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Juros altos continuam pressionando o varejo, mas banco acredita que o cenário mais negativo já está refletido nos preços. Veja o que fazer com MGLU3 agora

Para os investidores do Magazine Luiza (MGLU3), 2026 tem sido um teste de paciência. As ações acumulam queda próxima de 40% no ano, pressionadas por uma combinação que se tornou quase sinônimo do varejo brasileiro: juros elevados, crédito mais caro e um consumidor ainda cauteloso para compras de maior valor.
Mas, depois de meses sob pressão no mercado, a varejista acaba de receber um voto de confiança inesperado direto de Wall Street.
O Citi elevou a recomendação para MGLU3 de venda para neutra, com classificação de alto risco.
O argumento dos analistas é que boa parte das más notícias já parece nas contas do mercado.
"Acreditamos que o mercado já precificou, em grande parte, um ambiente de juros mais altos por mais tempo e um consumo mais fraco nas principais categorias de bens duráveis da companhia", escreveram os analistas.
O mercado reagiu positivamente à revisão da tese. Por volta das 11h05, as ações MGLU3 subiam 4,68% e operavam entre as maiores altas do Ibovespa, cotadas a R$ 5,59.
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A mudança de recomendação não representa exatamente uma virada de chave na tese de investimento. Ainda existem desafios importantes no horizonte.
Mas, para o banco norte-americano, a relação entre risco e retorno passou a ficar mais equilibrada.
Com MGLU3 negociando abaixo de 10 vezes o lucro projetado para 2027, o banco entende que os investidores já embutem um cenário bastante conservador para a empresa.
Ainda assim, o Citi decidiu revisar para baixo suas projeções de lucro.
A estimativa para 2026 caiu de R$ 273 milhões para R$ 113 milhões, reflexo tanto do desempenho mais fraco no início do ano quanto da persistência dos juros elevados.
O preço-alvo também foi reduzido, passando de R$ 7,00 para R$ 6,50 por ação. Apesar do corte, a projeção ainda implica em uma valorização potencial de quase 22% frente ao último fechamento.
O argumento que sustenta a visão menos pessimista do Citi para Magazine Luiza não está ligado ao crescimento acelerado das vendas online.
Na avaliação do Citi, uma das mudanças mais relevantes da companhia é justamente o retorno do foco para um território onde o Magalu construiu sua reputação ao longo de décadas: as lojas físicas.
Os analistas enxergam avanços na estratégia de reforçar a operação presencial, utilizando a capilaridade da rede para sustentar vendas, rentabilidade e relacionamento com os clientes.
"Vemos desenvolvimentos positivos na estratégia de focar novamente no reduto das lojas físicas, o que deve dar suporte ao faturamento e às margens", afirma o relatório.
Além disso, o banco acredita que eventos sazonais podem ajudar os resultados no curto prazo.
Para o segundo trimestre de 2026, por exemplo, a expectativa é de crescimento de 8% nas vendas mesmas lojas, impulsionado também pelo aumento da demanda por eletrônicos e artigos esportivos durante o calendário de competições esportivas.
Outro ponto que chamou a atenção dos analistas foi a capacidade da empresa de manter as despesas sob controle mesmo em um ambiente operacional mais difícil.
Segundo o Citi, as despesas gerais e administrativas (SG&A) cresceram abaixo da inflação em 10 dos últimos 13 trimestres — um indicador que reforça a disciplina operacional da companhia.
Em um setor conhecido pelas margens apertadas, qualquer ganho de eficiência faz diferença. E, na visão do banco, essa capacidade de controlar custos pode ajudar a amortecer parte dos impactos do cenário macroeconômico ainda desafiador.
A melhora na recomendação, no entanto, não significa que os riscos desapareceram. Segundo os analistas, o principal ponto de atenção continua sendo o ambiente competitivo no comércio eletrônico.
O Citi projeta uma contração do volume bruto de mercadorias (GMV) no segundo trimestre, especialmente no marketplace (3P), segmento em que a expectativa é de queda de 5% na comparação anual.
Além disso, a estrutura de capital segue sendo uma preocupação relevante. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado pelos recebíveis descontados, ultrapassou três vezes no primeiro trimestre de 2026.
Em um cenário de juros elevados, isso significa que uma parcela importante da geração operacional continua sendo consumida
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