Onde está o lucro do 2T26? O mapa dos campeões do Ibovespa — e os micos que você deve evitar
À medida que as empresas começam a divulgar balanços, o Bank of America mostra que o motor da bolsa voltou a depender da gringa e do câmbio, enquanto a economia doméstica segue travada

A temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 chega com uma ilusão de ótica: os números consolidados do Ibovespa prometem encher os olhos, mas por trás do brilho há um mercado dividido. De um lado, petroleiras, distribuidoras e exportadoras surfam na alta das commodities. Do outro, o varejo apanha do endividamento das famílias e da renda escoando para as apostas online.
Um raio-X do Bank of America mostra quem vai rir à toa e quem vai chorar na hora de abrir os números ao mercado — e ajuda o investidor a entender para onde olhar daqui para frente.
Para o Ibovespa como um todo, o BofA projeta crescimento de 14% para a receita, de 32% para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e de 21% do lucro por ação na comparação anual — bem acima do primeiro trimestre, quando esses números foram de 7%, 10% e 3%, respectivamente.
Mas grande parte desse salto vem de commodities e energia. Tirando esses setores da conta, o crescimento cai para 11% de receita, 15% de Ebitda e 12% de lucro — ainda assim uma aceleração frente aos 9%, 17% e 8% do trimestre anterior.
Os vencedores do Ibovespa
Distribuição de combustíveis é o destaque absoluto do trimestre. O BofA projeta Ebitda saltando 116% e lucro 133% na comparação anual, beneficiado por um desconto amplo entre o preço dos combustíveis no Brasil e o nível de paridade das importações.
O setor de petróleo também deve brilhar, puxado pela alta de 25% no preço do barril entre abril e junho deste ano.
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Segundo o time liderado pelo economista David Beker, a Petrobras (PETR4) deve mostrar melhora relevante no Ebitda na comparação trimestral, e a Prio (PRIO3) deve ganhar tanto em produção quanto em diluição de custos com a entrada em operação do campo de Wahoo — ainda que direitos de exportação pesem no resultado final.
Dentro do setor financeiro, o BofA chama atenção para os nomes ligados ao mercado de capitais, que devem entregar resultados sólidos apoiados por receitas mais diversificadas — ao contrário de bancos e empresas de pagamento, pressionados por provisões mais altas.
Nas concessionárias de energia, os distribuidores devem se beneficiar de ganhos de eficiência operacional e volumes regulados resistentes — a Copel (CPLE3) é citada como destaque, com crescimento de volume faturado de 7% na comparação anual.
O banco menciona ainda minério de ferro e cobre, favorecidos por embarques mais fortes e preços em recuperação, além do setor de tecnologia, puxado pela Totvs (TOTS3), cuja receita líquida anual deve aumentar em 35% nos cálculos do BofA.
- Leia também: Temporada de balanços do 2T26: confira as datas das divulgações e das teleconferências das principais empresas da B3
O pelotão dos perdedores
O consumo é apontado como o principal ponto fraco da temporada pelo Bank of America. O varejo deve sofrer com o aumento do serviço da dívida das famílias e o crescimento de apostas (jogos) tirando renda disponível do orçamento das pessoas.
Nomes como Natura (NATU3), Azzas (AZZA3), Vivara (VIVA3) e o trio Casas Bahia (BHIA3), Pão de Açúcar (PCAR3) e Magazine Luiza (MGLU3) devem seguir no vermelho, pressionados por despesas financeiras elevadas.
Os shoppings também aparecem na lista de decepções do BofA: com o índice de inflação de aluguéis (IGP) ainda negativo no acumulado de 12 meses, a receita de locação deve continuar fraca, mesmo com vendas ainda crescendo de forma moderada.
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No setor de alimentos, a M. Dias Branco (MDIA3) deve reportar números fracos, já que o ambiente de consumo segue difícil, limitando o poder da empresa de repassar preços — mesmo com o real mais forte ajudando um pouco.
Geradoras de energia elétrica também estão no pelotão de perdedores do segundo trimestre de 2026, com queda de 33% no preço spot (à vista) da energia na comparação trimestral. Auren (AURE3) e Engie (EGIE3) seguem pressionadas por cortes de geração renovável (curtailment).
O recado para quem investe
Na prática, o raio-x do Bank of America reforça uma tese que já vem se desenhando há alguns trimestres: setores ligados a exportação, câmbio e juros mais altos seguem entregando números fortes.
Do outro lado, o consumo doméstico continua sendo o “elo fraco” da economia brasileira — o que deve seguir pautando o apetite dos investidores por ações mais defensivas ou expostas ao dólar.
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