Marfrig (MRFG3) avança na BRF (BRFS3) em meio a tensão na fusão. O que está em jogo?
A Marfrig decidiu abocanhar mais um pedaço da dona da Sadia; entenda o que está por trás do aumento de participação

Em meio a novos impasses na tentativa de fusão, a Marfrig (MRFG3) decidiu abocanhar mais um pedaço da BRF (BRFS3) neste fim de semana.
Agora, a Marfrig detém cerca de 5,11% do capital social da BRF por meio de derivativos com liquidação exclusivamente financeira e outros 58,87% através de ações ordinárias e derivativos com liquidação física.
Até então, a participação da controladora era equivalente a pouco mais de 51% das ações BRFS3, segundo informações disponíveis no site de relações com investidores da empresa.
Segundo a Marfrig, tanto a companhia quanto a MMS Participações e o MAMS Fundo de Investimento em Ações não têm como objetivo alterar a composição do controle ou a estrutura administrativa da BRF, que já está sob o comando da Marfrig.
De acordo com a empresa, a operação faz parte do contexto da proposta de incorporação das ações da BRF pela Marfrig.
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Além da Marfrig
A Marfrig não foi a única a elevar a posição na BRF (BRFS3) nos últimos dias.
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O BTG Pactual também decidiu aumentar a participação ao frigorífico, passando a deter aproximadamente 7,79% do capital social da empresa, equivalente a pouco mais de 131 milhões de ações.
Além da posição acionária, o BTG também conta com cerca de 106,9 milhões de opções de venda compradas, por meio de liquidação física, e 3,06 milhões de opções de venda compradas, por meio de liquidação financeira.
Segundo o banco, o aumento da participação tem como objetivo a "mera realização de operações financeiras", sem intenções de mudar a composição do controle ou a estrutura administrativa da BRF.
O cenário turbulento da fusão entre BRF e Marfrig
Os movimentos ocorrem apenas alguns dias após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) adiar, pela segunda vez, a assembleia de votação da fusão entre as gigantes do setor de proteínas.
A decisão da CVM atendeu a pedidos de acionistas minoritários, que alegaram irregularidades no processo.
A assembleia de fusão da BRF e da Marfrig estava marcada para esta segunda-feira (14). Contudo, com a intervenção da autarquia, uma nova data será definida, 21 dias após a disponibilização das novas informações solicitadas pelo colegiado.
Quem iniciou os questionamentos sobre a fusão foi um membro da família Fontana, herdeiros do fundador da Sadia, em conjunto com a gestora Latache. Agora, foi a vez da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.
A transação tem sido alvo de críticas por parte de investidores, que questionam o cálculo apresentado pelas empresas. A proposta de fusão prevê a incorporação das ações da BRF pela Marfrig, com uma relação de troca de 0,8521 ação MRFG3 para cada papel BRFS3.
A proposta também oferece o direito de retirada aos acionistas, permitindo que aqueles que não concordarem com a operação solicitem o reembolso de suas ações — mas sem o direito aos dividendos robustos que acompanham a fusão..
Os acionistas têm questionado como os comitês independentes chegaram a essa relação de troca, que, segundo eles, favoreceria os interesses da controladora, e também levantam dúvidas sobre a real independência desses colegiados. Os questionamentos estão disponíveis na íntegra aqui.
Os minoritários da BRF não são os únicos a criticarem a união com a Marfrig. A rival Minerva (BEEF3) também continua pressionando contra a fusão, agora com um recurso no Cade, buscando barrar a operação.
DEPOIS DO RESULTADO....
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