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TABULEIRO GEOPOLÍTICO

Petróleo, China e EUA: o que está em jogo nas guerras de Trump, segundo gestor da AZ Quest

Walter Maciel diz que os Estados Unidos têm algo que o Brasil não tem: uma política de Estado que olha para gerações

Guerra comercial entre EUA e China promovida por tarifaço de Donald Trump
Imagem: iStock

O mundo tem assistido aos Estados Unidos, sob o comando de Donald Trump, mostrarem sua força em assuntos geopolíticos. A invasão da Venezuela e a captura de Nicolas Maduro, e os recentes ataques ao Irã ilustram bem isso. A estratégia desses movimentos é sufocar a China, explica Walter Maciel, gestor da AZ Quest.

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“Na minha visão, o que os Estados Unidos estão fazendo agora é tentar resolver essa disputa geopolítica mais rapidamente do que muitos imaginavam. E não se trata de uma decisão precipitada”, disse em evento da Fami Capital, em São Paulo.

Ele recorda que os Estados Unidos têm algo que o Brasil não tem: uma política de Estado que olha para gerações. "Eles perceberam que este é um momento de pressionar a China porque a China enfrenta desafios que, na minha visão, são essencialmente aritméticos”.

No caso da Venezuela, Maciel disse que houve um movimento para reduzir a influência chinesa na América Latina. Vale lembrar que Caracas fornecia petróleo barato para Pequim.

“Depois vem o movimento envolvendo o Irã”, afirmou.

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Ao enfraquecer o Irã e sua rede de aliados — como Hamas e Hezbollah —, o gestor diz que os Estados Unidos também afetam a cadeia de fornecimento militar da Rússia, já que Teerã vinha fornecendo drones usados na guerra da Ucrânia.

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“Além disso, há o controle de pontos estratégicos, como o Estreito de Hormuz. Quem depende muito desse petróleo? China e Índia”.

China passa por momento delicado

A questão toda, segundo Maciel, gira em torno dos problemas que o país asiático enfrenta, entre eles, a questão demográfica.

“Durante décadas, a China adotou a política de um filho por família. Isso funcionou enquanto o país se expandia muito rapidamente. A economia chegou a crescer 15%, depois 12%, 10%, 8% ao ano. Hoje, porém, a população em idade de trabalhar está diminuindo”.

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Mesmo que o governo tente reverter a política agora, segundo o gestor, já existe um fator cultural instalado: as famílias simplesmente não querem ter mais filhos.

Ao mesmo tempo, afirma Maciel, há dúvidas sobre o próprio crescimento econômico. O governo chinês afirma que o Produto Interno Bruto Interno (PIB) cresceu cerca de 5% no ano passado. Mas o índice de preços ao produtor (PPI) está em deflação há quase dois anos.

PIB dá sinais de desgaste

“É difícil conciliar crescimento de 5% com uma queda persistente nos preços industriais. Algumas estimativas independentes sugerem que a economia chinesa pode ter se expandido em algo próximo de 2% ou 2,5%”.

Segundo projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), a China pode perder cerca de 500 milhões de habitantes ao longo dos próximos 25 anos. Em poucos anos, o país poderá ter algo como 340 milhões de aposentados para cerca de 770 milhões de trabalhadores.

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“Nenhum país resolveu um problema desse tamanho de forma simples. E isso se soma a outro ponto: o nível de endividamento”.

A dívida total da economia chinesa gira em torno de 350% do PIB.

“A China tem uma dívida muito elevada, paga juros de aproximadamente 4% ao ano e cresce, possivelmente, menos do que isso. Nesse cenário, a relação dívida/PIB tende a continuar aumentando”.

Foi nesse contexto, segundo ele, que os Estados Unidos passaram a agir.

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“No fim das contas, se esse processo levar a um enfraquecimento das alianças entre China, Rússia e Irã, o mundo pode voltar a algo mais próximo de um sistema unipolar — semelhante ao que existia após 1991. Os Estados Unidos continuam tendo uma vantagem enorme”.

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