Vale (VALE3) leva a melhor no cabo de guerra com a Petrobras (PETR4) e ajuda Ibovespa a fechar em alta; dólar recua a R$ 5,4447
No mercado de câmbio, o dólar à vista opera em queda, mas longe das mínimas do dia

A expectativa dos investidores em torno do discurso de Jerome Powell nesta quinta-feira (26) era alta, afinal, depois de um corte de 0,50 ponto percentual nos juros, muita gente quer saber quais surpresas o Federal Reserve (Fed) guarda daqui até o final do ano. Mas, dessa vez, o chefão do BC dos EUA nada tem a ver com os recordes do Ibovespa aqui e das bolsas lá fora.
Nova York abriu as negociações renovando recordes: o S&P 500 subiu 0,7% no início das negociações, para uma nova máxima intradia — um desempenho que foi repetido aqui pelo Ibovespa. O principal índice de ações da bolsa brasileira acelerou a alta em seguida e tocou os 133 mil pontos no pico do dia.
Por aqui, o Ibovespa acabou encerrando o dia com alta de 1,08%, aos 133.009,78 pontos. No câmbio, o dólar encerrou a sessão em queda, em linha com o comportamento da moeda norte-americana no exterior. Com máxima a R$ 5,4542, o dólar terminou o dia em baixa de 0,57%, cotado a R$ 5,4447.
Em Nova York, o S&P 500 avançou 0,40%, aos 5.745,37 pontos, enquanto o Nasdaq subiu 0,60%, aos 18.190,29 pontos e o Dow Jones ganhou 0,62%, aos 42.175,11 pontos.
No geral, a perspectiva de novos estímulos na China animou os mercados, ajudando especialmente, os papéis ligados ao minério de ferro.
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Sem Powell, mas com PIB
Quando o Fed cortou a taxa de juros em 0,50 pp, colocando-a na faixa entre 4,75% e 5,00% ao ano, na semana passada, o mercado ficou com uma pulga atrás da orelha: o afrouxamento tão agressivo teria ligação com a desaceleração dos EUA?
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Por isso, a expectativa em torno do discurso que Powell faria nesta manhã era grande. O presidente do BC, no entanto, nada falou sobre juros ou política monetária. A dúvida dos investidores foi desfeita pelos dados divulgados hoje.
A leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre e outros indicadores foram suficientes para convencer muita gente de que a economia norte-americana segue sólida.
Os pedidos semanais de seguro-desemprego caíram mais do que o esperado, apontando para um mercado de trabalho estável. Os pedidos de bens duráveis para agosto permaneceram inalterados em relação às expectativas dos economistas de um declínio. E a leitura final do PIB do segundo trimestre não foi revisada, mantendo-se em fortes 3%.
O PIB ainda trouxe o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) de abril a junho. A medida preferida do Fed para a inflação acelerou ao ritmo anualizado de 2,5% no período, perdendo força depois de avançar 3,4% no primeiro trimestre.
Já o núcleo do PCE, que desconsidera preços de alimentos e energia, aumentou 2,8% entre abril e junho, desacelerando também ante o ganho de 3,7% do trimestre anterior.
O PCE de agosto será divulgado nesta sexta-feira (27).
“Os dados do PIB mostram que o consumo pessoal segue forte nos EUA, na casa dos 2,8%. Esse é um número importante, já que o consumo é 70% do PIB norte-americano. Considerando que os juros nos EUA seguem em patamares elevados, é uma boa notícia sobre o estado da economia”, disse o economista da XP, Francisco Nobre.
Ele chama atenção ainda para os dados de seguro-desemprego divulgados hoje. Os pedidos iniciais para a semana que terminou em 21 de setembro totalizaram 218.000, uma queda de 4.000 em relação ao período anterior e um pouco melhor do que a estimativa de 223.000 da Dow Jones.
“O Fed tem olhado muito para o mercado de trabalho e esses dados trazem um certo alívio para o mercado, que temia uma onda de demissões — que poderiam acabar gerando um ciclo negativo no consumo”, afirmou Nobre.
O economista da XP diz que vê uma desaceleração nos EUA e não um cenário de recessão ou de vulnerabilidade econômica. “A desaceleração acontece porque a política monetária ainda é contracionista para conter as pressões inflacionárias”.
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Bolsas sobem lá fora, Ibovespa avança aqui
O bom humor das bolsas internacionais ajudou o Ibovespa, que fechou a sessão anterior em queda de 0,43%, aos 131.586,45 pontos.
As ações ligadas ao minério — que fechou em alta de 1,75% em Dalian, na China — se destacaram, com Vale avançando 6,14%. Em contrapartida, as ações da Petrobras recuaram 1,94%, com a desvalorização de em cerca de 3% do petróleo.
A commodity cedeu em meio a rumores sobre a possível retomada da produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) em dezembro.
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O investidor brasileiro também avaliou o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), após ontem o alívio do IPCA-15 de setembro não ter apagado as apostas de aceleração do ciclo de alta da Selic em 0,50 pp em novembro. No RTI, o Banco Central deu mais detalhes sobre o hiato do produto positivo e revisou as estimativas pela segunda vez consecutiva.
A projeção para o segundo e o terceiro trimestres deste ano passou para 0,5%, indicando que a economia está crescendo acima da capacidade. Antes, estavam em zero e -0,2%, respectivamente.
A projeção para o último trimestre de 2024 também subiu, de -0,4% para o campo positivo, em 0,3%.
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