Hapvida (HAPV3) tem a maior alta do Ibovespa na semana e lembra do ‘gostinho’ de ser querida pelo mercado. O que impulsionou as ações?
A companhia foi a maior alta do Ibovespa na semana, com salto de quase 25%. A disparada vem na esteira da renovação no alto escalão da companhia e o Citi destaca pontos positivos e negativos da dança das cadeiras

Há alguns anos, a Hapvida (HAPV3) era a grande queridinha do mercado, vista por analistas e gestores como uma tese exemplar. Isso mudou de uns anos para cá, com a companhia reportando balanços trágicos e ações desbando. Nesta semana, no entanto, a operadora de planos de saúde e dentários teve a oportunidade de relembrar o 'gostinho' do sucesso entre os investidores.
A empresa teve a maior alta da semana no Ibovespa, com valorização de quase 25%, a R$ 13,35. A disparada veio na esteira de uma ampla mudança em seu alto escalão. Na noite de ontem (9), a operadora de assistência médica anunciou a indicação de Lucas Garrido para ocupar a vice-presidência de finanças (CFO).
Já no início da semana, a empresa havia informado que Jorge Pinheiro deixará o comando da companhia, após 27 anos, para assumir uma posição no conselho de administração. Luccas Adib, atual vice-presidente financeiro, passará ao comando da Hapvida.
Na visão do Citi, as mudanças são positivas e fortalecem a credibilidade da Hapvida, mas levará tempo e execução consistente para restaurar plenamente a confiança dos investidores.
Para os analistas Leandro Bastos e Renan Prata, os principais pontos de validação no curto prazo devem envolver progresso visível na estabilização de margens, geração sustentável de caixa e iniciativas de racionalização de ativos.
Pontos positivos da dança das cadeiras da Hapvida
Na avaliação do Citi, há pelo menos cinco pontos positivos nas mudanças no alto escalão.
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O primeiro deles é o fato de a sucessão ser planejada e organizada. Para os analistas, a transição de Jorge Pinheiro para presidente do conselho e de Luccas Adib para CEO já vinha sendo sinalizada há bastante tempo, em linha com o foco da empresa em reduzir riscos de execução e descontinuidade de governança.
O segundo ponto positivo é a escolha de um profissional interno para o comando da companhia que tem “profundo” conhecimento operacional.
“Adib traz sólida memória institucional e experiência prática nas áreas financeira e de tecnologia, o que deve ajudar na execução durante a fase ainda em andamento de recuperação da empresa”, escreveram os analistas em relatório.
O outro fator destacado pelo banco é a nomeação de Lucas Garrido como CFO. Na visão dos analistas do time de análise, o executivo deve trazer a mentalidade de mercado de capitais para a companhia.
A nomeação "reforça o foco da empresa em rigor analítico e disciplina na alocação de capital, pontos-chave de preocupação dos investidores neste momento”, diz o banco.
A dupla de analistas também considera que a nomeação de Felipe Nobre para uma função dedicada de Estratégia, M&A e Relações com Investidores deve melhorar a responsabilização na revisão do portfólio, possíveis desinvestimentos e comunicação com o mercado.
Isso, na visão deles, tende a se traduzir em uma “estrutura organizacional mais completa e alinhada ao mercado”.
Já o quinto ponto positivo é a mensagem alinhada às prioridades atuais. “A comunicação da gestão enfatiza claramente recuperação de margens, desalavancagem, simplificação do negócio e racionalização de ativos, o que consideramos a abordagem correta no ambiente atual”, avaliaram os analistas do Citi.
Os 3 pontos negativos, segundo o Citi
Para Leandro Bastos e Renan Prata, as mudanças recentes na Hapvida também apresentam três pontos negativos que devem permanecer entre as preocupações dos investidores.
Um deles é o risco de execução ainda elevado. “Mudanças na gestão, por si só, não resolvem problemas estruturais como altos índices de sinistralidade, desempenho fraco em São Paulo e desafios de integração pós-fusão”, afirmaram os analistas.
Além disso, a dupla considera a influência ainda presente do fundador na companhia como um fator de atenção. Para eles, embora a permanência possa ser positiva, a presença contínua da família no conselho pode limitar a percepção de independência da governança para alguns investidores.
O terceiro ponto é o “maior escrutínio de acionistas minoritários”, já que a renovação dos cargos da alta gestão aconteceram em meio à pressão de “acionista relevente”. "Isso implica baixa tolerância a atrasos e necessidade de resultados rápidos e concretos”, na visão do Citi.
Vale lembrar que, na semana passada, a Squadra Investimentos pediu a adoção de voto múltiplo na assembleia marcada para 30 de abril, em uma tentativa de influenciar a composição do conselho. A gestora, que afirma deter 6,98% do capital votante da Hapvida, indicou três nomes para o colegiado, além de defender mudanças na composição do conselho.
Com informações Money Times
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