“É o momento mais duro”, afirma CEO do Santander Brasil (SANB11). Agronegócio começa a pesar sobre o balanço, mas banco já vê reversão de cenário no horizonte
O CEO Mario Leão explica como os juros elevados afetaram as provisões no segundo trimestre e o que esperar para os próximos trimestres

Depois de assumir posição como maior vilão do balanço de um rival estatal na última safra de resultados dos grandes bancos na B3, a pressão do agronegócio agora também começa a se fazer sentir no balanço do Santander Brasil (SANB11).
Com um crescimento de dois dígitos nas provisões no segundo trimestre de 2025, o CEO Mario Leão afirma que trata-se do “momento mais duro” para o setor. No entanto, isso não abala a meta do banco de alcançar uma rentabilidade na casa dos 20% no futuro.
“No ciclo do portfólio do Santander direcionado ao setor agro, é o momento mais duro. Mas não é algo exclusivo para nós. Provavelmente, os outros bancos também estão enfrentando desafios similares”, disse Leão, durante entrevista coletiva na sede do Santander, em São Paulo.
Relembrando, as provisões para devedores duvidosos (PDD) do Santander Brasil cresceram 16,3% no comparativo anual e 7,4% frente ao primeiro trimestre, totalizando R$ 6,862 bilhões em perdas previstas no crédito ao fim do segundo trimestre.
Para Leão, essa elevação está diretamente ligada aos altos níveis de juros que, além de pressionar o agronegócio, também afetam as pequenas e médias empresas (PMEs), agravando o cenário de inadimplência no país.
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“É o momento mais duro do ciclo do Santander no agronegócio”
Dentro do agronegócio, o CEO do Santander Brasil avalia que os produtores rurais enfrentaram uma deterioração da saúde financeira devido à queda de preços em algumas commodities, principalmente grãos, como soja e milho.
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Essa deterioração começou com a safra do ano passado e se estendeu para 2025.
O resultado? Um desbalanceamento entre as receitas e despesas: a receita em reais caiu, enquanto os custos dos insumos aumentaram, resultando em margens mais apertadas para os produtores.
“Quando a cadeia de fornecedores sofre, o impacto é inevitável. E isso é um ponto de preocupação, sem dúvida”, afirmou Leão.
Questionado pelo Seu Dinheiro sobre os temores de uma possível judicialização predatória no setor agropecuário, Leão destacou que houve um aumento significativo de ações judiciais e recuperações, especialmente no último ano.
“Vemos um nível de recuperações judiciais maior do que jamais vimos. Isso pode, em parte, ter sido incentivado por escritórios que promoveram roadshows, estimulando os produtores a embarcarem nesse caminho. No entanto, o nosso papel tem sido estar mais próximo dos produtores. Apesar de termos muita garantia real, leva um tempo para conseguirmos recuperar esse crédito”, disse o CEO.
Para ele, o Santander está atravessando o período mais difícil do agronegócio.
No entanto, o executivo já traçou uma estimativa de quando esse cenário deve se reverter. A expectativa é que o mau momento do agro comece a se inverter entre o segundo semestre de 2025 e o início de 2026.
Agronegócio não é o único vilão
No lado do crédito corporativo, apesar de o Brasil já estar acostumado com a Selic acima de dois dígitos há três anos, as empresas mais alavancadas enfrentam uma carga excessiva de juros no financiamento — boa parte proveniente da própria taxa básica de juros.
“Esse cenário está longe de ser positivo, mas a deterioração já vem acontecendo há algum tempo. Isso leva a desafios em portfólios, como o de empresas, que, eventualmente, precisam recorrer à recuperação judicial ou reestruturação de dívidas fora da Justiça”, explicou Leão.
Como fica a rentabilidade do Santander Brasil (SANB11)?
Apesar das dificuldades, o CEO do Santander acredita que o pior não durará para sempre no agronegócio e nas carteiras corporativas. Contudo, ele prevê que o impacto continuará por algum tempo.
Mesmo diante do aumento das provisões e das perspectivas de juros elevados por bastante tempo, Leão destacou que a meta de alcançar um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 20% segue firme.
“Não mudamos em nada a nossa estratégia. Eu nunca disse que seria neste ano ou no próximo que alcançaríamos os 20%, mas estamos trabalhando para que, em poucos anos, possamos atingir essa marca. Acreditamos ser totalmente factível entregar um ROE de 20% de forma sustentável”, afirmou o CEO.
No entanto, o banco ainda tem um longo caminho a percorrer para alcançar esse objetivo. O Santander Brasil encerrou o segundo trimestre de 2025 com uma rentabilidade média (ROAE) de 16,4%.
Leão admite que a alta da Selic torna o desafio ainda maior, mas mantém o otimismo.
“Óbvio que uma Selic mais alta torna esse desafio matematicamente um pouco mais distante na margem. Porque, quanto mais elevados os juros, mais caro é o carrego do nosso portfólio. Mas vamos trabalhar para que a gente não dependa da Selic cair. Tem várias outras alavancas para melhorar o nosso resultado.”
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