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Segundo o colunista Lauro Jardim, d’O Globo, o principal objetivo da Rede D’Or seria a incorporação do Grupo Fleury; saiba o que isso significa para o setor e para os acionistas
A família Moll quer potencializar ainda mais sua cadeia de negócios para bater de frente com a concorrência no setor de saúde. A Rede D’Or (RDOR3) e o Fleury (FLRY3) estão em negociações para uma possível combinação de negócios, de acordo com o colunista Lauro Jardim, d’O Globo.
Segundo a coluna, a negociação está sendo conduzida com o Bradesco (BBDC4), maior acionista individual do Fleury, que detém quase 25% do capital da rede de diagnósticos por meio da Bradesco Diagnósticos.
Este não seria o primeiro movimento estratégico envolvendo o banco e a família fundadora da Rede D'Or. No ano passado, as empresas já haviam se unido em um acordo bilionário para a criação da Atlântica D’Or, uma nova rede de hospitais no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Se concretizada, a fusão entre a Rede D’Or e o Fleury daria à rede hospitalar da família Moll a possibilidade de fazer frente à parceria entre a Amil e a Dasa. Lembrando, em 2024, as companhias decidiram se unir para formar o segundo maior grupo de hospitais do Brasil.
As ações do Fleury (FLRY3) abriram a sessão desta segunda-feira (21) em forte alta, liderando a ponta positiva do Ibovespa. Por volta das 11h, os papéis saltavam 14,57%, cotados a R$ 14,47. Desde o início de 2025, a valorização acumulada supera os 24%.
A Rede D'Or também reage positivamente na bolsa hoje, apesar da performance mais tímida. No mesmo horário, as ações RDOR3 avançavam 1,09%, a R$ 33,25. No acumulado do ano, a alta supera os 33% na B3.
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De acordo com o jornal, o principal objetivo da Rede D’Or seria a incorporação do Grupo Fleury, ampliando ainda mais a verticalização da cadeia de saúde suplementar.
Com isso, a rede hospitalar ganharia reforço em diagnósticos e serviços complementares, consolidando sua presença no setor.
Trata-se da segunda tentativa da Rede D'Or de aumentar a atuação no setor de diagnósticos. Em 2021, a companhia também anunciou uma oferta pública de aquisição (OPA) pelas ações da Alliança (antiga Alliar), mas acabou sendo superada por outra oferta.
Na avaliação do BTG, a Rede D'Or agora estaria preparando uma OPA para a Fleury.
Segundo o site Brazil Journal, a proposta em questão incluiria um pagamento em dinheiro, além de uma possível parcela em ações para os acionistas interessados em se tornar sócios da nova companhia.
Para que a transação aconteça, no entanto, a Rede D’Or também precisará garantir o apoio de outros grupos importantes dentro do Fleury além do Bradesco.
Um deles é o grupo de médicos acionistas do Fleury, que detém 11% das ações e ocupa três cadeiras no conselho de administração.
Segundo o acordo de acionistas, Bradesco e o grupo de médicos fundadores votam juntos e detêm cerca de 36% do capital da Fleury. Portanto, a aprovação de qualquer negócio exigiria o apoio de outros acionistas para viabilizar a transação.
Além disso, a aprovação da Família Pardini, que também possui três assentos no conselho, será importante para o avanço da negociação.
Para os analistas do BTG Pactual, do ponto de vista estratégico, "faria muito sentido incorporar a Fleury ao ecossistema da Rede D’Or".
Isso porque a empresa da família Moll ainda possui uma presença pequena no segmento de diagnósticos, de aproximadamente 20% dos sinistros no mercado privado de saúde.
Segundo os analistas, uma potencial transação não só ampliaria o mercado endereçável da Rede D'or, como também fortaleceria sua vantagem competitiva ao "reforçar o ecossistema, aumentar a captação de pacientes e direcionar um maior volume dos hospitais para uma eventual rede de diagnósticos".
A companhia também passaria a ter um poder de barganha maior nas negociações comerciais ao operar a rede diagnóstica do Fleury, avaliou o BTG.
Embora destaque o potencial estratégico, o BTG não vê uma combinação de negócios com o Fleury capaz de ajudar radicalmente a performance das ações RDOR3 na bolsa brasileira.
"Apesar da lógica estratégica, é pouco provável que as sinergias tenham impacto significativo no valor de mercado de RDOR3", avaliaram os analistas. Hoje, o valor de mercado da Fleury é de R$ 7 bilhões, enquanto o da Rede D'Or chega a R$ 75 bilhões.
"A RDOR continua sendo nossa principal escolha no setor de saúde, enquanto mantemos recomendação de compra para a Fleury, diante de seu valuation atrativo e perfil defensivo, com dividend yield de 9%, especialmente em um momento de forte volatilidade do mercado", disse o BTG.
O Goldman Sachs também avalia que uma combinação de negócios seria "estrategicamente positiva" para ambas as empresas.
Para a Rede D'Or, a potencial mudança representaria uma tentativa da empresa de aumentar sua participação na jornada de seus pacientes e buscar a consolidação em diversas áreas do mercado brasileiro de saúde, segundo os analistas.
"Embora não tenhamos uma visão sobre o valor presente líquido (VPL) de quaisquer sinergias potenciais decorrentes de um acordo, caso se concretize, acreditamos que o Fleury poderia se beneficiar, sob a gestão da Rede D'Or, de melhores condições de aquisição e de uma estrutura de despesas mais enxuta, sem mencionar o potencial benefício de maior poder de barganha nas negociações com os pagadores", escreveram os analistas.
Para o Santander, uma possível combinação entre Rede D’Or e Fleury “faz sentido estratégico e tem potencial de ser uma transação positiva”.
No entanto, os analistas não esperam que a rede de hospitais ofereça um prêmio elevado como no caso da aquisição da SulAmérica.
Segundo os analistas, uma potencial união entre SulAmérica (seguros), Rede D’Or (hospitais) e Fleury (diagnósticos) pode resultar em uma proposta de valor atrativa para os pacientes. “Isso poderia permitir à SulAmérica ganhar mais participação de mercado”, afirmaram.
O Santander avalia que uma fusão com a Rede D’Or também poderia ser uma "medida estratégica e defensiva" para a Fleury, dado que o cenário competitivo tende a se deteriorar, com a Dasa mais focada em diagnósticos após transferir a maior parte de seus hospitais para a Ímpar, a joint venture com a Amil.
Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Rede D’Or disse que “está avaliando oportunidades de expansão de suas linhas de negócio, inclusive por meio da aquisição de participações ou combinação de negócios com outras empresas do setor”.
Por sua vez, o Fleury afirmou que está analisando as condições do mercado para se posicionar de forma estratégica, aproveitando “eventuais oportunidades compatíveis com os planos e objetivos estratégicos”.
Apesar da repercussão, as empresas afirmaram que ainda não há uma decisão formal ou compromisso assumido quanto a uma possível combinação dos negócios.
O Fleury se comprometeu a retornar ao mercado caso a operação avance.
Procuradas pelo Seu Dinheiro, as empresas não retornaram o contato até o momento de publicação desta matéria.
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