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BofA analisa o impacto do conflito no Oriente Médio e aponta quais empresas brasileiras oferecem o melhor colchão contra a aceleração da inflação e a alta dos juros

O cheiro de pólvora entre EUA e Irã deixou o mercado em alerta e o investidor com uma dúvida: onde se esconder? Se a bolsa virar um campo de batalha, o Bank of America (BofA) já cavou as trincheiras para quem quer proteger o patrimônio.
O conflito derrubou as bolsas ao redor do mundo e levou os preços do petróleo a passar de US$ 100 o barril, alimentando preocupações com a estagflação global (estagnação econômica com inflação alta).
De olho nisso, o BofA listou as ações que podem servir de escudo contra a temida estagflação (inflação sem crescimento econômico), e até render bons dividendos enquanto o cessar-fogo não vem.
Segundo o banco, ativos conhecidos como bond proxies — ações que se comportam de forma semelhante a títulos de renda fixa por pagarem dividendos constantes — são a chave para atravessar o período.
"Em um caso de interrupção prolongada, descobrimos que alguns bond proxies poderiam fornecer um colchão em ambientes de estagflação", afirmam os analistas David Beker e Paula Soto.
O Bank of America trabalha com dois caminhos possíveis para a bolsa, dependendo do desenrolar do conflito no Oriente Médio:
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No primeiro cenário, há uma escalada do conflito entre EUA e Irã, que desagua na estagflação.
Neste caso, que contempla o prolongamento do conflito, o BofA recomenda que o investidor busque ações defensivas que possuam contratos reajustados pela inflação ou correlação com preços de energia, garantindo proteção contra a alta de preços.
O segundo cenário prevê uma resolução do conflito, com desescalada de confrontos. Nesse contexto, a oportunidade, segundo o banco, está em empresas de duration longo — que se beneficiam mais da queda de juros no longo prazo — e maior risco (beta elevado).
"Em uma eventual desescalada, uma normalização das taxas poderia representar uma oportunidade dentro de bond proxies de maior duration e maior beta", afirmam os analistas.
Para cada tese, o Bank of America selecionou papéis específicos nos setores de utilities (prestadoras de serviço), transportes e shoppings.
Utilities
O banco é em favor de utilities que ofereçam proteção contra um potencial cenário de estagflação, e exposição a revisões de lucros para cima. Neste caso, duas ações são as preferidas:
Transportes e concessões
No segmento de logística e rodovias, o banco prefere as concessionárias em detrimento de empresas de ferrovias como a Rumo (RAIL3).
Shoppings e telecomunicações
Apesar dos cortes de juros previstos, o BofA não vê um potencial de valorização significativo para o setor, visto que os shoppings têm duration longo e não são altamente alavancados para se beneficiarem materialmente de taxas mais baixas no curto prazo.
Em telecomunicações, o BofA mantém uma visão pessimista (bearish), com desempenho abaixo da média para Vivo (VIVT3) e Tim (TIMS3).
O banco alerta que a inflação acelerada prejudica o setor, pois os contratos não são explicitamente indexados, e as ações oferecem pouco ganho em cenários de melhora econômica.
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