XP inicia cobertura de banco brasileiro ‘fora dos holofotes’ com recomendação de compra — e vê potencial de alta de quase 85%
Analistas enxergam uma oportunidade de reprecificação relevante em uma ação que negocia com desconto frente aos concorrentes digitais

Enquanto boa parte dos bancos digitais disputa os mesmos clientes — jovens, conectados e cada vez mais bem servidos pelo mercado —, o Agibank (AGBK) resolveu concentrar sua estratégia em um público que costuma receber menos atenção: aposentados e pensionistas do INSS.
É justamente nessa escolha que a XP Investimentos enxerga uma oportunidade que, na sua avaliação, ainda não foi totalmente precificada pelo mercado.
A corretora iniciou a cobertura das ações do banco gaúcho com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 13 para o fim de 2026.
O valor representa um potencial de valorização de quase 85% em relação às cotações atuais.
O diferencial que a XP enxerga no Agibank
Para a XP, o Agibank reúne características pouco comuns no universo das fintechs.
Enquanto muitos bancos digitais ainda enfrentam desafios para monetizar suas bases de clientes sem adicionar tanto risco à carteira, a instituição gaúcha atua em um segmento que tradicionalmente apresenta maior previsibilidade de renda e forte demanda por crédito.
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O principal alvo são aposentados e pensionistas do INSS, público que serve como porta de entrada para produtos financeiros e operações de crédito consignado.
Segundo os analistas, essa estratégia é reforçada por um modelo operacional híbrido, conhecido como "phygital", que combina canais digitais com uma ampla rede física de atendimento.
Hoje, o banco conta com mais de mil Smart Hubs espalhados pelo país. Diferentemente das agências tradicionais, essas unidades operam com estrutura enxuta, sem caixas eletrônicos ou grandes áreas de atendimento, funcionando principalmente como pontos de relacionamento e aquisição de clientes.
"O modelo phygital impulsiona uma monetização superior, com um ARPAC cerca de três vezes maior do que o observado entre seus pares digitais", afirma a XP.
- Veja também: Ações do Agibank caem em Wall Street após primeiro balanço desde o IPO. O que incomodou o mercado?
A vantagem no crédito consignado
Outro pilar central da tese envolve a atuação no crédito consignado para beneficiários do INSS.
Segundo a XP, existe uma barreira regulatória relevante nesse mercado que acaba favorecendo o Agibank.
Para operar determinadas modalidades de consignado e receber diretamente o fluxo dos benefícios previdenciários, as instituições precisam manter presença física em escala nacional — uma exigência que não faz parte da estrutura da maioria dos bancos digitais.
Na avaliação dos analistas, isso cria uma vantagem competitiva difícil de reproduzir no curto prazo.
"A acreditação do INSS atua como um canal de originação cativo e uma barreira de entrada real frente aos neobanks", destaca o relatório.
Além disso, a XP acredita que o banco consegue acessar uma parcela da população frequentemente negligenciada tanto pelos grandes bancos tradicionais quanto por algumas fintechs focadas em clientes de maior renda.
Crescimento acelerado e valuation descontado
A recomendação positiva também se apoia nas perspectivas de crescimento dos resultados.
Após enfrentar impactos relacionados à suspensão temporária das operações de consignado do INSS, os analistas acreditam que a instituição deve voltar a acelerar a expansão da carteira de crédito e das vendas cruzadas de produtos financeiros neste ano.
A projeção da XP é de que o lucro líquido cresça a uma taxa composta anual de 18% entre 2025 e 2028.
Ao mesmo tempo, o retorno sobre patrimônio (ROE) deve se estabilizar em torno de 25%, patamar considerado elevado para o setor.
Mesmo diante dessas projeções, os analistas avaliam que as ações continuam negociando com desconto.
Atualmente, o Agibank negocia a cerca de 5,3 vezes o lucro estimado para 2026. Para efeito de comparação, a XP destaca que o Banco Mercantil negocia próximo de 6,3 vezes e o Inter, em torno de 7,4 vezes.
Na visão da corretora, parte desse desconto decorre do receio dos investidores com possíveis mudanças regulatórias e com a possibilidade de futuras captações de recursos via mercado.
"O mercado parece estar excessivamente penalizando riscos regulatórios e potenciais eventos de diluição", avaliam os analistas.
Por isso, a XP acredita que existe espaço para uma reprecificação relevante das ações caso o banco consiga manter a execução operacional e sustentar o crescimento da carteira de crédito.
"À medida que a trajetória de crescimento se normaliza, vemos espaço para um re-rating relevante, traduzindo-se em uma tese de assimetria positiva", afirma o relatório.
Onde a tese pode encontrar obstáculos
Apesar do otimismo, a XP reconhece que a história de investimento não está livre de riscos.
O principal deles continua sendo o ambiente regulatório do crédito consignado do INSS. Mudanças frequentes no teto de juros da modalidade podem pressionar margens e reduzir a rentabilidade das operações.
Outro ponto de atenção é a expansão do consignado privado, mercado considerado estratégico para o crescimento futuro do banco, mas que exige uma gestão de risco mais sofisticada do que aquela observada no crédito para servidores e aposentados.
Por fim, os analistas destacam o risco de diluição para os atuais acionistas caso a instituição opte por realizar um novo aumento de capital (follow-on) para sustentar seu ritmo acelerado de expansão.
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