Crédito privado conquistou os investidores com promessas de alto retorno e menos volatilidade; saiba o que esperar daqui para frente
Ativos de crédito privado, como FIDCs e debêntures, passaram a ocupar lugar de destaque na carteira dos investidores; especialistas revelam oportunidades e previsões para o setor

Em um cenário global de juros em alta e incertezas geopolíticas, a classe de ativos de crédito privado, como as populares debêntures e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), caíram no gosto dos investidores que buscam diversificar a carteira com retornos mais atraentes.
Em um cenário global marcado por juros elevados, tensões geopolíticas e incertezas econômicas, a busca por ativos que proporcionem uma rentabilidade superior à renda fixa tradicional tem levado investidores a explorar novas alternativas. É nesse contexto que o crédito privado, por meio de instrumentos populares como debêntures e FIDCs, emergiu como uma das principais opções para quem busca diversificação e melhores retornos.
Para Rogério Stallone, sócio do BTG Pactual, o crédito privado tem se consolidado como um pilar das carteiras de investidores que buscam resiliência em tempos de volatilidade.
"Com juros elevados, o crédito privado surge como uma excelente oportunidade de capturar retornos mais atraentes, especialmente quando comparado à renda fixa tradicional. Isso porque estamos lidando com ativos com retornos ajustados ao risco, sem a volatilidade excessiva de outros mercados", afirmou.
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Na visão de Stallone, com os juros elevados no Brasil, o crédito privado surge como um terreno fértil para investidores que buscam diversificação. Mas é preciso cautela.
Não à toa, o portfólio do banco tem se voltado para setores mais resilientes, como infraestrutura, energia e logística. Esses segmentos, com fluxos de caixa previsíveis e forte demanda, têm sido considerados “refúgios” no meio de um mercado volátil.
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O objetivo é evitar setores com maior volatilidade e conseguir aproveitar momentos do mercado para capturar oportunidades.
“Precisamos ser cautelosos, fazer muitas análises, avaliar bastante, mas não podemos ter medo. Precisamos estar cientes, estar no mercado e usar esses momentos às vezes para capturar as melhores oportunidades. Às vezes, precisamos usar esses momentos de muita volatilidade para tentar capturar algumas distorções.”
A busca por ativos isentos de impostos, como LCIs e LCAs, também tem sido forte no Brasil. "Esses instrumentos são muito procurados, pois além de rentáveis, oferecem isenção", completou Stallone.
O crescimento do apetite por crédito privado
O aumento do apetite por crédito privado não é exclusividade do Brasil. Nos Estados Unidos, o mercado de crédito privado também tem mostrado crescimento impressionante.
Nos EUA, o crédito não-bancário ganhou força com o endurecimento da regulação para os bancos após a crise financeira de 2008.
Bancos tradicionais, antes grandes emprestadores, se viram limitados por exigências de capital mais rigorosas, abrindo uma avenida para que firmas de crédito privado assumissem a dianteira.
Segundo Tim Sloan, vice-presidente da Fortress, o crédito não-bancário nos EUA já atinge impressionantes US$ 1,7 trilhão.
E, ao contrário do que o número assustador pode sugerir, Sloan tranquiliza: 80% a 90% desses empréstimos são bem originados, de alta qualidade e bem estruturados, características que antes eram exclusivas dos grandes bancos.
Para Sloan, a atual pressão no mercado imobiliário comercial dos EUA, impulsionada pelos juros mais altos, representa uma oportunidade que deve se estender por "dois, três, quatro, cinco anos".
“Sei que não é necessariamente alto em relação aos padrões brasileiros, mas quando você passa os juros de 0% para 4%, isso é um grande problema e cria uma tremenda quantidade de estresse. Estamos passando por isso agora, mas vejo como uma oportunidade de longo prazo. Estamos no início de uma oportunidade na dívida imobiliária comercial nos EUA, que deve continuar pelos próximos cinco anos”, avaliou.
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Equilíbrio entre oportunidades e riscos
Embora o crédito privado seja uma alternativa atraente, é preciso lembrar que ele também envolve riscos.
A inadimplência, especialmente em momentos de alta de juros, é um fator a ser considerado pelos investidores. Por isso, a análise criteriosa dos riscos envolvidos é fundamental.
No entanto, para quem estiver disposto a fazer essa análise e assumir esses riscos calculados, o futuro do crédito privado parece promissor.
A tecnologia, especialmente a inteligência artificial, será uma aliada importante na avaliação de risco.
"A IA vai transformar o mercado de crédito nos próximos anos, permitindo uma análise mais precisa e facilitando a tomada de decisão. Essa mudança ajudará a melhorar a eficiência do mercado e abrirá novas oportunidades para os investidores", afirmou Sloan.
Por sua vez, Stallone acrescentou que, mesmo com as volatilidades políticas e econômicas, os investidores devem manter uma visão de longo prazo.
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