BofA diz qual ação sobreviverá aos quatro cavaleiros do apocalipse da IA — e qual pagará dividendos no setor de software
Com quedas de até 15% no ano, as empresas de software brasileiras estão no olho do furacão da IA, mas, segundo o Bank of America, a barreira de dados e a chance de proventos ainda pesam mais que o risco tecnológico

A narrativa de que a inteligência artificial (IA) vai aniquilar o modelo de negócios tradicional das fabricantes de software se espalhou como pólvora, e o reflexo no mercado brasileiro foi imediato. Para o Bank of America (BofA), o investidor pode estar confundindo uma mudança estrutural com o fim do mundo.
Enquanto o Ibovespa acumula uma alta de 14% no ano, os grandes nomes da tecnologia local como Totvs (TOTS3), VTEX (V2TX34) e LWSA (LWSA3) amargam quedas que variam entre 10% e 15%.
Segundo o BofA, essa descorrelação indica que o mercado já precificou o pior cenário possível: uma freada brusca de até 4 pontos percentuais no crescimento dessas companhias.
IA e os quatro cavaleiros da disrupção
O medo do mercado não é por acaso. A tese de que a IA pode matar o software se apoia em quatro riscos estruturais que pairam sobre o setor como os cavaleiros do apocalipse:
- A morte do diferencial: ciclos de produto mais velozes que tornam qualquer inovação uma commodity em semanas;
- O fim das barreiras: se a IA escreve código sozinha, qualquer startup pode, teoricamente, criar um concorrente para um gigante do setor;
- A crise dos assentos: com empresas mais eficientes usando IA, a necessidade de licenças por usuário (o famoso per-seat model) desaba;
- O desmembramento (unbundling): soluções modulares de IA que quebram os grandes pacotes de software tudo-em-um.
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Exagero ou oportunidade na IA?
Apesar do cenário sombrio, o BofA mantém a recomendação de compra para Totvs, VTEX e LWSA. O argumento do banco é simples: o mercado está subestimando os fossos que protegem essas empresas.
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Para a Totvs, o trunfo é a capilaridade. Com 25% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional trafegando em seus sistemas, a empresa detém um ativo que nenhuma IA de última geração consegue replicar da noite para o dia: dados proprietários e uma rede de distribuição imbatível.
Já para a VTEX, a estratégia de ser "IA-específica" em vez de tentar competir com as big techs é vista como um caminho inteligente e leve em capital.
No caso da LWSA, o risco é maior devido ao custo de troca mais baixo para o cliente, mas o BofA aponta um colchão de segurança: um dividend yield projetado de 10% para 2026, o que torna o papel atraente pelo retorno em proventos.
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