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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

RESULTADO

Santander (SANB11) frustra expectativas com lucro de R$ 3,6 bilhões no 2T25 e rentabilidade sob pressão; veja os destaques do balanço

A rentabilidade média do Santander alcançou 16,9% no período, levemente acima das projeções, mas aquém do patamar registrado no 1T25; confira os destaques

Camille Lima
Camille Lima
30 de julho de 2025
6:46 - atualizado às 13:03
Agência do Santander (SANB11)
Agência do Santander (SANB11) - Imagem: Divulgação

O Santander Brasil (SANB11) registrou um lucro líquido gerencial de R$ 3,659 bilhões no segundo trimestre de 2025 (2T25).

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Esse número representa um crescimento de 9,8% em comparação com o mesmo período do ano passado, mas uma queda de 5,2% frente ao primeiro trimestre de 2025.

A cifra também ficou abaixo das expectativas do mercado, que aguardava um lucro médio de R$ 3,819 bilhões, conforme as estimativas compiladas pela Bloomberg.

No primeiro semestre como um todo, o lucro líquido gerencial chegou a R$ 7,5 bilhões, avanço de 18,4% em relação ao ano anterior.

A rentabilidade também seguiu uma trajetória de declínio sequencial. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) alcançou 16,4% no trimestre. No semestre, o ROAE chegou a 16,9%.

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A cifra de abril a junho representa um recuo de 1,1 ponto percentual em relação ao patamar de 17,4% registrado no 1T25, mas ainda veio levemente acima da média das projeções, que indicavam 16,3%.

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Apesar da retração sequencial, o ROE trimestral do Santander também continuou a superar o custo de capital do banco, estimado em 15,6%.

Importante lembrar que a divisão brasileira do banco espanhol vem trabalhando na recuperação da rentabilidade desde o fim de 2022, quando o banco registrou sua pior fase, com um ROE de 8,3%, após os efeitos do calote provocado pela fraude contábil bilionária da Americanas (AMER3).

Outras linhas do balanço do Santander (SANB11) no 2T25

O Santander (SANB11) também enfrentou pressão sobre a sua margem financeira bruta — o indicador que reflete a receita com crédito menos os custos de captação — devido aos custos de financiamento mais altos.

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O indicador subiu 4,4% em relação aos últimos 12 meses, mas caiu 3,3% frente ao último trimestre, para R$ 15,396 bilhões.

Enquanto isso, a margem financeira com o mercado — indicador que reflete a remuneração do banco com as operações de tesouraria — foi negativa em R$ 730 milhões no trimestre, impactada pelo aumento de juros no Brasil e por menores resultados de tesouraria.

Antes da publicação do balanço, o Safra já havia alertado que a volta do indicador para o campo negativo seria um dos principais pontos de preocupação para o trimestre.

Apesar disso, a melhoria na margem financeira com clientes conseguiu mitigar parcialmente o impacto negativo e mostrou uma evolução de 11,3% na base anual, fechando o 2T25 a R$ 16,127 bilhões, ajudada pela disciplina de preços.

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Enquanto isso, a carteira de crédito ampliada do banco cresceu 1,5% em comparação com o mesmo período de 2024, mas recuou 1% na base trimestral, para R$ 675,5 bilhões.

"No crédito, seguimos com forte disciplina na alocação de capital, priorizando linhas de maior rentabilidade e boa qualidade de ativos, enquanto que, em passivos, continuamos focados na mudança do mix de captações com maior representatividade da pessoa física. Essa disciplina aliada à gestão ativa de preços, resultou em expansão do nosso spread e boa evolução das receitas no período", afirmou Mario Leão, CEO do Santander Brasil.

Segundo o banco, o resultado foi impulsionado positivamente pelo financiamento ao consumo, cartão de crédito e pelo crédito corporativo (PMEs).

Contudo, vale destacar que, na comparação trimestral, o Santander sofreu efeito pontual por uma redução do portfólio de risco sacado, dadas as discussões quanto à incidência do IOF, pela queda no segmento de Pessoas Físicas e pelo impacto da variação cambial.

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Santander sofre com maiores provisões

Nos níveis de inadimplência (NPLs), o Santander apresentou estabilidade no índice de devedores acima de 90 dias, com leve queda de 0,05 ponto percentual na comparação anual e de 0,2 p.p. no trimestre, atingindo 3,1%.

O CEO do Santander afirma que os índices de inadimplência seguem "desafiados pelo ambiente macroeconômico", porém já apresentando melhora no trimestre devido à política mais rigorosa de renegociações.

Enquanto isso, as provisões para devedores duvidosos (PDD) cresceram 16,3% no comparativo anual e 7,4% frente ao primeiro trimestre, totalizando R$ 6,862 bilhões em perdas previstas no crédito ao fim do segundo trimestre.

No primeiro semestre, as despesas do Santander com provisões cresceram 11% em relação ao mesmo período de 2024, a R$ 13,252 bilhões.

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O banco atribui o maior provisionamento aos impactos da implementação da resolução 4.966 do Banco Central, às taxas de juros mais elevadas ao longo de 2025 ao aumento do endividamento das famílias e pressão sobre a capacidade de pagamento de juros das empresas.

Receitas e despesas

Outro ponto relevante no balanço do Santander (SANB11) foi o desempenho das receitas operacionais. 

As comissões geraram ao banco um total de R$ 5,204 bilhões, representando um avanço de 0,4% em relação ao mesmo período do ano passado. A expansão foi impulsionada por maiores receitas nas linhas de cartões, serviços de conta-corrente e consórcios.

O controle de custos também se manteve como uma prioridade ao longo do trimestre. Embora tenham subido 1,5% na comparação anual, as despesas gerais recuaram 2,5% na base trimestral, encerrando o período em R$ 6,412 bilhões.

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Segundo o Santander, o desempenho foi reflexo de menores despesas de pessoal devido às eficiências geradas através da otimização do parque de lojas.

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