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O presidente russo, no entanto, promete não deixar barato e já fala em retaliação militar
Se sofrer uma derrota já é difícil, uma derrota no próprio quintal é pior ainda — e foi exatamente o que aconteceu com Vladimir Putin. O presidente russo assistiu de camarote a Finlândia, um país até então neutro em conflitos armados, dar um xeque-mate em Moscou que pode mudar os rumos da guerra na Ucrânia.
Na quinta-feira (31), o Parlamento da Turquia ratificou por unanimidade o pedido de adesão da Finlândia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), um processo que Ancara bloqueava desde maio do ano passado.
A Turquia condicionava a aprovação a garantias de que a Finlândia deixaria de oferecer proteção aos militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerados “terroristas” por Ancara.
No ano passado, a Finlândia e a Suécia decidiram abandonar a tradicional neutralidade e solicitaram seus ingressos na Otan como resposta do Ocidente à invasão de Putin à Ucrânia.
A entrada da Finlândia na Otan significa que a fronteira terrestre da aliança com a Rússia será duplicada.
O movimento representa uma derrota diplomática e estratégica para Putin, que deixou claro quando a Rússia invadiu a Ucrânia que pretendia bloquear a expansão da Otan para o leste.
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Com a Finlândia ao seu lado, a Otan estará em uma posição mais forte para deter a agressão russa, obtendo acesso a um forte exército, bem como ao espaço aéreo finlandês, portos e rotas marítimas. A aliança também será mais capaz de defender as nações bálticas e o Ártico.
“Geograficamente, a entrada da Finlândia na Otan acrescenta uma fronteira enorme e difícil de defender que complica o cálculo de Putin”, disse James G. Stavridis, ex-comandante militar da Otan ao Tne New York Times, acrescentando que a mudança dá “uma grande vantagem para a aliança”.
Especialistas observam ainda que a Rússia teve que mover a maioria de suas forças militares para longe da fronteira com a Finlândia para sustentar a guerra na Ucrânia.
Até hoje nenhum movimento realizado pela Ucrânia ou apoiadores ocidentais ficou sem uma resposta de Putin — e agora não é diferente.
Antes mesmo da aprovação da entrada da Finlândia na Otan pelo Parlamento turco, a embaixada da Rússia na Suécia ameaçava a Finlândia e a Suécia com retaliação militar caso se juntassem à aliança.
“Se alguém ainda acredita que isso de alguma forma melhorará a segurança da Europa, pode ter certeza de que os novos membros do bloco hostil se tornarão um alvo legítimo para as medidas de retaliação da Rússia, inclusive militares”, disse a embaixada em uma postagem em sua página no Facebook.
Se a Turquia liberou a Finlândia, o pedido de adesão da Suécia segue barrado por turcos e húngaros — e não vai ser simples de aprovar.
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirma que a Suécia se tornou um paraíso para os separatistas curdos e outros dissidentes que ele considera terroristas.
“O incidente da queima do Alcorão (por um extremista sueco, em fevereiro) provocou fúria na Turquia, e Erdogan não quer correr o risco de irritar sua base conservadora antes das eleições (de maio)”, disse Hamish Kinnear, analista de Oriente Médio e Norte da África da empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft.
A Finlândia, no entanto, planeja continuar pressionando pela adesão rápida dos suecos, com a qual mantém estreitos laços militares e de segurança.
*Com informações da BBC, do The New York Times e da AP
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