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ESCUDO DOS INVESTIMENTOS

Como proteger sua carteira da guerra: Bank of America aponta as trincheiras da bolsa e as ações que sobrevivem ao Irã e aos EUA 

BofA analisa o impacto do conflito no Oriente Médio e aponta quais empresas brasileiras oferecem o melhor colchão contra a aceleração da inflação e a alta dos juros

Montagem com um gráfico de ações, a bandeira do Brasil e um taque de guerra ao centro
Imagem: Adobe Stock/Montagem Giovanna Figueredo

O cheiro de pólvora entre EUA e Irã deixou o mercado em alerta e o investidor com uma dúvida: onde se esconder? Se a bolsa virar um campo de batalha, o Bank of America (BofA) já cavou as trincheiras para quem quer proteger o patrimônio.  

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O conflito derrubou as bolsas ao redor do mundo e levou os preços do petróleo a passar de US$ 100 o barril, alimentando preocupações com a estagflação global (estagnação econômica com inflação alta). 

De olho nisso, o BofA listou as ações que podem servir de escudo contra a temida estagflação (inflação sem crescimento econômico), e até render bons dividendos enquanto o cessar-fogo não vem. 

Segundo o banco, ativos conhecidos como bond proxies — ações que se comportam de forma semelhante a títulos de renda fixa por pagarem dividendos constantes — são a chave para atravessar o período. 

"Em um caso de interrupção prolongada, descobrimos que alguns bond proxies poderiam fornecer um colchão em ambientes de estagflação", afirmam os analistas David Beker e Paula Soto. 

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Uma trincheira e duas teses na bolsa

O Bank of America trabalha com dois caminhos possíveis para a bolsa, dependendo do desenrolar do conflito no Oriente Médio: 

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No primeiro cenário, há uma escalada do conflito entre EUA e Irã, que desagua na estagflação. 

Neste caso, que contempla o prolongamento do conflito, o BofA recomenda que o investidor busque ações defensivas que possuam contratos reajustados pela inflação ou correlação com preços de energia, garantindo proteção contra a alta de preços. 

O segundo cenário prevê uma resolução do conflito, com desescalada de confrontos. Nesse contexto, a oportunidade, segundo o banco, está em empresas de duration longo — que se beneficiam mais da queda de juros no longo prazo — e maior risco (beta elevado). 

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"Em uma eventual desescalada, uma normalização das taxas poderia representar uma oportunidade dentro de bond proxies de maior duration e maior beta", afirmam os analistas.  

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As ações para se proteger, segundo o BofA 

Para cada tese, o Bank of America selecionou papéis específicos nos setores de utilities (prestadoras de serviço), transportes e shoppings.  

Utilities 

O banco é em favor de utilities que ofereçam proteção contra um potencial cenário de estagflação, e exposição a revisões de lucros para cima. Neste caso, duas ações são as preferidas: 

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  • Axia (AXIA3): recomendada por sua posição de "hedge" (proteção) contra a estagflação, já que os preços de energia não estão ligados apenas à inflação. 
  • Equatorial (EQTL3): favorita no setor de distribuição por possuir reajustes ligados à inflação e um dos maiores durations de fluxo de caixa do setor, sendo estratégica tanto na crise quanto na recuperação. 

 Transportes e concessões 

No segmento de logística e rodovias, o banco prefere as concessionárias em detrimento de empresas de ferrovias como a Rumo (RAIL3).  

  • Ecorodovias (ECOR3): é a principal escolha (top pick) em concessões. Segundo o analista Rogerio Araujo, as ações combinam um retorno atrativo com proteção na estagflação, e alto potencial de ganho caso os juros caiam, devido à alavancagem elevada. 
  • Movida (MOVI3): também oferece resiliência à estagflação, mas se beneficia menos de cortes nas taxas devido ao duration menor.  

Shoppings e telecomunicações 

Apesar dos cortes de juros previstos, o BofA não vê um potencial de valorização significativo para o setor, visto que os shoppings têm duration longo e não são altamente alavancados para se beneficiarem materialmente de taxas mais baixas no curto prazo. 

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  • Allos (ALOS3): é a única que se destaca pelo baixo risco e alta visibilidade de dividendos, embora o setor de shoppings como um todo tenha crescimento limitado. 

Em telecomunicações, o BofA mantém uma visão pessimista (bearish), com desempenho abaixo da média para Vivo (VIVT3) e Tim (TIMS3).  

O banco alerta que a inflação acelerada prejudica o setor, pois os contratos não são explicitamente indexados, e as ações oferecem pouco ganho em cenários de melhora econômica.

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