Minerva (BEEF3) tem receita líquida e Ebitda recordes no 3T25, mas ações desabam na bolsa. Por que o mercado torce o nariz para o balanço?
Segundo o BTG Pactual, com um trimestre recorde para a Minerva, o que fica na cabeça dos investidores é: o quão sustentável é esse desempenho?

É tradição entre os brasileiros que toda comemoração, grande ou pequena, termina em churrasco. Porém, para os investidores da Minerva (BEEF3), a carne passou do ponto, o rádio pifou e a cerveja ficou choca.
Embora o frigorífico tenha divulgado números fortes no terceiro trimestre deste ano, as ações figuram como a maior queda do Ibovespa nesta quinta-feira (6). Por volta das 14h20, BEFF3 despencava 13,07%, negociadas a R$ 6,45.
A Minerva até se esforçou para animar um churrasquinho: a empresa acumulou uma receita líquida de R$ 15,5 bilhões nos últimos três meses, um nível recorde para um trimestre da empresa, alta de 82,5% em relação ao mesmo período do ano passado e de 11,5% frente ao trimestre anterior.
O resultado contou ainda com uma forcinha dos novos ativos da ex-Marfrig — que atualmente é MBRF, após fusão com a BRF. Isso porque o trimestre foi marcado pela conclusão da integralização dos ativos, bem antes do cronograma previsto inicialmente.
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Além disso, a Minerva também registrou recorde em nível trimestral do Ebtida (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ao acumular R$ 1,4 bilhão no 3T25.
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E não parou por aí: o frigorífico ainda teve um lucro líquido de R$ 120 milhões, aumento de 27,6% em relação ao trimestre anterior.
Minerva (BEEF3) no vermelho na bolsa: o que o mercado não gostou?
Segundo o BTG Pactual, com um trimestre recorde para a Minerva, o que fica na cabeça dos investidores é: o quão sustentável é esse desempenho?
Os analistas destacam que o ciclo de conversão de caixa foi negativo no período, o que indica que o crescimento da empresa está sendo acompanhado por um aumento no dinheiro em caixa — o que é raro para uma empresa do setor.
Segundo os analistas, uma maneira de analisar isso é observando as despesas financeiras líquidas. Na visão do banco, a dívida financeira reportada foi muito menor do que o esperado, de R$ 11,8 bilhões, enquanto as despesas financeiras líquidas atingiram R$ 3 bilhões nos últimos doze meses.
Em entrevista ao Seu Dinheiro, Leonardo Alencar, analista de Agro, Alimentos e Bebidas da XP Investimentos, avalia que as ações são pressionadas por uma falta de clareza sobre os resultados da Minerva.
“Os resultados da empresa vieram fortes, mas em linha com o que era esperado pelo mercado, especialmente Ebtida e receita líquida, que já tinham expectativas de vir em R$ 1,4 bilhão e R$ 15 bilhões [respectivamente]”, afirmou Alencar.
Embora a geração de caixa tenha sido a grande surpresa do balanço, o analista avalia que o resultado não foi “100% limpo”.
“Houve um aumento no risco sacado, um ponto que gera discussão eterna sobre a classificação como dívida e percepção de risco. A empresa também tornou pública uma linha de dívida relacionada a operações de energia, que não era conhecida anteriormente”, disse.
Além disso, Alencar destaca que a teleconferência de resultados foi “um pouco morna e sem grandes novidades”, com uma sinalização para o quarto trimestre que pareceu “conservadora demais”.
Embora veja muita incerteza para o cenário dos próximos três meses da Minerva, o analista ressalta que a XP Investimentos ainda avalia a tese de investimentos do frigorífico como positiva.
Já o Itaú BBA ressalta que, visto a recente alta nos preços dos papéis, alguns investidores já estão realizando lucros, adicionando pressão nas ações no curto prazo.
Realmente é a hora de vender Minerva (BEEF3)?
Embora os acionistas tenham visto uma oportunidade de lucrar com a venda das ações, o Itaú BBA e o BB Investimentos ainda avaliam que é hora de comprar.
Isso porque os bancos enxergam gatilhos no curto prazo que podem impulsionar os papéis na bolsa, como a melhoria na geração de fluxo de caixa livre, que atingiu R$ 2,5 bilhões, e no balanço patrimonial.
O Itaú BBA e o BB-BI também ressaltam a redução na alavancagem, com o índice dívida líquida/Ebitda tendo registrado uma queda expressiva para 2,5x ao final do trimestre.
Segundo os analistas do BB Investimentos, a redução da alavancagem abre espaço para a retomada da distribuição de dividendos.
Embora o BTG Pactual também veja pagamento de proventos no horizonte, o banco avalia que não é hora nem de vender nem de comprar. A recomendação dos analistas é neutra, já que muito do que poderia impulsionar a ação já ficou para trás.
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