguiu de cautela na bolsa brasileira.
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