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COMPRAR OU VENDER?

Como ficam os CDBs do banco Master e do Will Bank após venda ao BRB ser barrada? Retornos chegam a 25% ao ano ou IPCA + 19%

A percepção de risco aumentou e investidores correm para vender seus títulos novamente, absorvendo prejuízos com preços até 40% menores

Banco Master e Banco de Brasília (BRB).
Banco Master e Banco de Brasília (BRB). - Imagem: Montagem Canva Pro/ Seu Dinheiro

As plataformas de negociação entre investidores de renda fixa de grandes corretoras, como XP e BTG, estão tomadas por um único emissor nesta quinta-feira (4): Banco Master S/A. Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com diferentes vencimentos e rentabilidades saltam à tela com rentabilidades extravagantes. 

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É possível encontrar CDB do Banco Master S/A oferecendo IPCA + 19% para vencimento em dezembro de 2026. Prazos mais curtos, para dezembro de 2025, oferecem 25% ao ano — o que daria algo próximo de 6% de retorno em três meses de aplicação. 

Mas esses prêmios exorbitantes não são sem razão. As taxas dos CDBs do Banco Master e suas subsidiárias, como Will Bank e Banco Master de Investimentos, dispararam em uma nova onda de resgates antecipados — similar a que houve em abril deste ano

Investidores estão se desfazendo dos seus papéis após a notícia de que o Banco Central indeferiu a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Sem a aquisição, a percepção de risco sobre a dívida do banco aumentou. 

A expectativa do mercado era que, com a compra pelo BRB, a liquidez do Master melhoraria, assim como o perfil de risco do banco. Sem o negócio, os problemas de caixa de curto prazo da instituição de Daniel Vorcaro voltam a ser gritantes. 

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O levantamento do Seu Dinheiro registrou mais de 230 ofertas de CDBs do Banco Master nas prateleiras da XP e BTG. Todas ainda tem uma quantidade em estoque desses papéis. O maior estoque verificado na XP foi de um título com vencimento para dezembro de 2026, com rentabilidade de IPCA + 19%, pelo preço de R$ 1,30. O estoque era de 2.939 CDBs. 

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Vale a pena vender os CDBs do Master? 

Analistas apontam duas possíveis situações que estão fomentando a pressão vendedora: investidores que só querem se livrar dos CDBs por medo de calote e investidores que estão se desfazendo do excesso para se enquadrar nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)

No segundo caso, a avaliação é que a venda dos papéis é uma boa saída. Já no primeiro, não. 

“Não é hora de pânico. Quem está dentro do limite do FGC pode carregar até o vencimento sem grandes preocupações. Vender no mercado secundário agora provavelmente significa aceitar um desconto alto, porque o mercado vai exigir um prêmio maior para financiar o Master”, diz Enrico Gazola, economista e sócio-fundador da Nero Consultoria.

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É justamente essa exigência de prêmio maior que fez as taxas dispararem nesta quinta-feira. Acontece que as taxas têm uma correlação negativa com os preços dos CDBs. Quanto maior a taxa, menor é o preço. E é neste deságio de preço que os investidores estão absorvendo prejuízos que podem chegar a 40% do valor inicial do papel. 

Para quem está ajustando a carteira para se enquadrar nas regras do FGC, os CDBs do Banco Master são garantidos dentro dos limites de R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira. Acima desse valor, a entidade privada não cobre o prejuízo do cliente.

Gazola afirma que, para o investidor pessoa física que respeita esse limite, o risco de crédito é transferido para o fundo garantidor, o que mitiga bastante a preocupação. Ele aconselha ponderar três fatores antes de decidir vender: 

  • Está dentro da cobertura do FGC?
  • É possível carregar até o vencimento? 
  • A alocação não está excessivamente concentrada?

Vale a pena comprar os CDBs do Master com esses prêmios altos? 

Para quem está cogitando comprar os CDBs do Master para embolsar essas taxas de 25% ao ano, IPCA + 19% e por aí vai, é preciso estar ciente do risco — reputacional e de liquidez. 

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O principal motivo da tentativa de venda de uma fatia do Banco Master para o BRB é justamente a dificuldade de liquidez do banco. Grande parte do dinheiro do Master está travado em ativos de baixa liquidez, de modo que a instituição ficou sem caixa para arcar com os compromissos de curto prazo. 

“O indeferimento reforça que algo está fora da linha. O Banco Central recusou o acordo, e a CVM [Comissão de Valores Mobiliários] apontou possíveis irregularidades financeiras. Investir agora em CDBs do Master, mesmo com taxas altas, é aceitar exposição a risco elevado. O risco de crédito, de o banco não honrar os compromissos, está turbinado”, diz Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos. 

O BRB deve insistir na compra. Em fato relevante, o banco estatal do Distrito Federal afirma que apresentou solicitação de acesso à íntegra da decisão do BC, “com o objetivo de avaliar seus fundamentos e examinar as alternativas cabíveis”. Ou seja, por hora, o negócio está encerrado, sem garantia em relação ao futuro. 

Para quem cogita comprar os CDBs de olho na garantia do FGC, Patzlaff também não avalia como uma boa opção. 

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“O FGC demora para devolver o valor. Pode levar meses até o dinheiro voltar, e durante esse período, o dinheiro não rende nada. A cobertura é uma rede de proteção, mas não elimina o risco de demora ou perda parcial. Serve de segurança, mas exige cautela”, diz o planejador financeiro.

O que acontece agora? 

Segundo as fontes ouvidas pelo Seu Dinheiro, até o momento, o Banco Master está honrando seus pagamentos — mas com alguma ajuda. 

Em maio, o banco conseguiu um empréstimo emergencial com o FGC de R$ 4 bilhões para fazer frente aos vencimentos de curto prazo. A expectativa era que, para os vencimentos futuros, a compra pelo BRB melhorasse a liquidez do banco. 

Agora, a situação volta para o cenário de incerteza.  

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Segundo informações da Folha de S.Paulo, o BC negou a compra devido ao risco de operações não conhecidas do Banco Master que o BRB teria que assumir. Esses compromissos são fonte de incerteza e podem somar um valor muito elevado para o Banco de Brasília absorver. 

O Master está envolvido em uma denúncia de calote a fornecedores e gestão temerária no Banco Central. O nome do banco também apareceu nas investigações da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que apura relações do mercado financeiro com o crime organizado. O Master, entretanto, não é investigado pela PF.

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