Compra do Banco Master pelo BRB sofre novo revés por envolvimento com a Reag, alvo de operação contra o crime organizado
Pelo menos 18 dos 34 fundos declarados pelo Banco Master são administrados pela Reag e pela Trustee DTVM, ambos alvos da Polícia Federal

* Conteúdo atualizado em 4/9/25 para inclusão de posicionamento do Banco Master sobre o Will Bank
Em meio a todas as dificuldades que o Banco Master enfrenta para fechar negócio com o Banco de Brasília (BRB), a operação da Polícia Federal contra a atuação do crime organizado no setor de combustíveis entrou nessa conta. O Will Bank, conta digital do Master, tem como controladora a Reag Investimentos, uma das gestoras alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada na última quinta-feira (28).
Em nota ao Seu Dinheiro, o Banco Master afirmou que "detém 100% da participação societária do will bank, não havendo qualquer outro sócio ou acionista na estrutura da instituição".
O envolvimento entre as empresas fez o deputado estadual Fábio Félix (PSOL-DF) solicitar a suspensão da compra ao Banco Central até a conclusão da investigação pela PF. A representação encaminhada à autarquia e divulgada pela Folha de S. Paulo afirma que o negócio é um risco para o patrimônio do BRB, que é um banco estatal.
“Essas relações indicam um emaranhado de vínculos entre o Banco Master e estruturas financeiras que aparecem mencionadas em apurações relacionadas à Operação Carbono [sic]. É nesse emaranhado suspeito que o BRB, patrimônio do Distrito Federal, pode ser envolvido", afirma o documento, segundo o jornal.
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A Operação Carbono Oculto é a maior operação contra o crime organizado da história do país, segundo o governo federal, em termos de cooperação institucional e amplitude. Na quinta-feira, a PF cumpriu 350 mandados de busca e apreensão contra alvos acusados de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, em cooperação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).
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O esquema criminoso envolvia uma rede complexa de ocultação financeira por meio de fintechs e gestoras de recursos — como a Reag Investimentos.
Relação da Reag com o Banco Master e o BRB
A Reag Investimentos e a Trustee DTVM, outro alvo da operação de quinta-feira, administram pelo menos 18 dos 34 fundos declarados pelo Banco Master. Os dados são de um levantamento da Folha de S.Paulo.
Além disso, a gestora é controladora do Will Bank, braço digital do Master que está previsto para entrar na aquisição do banco pelo BRB. Em nota, o Banco Master esclarece que detém 100% da participação societária do Will Bank, não havendo qualquer outro sócio ou acionista na estrutura da instituição.
Mas a relação entre as empresas não para por aí, porque o próprio Banco de Brasília também tem negócio com a gestora investigada por conluio com o crime organizado.
A representação do deputado estadual ao Banco Central afirma que a Reag e o BRB mantêm relações por meio do fundo Borneo FIP Multiestratégia. E essa relação teria ficado clara durante os trâmites para a compra do Master.
Em assembleia geral extraordinária, realizada em 12 de março para que os acionistas do BRB aprovassem a aquisição do Banco Master, o representante da Borneo se absteve da votação. Para Félix, foi uma decisão estratégica para não se comprometer por “abuso do direito de voto”.
“[Ele se absteve] por se tratar de um representante com interesses do lado do comprador e do vendedor. Isso significa que a Reag — alvo da operação Carbono Oculto — detém interesses de comprador e vendedor na operação entre BRB e Master", escreve o deputado.
Félix ainda acrescenta que o Banco Master (à época Banco Máxima) e a Reag já estiveram envolvidos em uma investigação de corrupção antes. Ambos foram alvo da operação da PF Fundo Fake, em 2020, que apurou golpes em fundos de pensão de funcionários públicos.
Da suspensão ao sem prazo para aprovar
O deputado pede a suspensão da análise de venda até o final da operação Carbono Oculto. Além disso, solicita uma nova avaliação de risco ao patrimônio do DF com a incorporação do Banco Master ao BRB.
"A operação de compra do Banco Master pelo BRB, diante do contexto exposto, pode significar a incorporação de ativos de risco ou mesmo de ativos contaminados por ilícitos, colocando em perigo a estabilidade financeira de um banco público e, portanto, o patrimônio do povo do Distrito Federal", diz o documento.
Em paralelo, também na quinta-feira, o diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, Renato Gomes, afirmou que a autoridade não tem data para decidir sobre a compra.
Recentemente, veículos de comunicação informaram que a aprovação estaria próxima e que o BC poderia anunciá-la a qualquer momento.
Gomes, entretanto, afirmou que o tema é de deliberação da diretoria colegiada, não de pessoas isoladas. "Nós estamos trabalhando no tema, mas eu não posso te dar uma data", disse em evento do Banco Central.
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A fatia do Master que o BRB deseja comprar
Depois de idas e vindas, decidiu-se que o BRB ficará com R$ 25 bilhões em ativos do Banco Master, deixando R$ 48 bilhões de fora. Além disso, o dono do banco, Daniel Vorcaro, não fará parte da gestão do conglomerado que será formado em caso de aprovação do negócio.
O potencial acordo de acionistas estabelece a formação de um novo grupo de controle, que não permitirá que os atuais controladores tenham poderes políticos ou participem da gestão do Banco Master.
O BRB planeja comprar 58% do capital social do Master, incluindo 49% das ações ordinárias (com direito a voto) e todas as preferenciais.
Caso seja aprovada a compra, o BRB afirmou que o conglomerado BRB/Master terá cerca de R$ 100 bilhões em ativos. O banco estatal tem interesse no Will Bank, banco digital do Master, na carteira de crédito consignado, nas operações de câmbio e de atacado.
Em março, quando anunciado, o negócio era estimado em cerca de R$ 2 bilhões — este valor não passou por atualizações até o momento.
*Com informações da Folha de S.Paulo e do Estadão Conteúdo.
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