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GEOPOLÍTICA NO RADAR

Petróleo em alta: o que o conflito no Oriente Médio significa para os dividendos da Petrobras (PETR4), segundo o Itaú BBA

Brent sobe 12% em três dias com risco no Estreito de Ormuz; para o banco, Petrobras ganha fôlego para reforçar caixa e sustentar proventos

Petróleo, petroleiras, ações, brent. recv3
Imagem: iStock

A escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã no fim de semana adicionou uma nova camada de volatilidade ao mercado internacional de petróleo e mexeu com as perspectivas para as petroleiras ao redor do mundo — incluindo a Petrobras (PETR4).

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Em um relatório divulgado nesta quarta-feira (4), o Itaú BBA destaca que o barril do Brent, referência global da commodity, acumulou alta de cerca de 12% em apenas três dias, refletindo a reprecificação do risco geopolítico.

Segundo o banco, o foco do mercado está no Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde escoa aproximadamente um quinto do petróleo consumido no mundo.

Desde que a região passou a ser vista como possível linha de fogo, bastou a redução no tráfego de petroleiros para pressionar fretes, seguros e toda a cadeia logística — mesmo sem registro de danos permanentes a poços ou refinarias.

Petróleo sob pressão geopolítica

Para os economistas Laura Pitta e Bernardo Dutra, da equipe macro do Itaú BBA, a chance de um bloqueio prolongado do estreito é considerada baixa.

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Ainda assim, interrupções pontuais — que já vêm ocorrendo — são suficientes para mexer com volumes relevantes de barris de petróleo e obrigar o mercado a recalcular estoques estratégicos, a capacidade ociosa da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+) e até a eventual liberação dos cerca de 400 milhões de barris armazenados na reserva estratégica dos EUA.

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A equação, porém, não é trivial. Embora a Arábia Saudita e seus aliados tenham algo próximo de 5 milhões de barris por dia de capacidade excedente, essa produção também depende do fluxo marítimo que passa por Ormuz. Em outras palavras: o gargalo continua sendo o transporte.

Até aqui, o cenário não configura um choque estrutural de oferta, mas já há sinais de aperto. Gasodutos no Catar e no Iraque registraram paralisações, e o Brent acima de US$ 70 passou a funcionar como novo piso no curto prazo.

Dividendos da Petrobras no radar

É nesse ponto que entram as contas da Petrobras. Segundo Monique Greco, chefe de petróleo e gás do research do Itaú BBA, o patamar atual do barril é suficiente para reforçar o caixa da estatal.

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"É o bastante para turbinar o fluxo de caixa da Petrobras e manter a distribuição de dividendos dentro da política sem elevar o endividamento", afirma.

O banco recorda que, a cada dólar a mais no barril, a estatal adiciona centenas de milhões de dólares ao caixa anual, mesmo após a parcela destinada ao Tesouro e aos investimentos obrigatórios.

"A alta nos preços de petróleo tende a beneficiar especialmente as empresas exportadoras de petróleo da nossa cobertura, principalmente Prio (PRIO3) e Petrobras. Como a Petrobras monetiza grande parte da sua produção de petróleo através do refino, há uma percepção de que a Prio estaria mais exposta a essa dinâmica", destaca Greco.

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