FIIs e Fiagros surpreendem no primeiro semestre, enquanto renda fixa tropeça na volatilidade das debêntures
Mercado de capitais continua renovando seus recordes, segundo a Anbima, e alcança R$ 361,8 bilhões em ofertas até junho

A renda fixa continua dominando a oferta de investimentos do mercado de capitais, mas, no primeiro semestre deste ano a emissão de debêntures deu um tropeço e perdeu a força em relação ao mesmo período de anos anteriores. Foi o que precisava para fundos imobiliários (FIIs) e fundos do agronegócio (Fiagros) ganharem espaço entre os investidores.
Em coletiva com a imprensa nesta segunda-feira (27), Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) informou que os FIIs tiveram o maior crescimento para o primeiro semestre da série histórica, somando R$ 39,5 bilhões em ofertas até junho.
O número é mais do que o dobro dos R$ 19,3 bilhões do primeiro semestre de 2025 e foi absorvido, em sua maioria, por pessoas físicas (43,4%).
Para a Anbima, esse número é reflexo da sazonalidade e do cenário do setor. Os FIIs estão passando por processos de aquisição de imóveis, consolidação da indústria em fundos maiores e tudo isso exige capital.
"Os fundos são instrumentos que permitem captação em fases ao longo do tempo, e os movimentos do setor exigem colocação de papel e financiamento, o que explica os números fortes", diz Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima.
Crescimento no agronegócio
No caso dos Fiagros, o aumento foi ainda maior do que o de FIIs, de quatro vezes: saindo de R$ 2,1 bilhões no ano passado para R$ 8,3 bilhões neste primeiro semestre.
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Cesar Mindof, diretor da Anbima, afirmou que o caso dos fundos do agronegócio é uma questão de diversificação de acesso a crédito.
Os juros nas alturas e a crise de inadimplência no setor limita o crédito via bancos, que são os principais credores do setor. Com isso, o mercado de capitais se torna a alternativa para financiamento.
Além dos Fiagros, outro instrumento para o setor registrou um forte crescimento de oferta até junho: as Cédulas de Produto Rural Financeira (CPR-F).
A Anbima começou a acompanhar as operações neste ano e registrou dez delas neste primeiro semestre, que somaram R$ 11 bilhões.
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Em paralelo, as ofertas dos Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) diminuíram em relação aos anos anteriores, em uma tendência que vem desde 2024. Até junho, foram 47 operações, que somaram R$ 7,1 bilhões — metade do valor registrado no mesmo período do ano passado.
Maranhão destacou as mudanças regulatórias no produto em 2024, que criou mais regras para os subscritores dos CRAs.
"Dois anos atrás teve uma revisão na regulamentação que limitou quem poderia ser emissor de CRA. Companhias que não conseguem mais se enquadrar por questão contábil ou outras, tem a CPR-F como alternativa. Hoje, as principais emissoras são companhias de papel e celulose", disse o presidente.
Queda na renda fixa
Na outra ponta está a queda nas ofertas das debêntures, tradicionais e incentivadas (que tem isenção de imposto de renda).
As captações por meio desses títulos de renda fixa somaram R$ 169,8 bilhões entre janeiro e junho deste ano, queda de 12,1% ante mesmo período de 2025. O número de ofertas, entretanto, aumentou de 268 para 278 operações.
Segundo Maranhão, ao longo do semestre o volume das ofertas diminuiu, com empresas menores vindo a mercado por necessidade. Já as empresas maiores conseguiram aproveitar uma janela melhor de captação para emitir valores grandes.
Entre janeiro e junho, as debêntures passaram por um cenário de crise de confiança que mexeu com suas taxas e resultou em resgates de títulos. Com isso, a "janela" para emissões se fechou, segundo a Anbima, e limitou as companhias dispostas a captar.
Maranhão e Mindof afirmam que, para o final do semestre, as operações estavam se normalizando. No entanto, no acumulado do ano, a expectativa é que o volume total seja menor do que o de antes anteriores, que registraram emissões recordes.
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