Além de CDI e IPCA+: ações substitutas da renda fixa são a principal aposta do Itaú BBA na bolsa para o segundo semestre
Analistas veem bolsa brasileira com bons olhos nos próximos meses e recomendam 10 ações para investir agora

Quando o caldo esquenta nos mercados, um movimento natural entre os investidores é correr para os títulos indexados à taxa Selic, CDI e inflação. Normalmente são ativos mais seguros e que são capazes de entregar retornos mesmo em períodos de incertezas. De olho no segundo semestre de 2026, o Itaú BBA preferiu seguir com uma estratégia semelhante na bolsa de valores.
O maior peso da carteira do banco é em bond proxies, ações que possuem características semelhantes às da renda fixa: receitas previsíveis graças a contratos de longo prazo, proteção contra a inflação e fluxo de caixa resiliente.
Embora tenha uma visão “moderadamente otimista” para o Ibovespa até o fim do ano, o banco reconhece que a economia brasileira ainda tem desafios nos próximos meses.
Os principais deles já são figurinhas repetidas em análises macroeconômicas.
Trata-se da volatilidade gerada pelas eleições de outubro, o avanço da dívida pública e risco fiscal, a inflação persistente e um ciclo de queda de juros mais lento do que o esperado anteriormente.
Mas mesmo que o cenário doméstico ainda apresente um ambiente de cautela, o banco acredita que há espaço para buscar lucros na bolsa de valores com ações de qualidade.
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Segundo os analistas, o Ibovespa pode chegar a 185 mil pontos até o fim do ano. Nesta quarta-feira (22), o principal índice da bolsa brasileira fechou aos 177.547 mil pontos.
O espaço para alta no Ibovespa ainda este ano é bastante tímido, mas o banco estima que a combinação entre dividendos, recompras de ações e crescimento dos lucros pode gerar um retorno anualizado de cerca de 22% para o mercado brasileiro.
Esse mix de uma visão construtiva para a bolsa e um cenário ainda recheado de incertezas é o que levou à principal escolha dos analistas para este momento: empresas de infraestrutura, energia, saneamento e shoppings.
Para o banco, esses papéis funcionam como uma espécie de "renda fixa dentro da bolsa".
Quais são as maiores apostas do Itaú BBA
O Itaú BBA selecionou 10 ações consideradas as favoritas para o segundo semestre.
Dentre as escolhidas, os analistas destacam que as empresas de infraestrutura, como elétricas e de saneamento básico, e bond proxiespossuem o maior peso do portfólio.
Para o investidor, elas são uma oportunidade em um ambiente em que o mercado ainda busca mais clareza sobre os rumos da economia brasileira.
O Itaú BBA tem três papéis preferidos para se expor a esses setores: Equatorial (EQTL3) e Axia (AXIA3), nomes de peso na geração, transmissão, distribuição de energia elétrica, e a Multiplan (MULT3), do segmento de shoppings.
Os analistas destacam que as ações oferecem um retorno de cerca de 10,8% acima da inflação, cerca de 3 pontos percentuais acima das taxas do Tesouro IPCA+ de 10 anos.
Além disso, essas companhias atuam em setores regulados ou com contratos de longo prazo geralmente corrigidos pela inflação.
Portanto, isso ajuda a sustentar as taxas de retorno acima do Tesouro IPCA+ e reforça a tese de ações semelhantes à renda fixa.
Entre os três papéis, o que possui maior potencial lucrativo na visão dos analistas é a Equatorial. Segundo cálculos do Itaú BBA, a ação EQTL3 pode valorizar até 35% na bolsa.
Outros segmentos também estão no radar
Apesar de uma maior exposição às “ações substitutas da renda fixa”, as demais favoritas do top 10 do banco estão inseridas em outros setores.
O Itaú BBA reforça a necessidade de investir em ações cíclicas de qualidade.
Esse tipo de papel pode se beneficiar de uma melhora do cenário econômico brasileiro, mas já apresenta fundamentos considerados sólidos.
“Favorecemos empresas com assimetrias favoráveis entre valuation, potencial de retorno e fundamentos sólidos. Seguimos seletivos diante da volatilidade das expectativas para a política monetária e de possíveis mudanças no ciclo macroeconômico”, destacam os analistas.
São ações que, com uma eventual queda da Selic, podem valorizar na bolsa e apresentar resultados financeiros melhores.
As preferidas são os bancos BTG Pactual (BPAC11) e Bradesco (BBDC4), além da construtora Direcional (DIRR3), que apresenta vendas resilientes no Minha Casa Minha Vida e perspectiva de aumento dos dividendos.
Os analistas também mantêm exposição a uma ação de crescimento acima da média nessa carteira: a Rede D’Or (RDOR3).
O objetivo com o papel é buscar lucros com o crescimento do setor de saúde, que deve ser impulsionado com o envelhecimento da população, o “hype” das canetas emagrecedoras e o aumento da demanda por serviços médicos.
Exportadoras como diversificação de receitas
As três ações restantes na carteira de top picks são as exportadoras Petrobras (PETR4), Gerdau (GGBR4) e Embraer (EMBR3).
Com o cenário ainda incerto com a economia local, o banco recomenda ter uma parcela da carteira investida em companhias com receitas dolarizadas.
“Ainda assim, vemos esse grupo mais como um componente de diversificação da carteira do que como a principal tese de investimento. Buscamos empresas negociadas a preços atrativos em relação ao histórico e aos pares internacionais, com baixo custo operacional e geração de caixa interessante”, diz o banco.
Devido à forte geração de caixa, há a expectativa de bons dividendos nesses papéis.
A Petrobras, por exemplo, se destaca com dividendos de dois dígitos, enquanto Embraer e Gerdau são vistas como baratas pelo banco.
Considerando todas as 10 ações desse portfólio recomendado para o segundo semestre, o Itaú BBA acredita que o potencial de retorno chega a 36% quando somados os dividendos distribuídos pelos papéis.
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