Estratégia dos gestores: títulos AAA e agro ficam em segundo plano; pitada de risco é bem-vinda para melhorar retornos
Enquanto investidores colocam cada vez mais fichas no crédito privado, gestores enfrentam cenário mais difícil para retornos acima da curva

A renda fixa é a classe preferida dos brasileiros para investimentos. Com a taxa básica de juros em 14,75% ao ano, é possível conseguir um retorno alto com pouco risco para o portfólio — uma opinião tão disseminada que resultou na migração de recursos de fundos de renda variável para fundos de renda fixa nos últimos anos.
Em 2024, essa indústria experimentou um crescimento excepcional, com os fundos de renda fixa registrando uma captação de R$ 243 bilhões, de acordo com dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
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Grande parte desse volume foi de investidores que aumentaram suas participações em crédito privado como diversificação para a carteira e percepção de maiores retornos. Ativos como debêntures — incentivadas ou não — e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) registraram emissões recordes e foram destaque no ano passado.
O aumento crescente de investidores e gestores nessa indústria levou a Empiricus a elaborar uma nova edição do relatório "Perspectiva dos Gestores", agora focada especificamente na indústria de crédito.
A pesquisa realizada com 19 gestores de crédito buscou captar a percepção sobre a relação entre risco e retorno nos ativos, além de preferência por setores, prazos e expectativa de fluxo para os próximos meses.
Rating para renda fixa: sai AAA e entra AA
Nada de triplo A ou AA+, os gestores estão de olho nas debêntures com avaliação de créditos intermediários, como AA e A-, mas distante dos ratings a partir de BBB+.
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Segundo o relatório, esse viés negativo nos títulos de maior classificação de risco não está atrelado à qualidade dos emissores, mas aos spreads — diferença de retorno entre o título privado e o título público — baixos e durações excessivamente longas desses ativos.
Um formato de dívida que é visto como pouco atrativo para os gestores, já que o baixo retorno não compensa a exposição que pode aumentar o risco das carteiras.
O pessimismo em relação às debêntures com rating BBB+ ou inferior está ligado ao risco de crédito dos emissores, considerando que os juros nominais (taxa Selic) estão elevados e devem continuar assim por um período prolongado.
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Setores escolhidos pelos gestores
Resiliência é a característica chave escolhida pelos gestores na análise sobre percepção de melhores setores para investir em debêntures.
Energia — distribuição e transmissão —, saneamento e bancos foram os setores destacados como mais otimistas. Óleo e gás e energia (geração), tiveram um destaque menor.
Questões como receita previsível, serviços de necessidade básica, geração forte de caixa e pouca sensibilidade aos juros são predominantes nos setores escolhidos.
Por outro lado, o pessimismo se concentra nas empresas que apresentam as características opostas:
- Consumo discricionário;
- Educação;
- Imobiliário;
- Industrial; e
- Agropecuária.
O surgimento do agro entre os setores detratores está mais relacionado aos recentes pedidos de recuperação judicial no setor, que prejudicou muitas outras classes de fundos, como os Fiagros.
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Alocação de crédito privado: caixa e FIDCs
A maior posição dos gestores não é em debêntures, CRIs, CRAs ou crédito bancário. O levantamento da Empiricus mostra que o maior volume dos fundos está em caixa — e em FIDCs.
Na outra ponta, posições para carrego (carry) e a duração longa dos portfólios estão abaixo da média histórica em junho.
O relatório indica que esse carrego reduzido e sobrealocação em caixa é um reflexo dos spreads mais compridos dos títulos de crédito, enquanto as posições de duração mais curta são uma escolha dos gestores nos últimos meses para diminuir o risco dos portfólios.
Já os FIDCs são um instrumento que tem ganhado cada vez mais espaço como alternativa ao crédito tradicional. Trata-se de um fundo de crédito estruturado, que oferece retornos maiores.
A expectativa dos gestores para os próximos seis meses é de que o carrego e a duration de seus portfólios permaneçam nesse mesmo nível, com uma distribuição um pouco mais dispersa na duração.
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