Irã define sucessor de Khamenei, mas mantém nome do novo líder sob sigilo
Assembleia alcança consenso unânime sobre o novo líder supremo do Irã, sob o critério de ser 'odiado pelo inimigo'

O Irã anunciou que chegou a um consenso para a escolha do novo líder supremo do país, após a morte do Aiatolá Ali Khamenei em um ataque conjunto de Estados Unidos e Israel no final de fevereiro. Apesar da decisão confirmada pelo colegiado, e noticiada por agências internacionais, o nome do sucessor não foi divulgado oficialmente até o momento, permanecendo como um segredo de Estado em meio à escalada militar na região.
De acordo com informações da agência Reuters e da Al Jazeera, o grupo de 88 clérigos da Assembleia de Peritos alcançou uma "opinião decisiva e unânime". O processo, no entanto, ainda enfrenta entraves burocráticos, segundo o Aiatolá Mohammad-Mahdi Mirbagheri.
A definição do novo ocupante do cargo mais alto do Irã seguiu uma diretriz deixada pelo próprio Khamenei: a de que seu substituto deveria ser alguém "odiado pelo inimigo" e não elogiado por ele. Em vídeos divulgados pelas agências internacionais, membros da Assembleia sugeriram que a figura escolhida é alguém que gera forte oposição em Washington.
Segundo as fontes, o candidato aprovado pela maioria já teve seu nome mencionado pelos Estados Unidos de forma crítica. Recentemente, o presidente norte-americano Donald Trump classificou a possível escolha de Mojtaba Hosseini Khamenei, filho do falecido líder, como "inaceitável".
Embora Mojtaba seja visto como um forte candidato por sua influência nos bastidores e na Guarda Revolucionária, sua nomeação enfrenta resistência por quebrar tradições da Revolução de 1979 que se opõem a sucessões hereditárias.
Guerra no Irã
O anúncio da escolha ocorre sob forte pressão externa, em meio ao conflito do Irã com os EUA e Israel.
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O Exército de Israel utilizou as redes sociais para enviar um alerta direto, afirmando que perseguirá e atacará qualquer pessoa que participe de reuniões destinadas a nomear um sucessor para Khamenei. A ameaça israelense estende-se ao próprio novo líder, que Israel prometeu manter como alvo.
Enquanto a transição de poder ocorre nas sombras, o conflito físico se intensifica. Agências internacionais relatam ataques contínuos a infraestruturas de energia tanto no Irã quanto em países vizinhos do Golfo Pérsico.
A formalização do novo líder supremo será um marco decisivo para os rumos da política externa iraniana e para a estabilidade dos mercados globais de petróleo, que já registram altas históricas devido à insegurança no Estreito de Ormuz.
Segundo a Bloomberg, os futuros de petróleo bruto nos Estados Unidos encerraram a semana acima de US$ 90 por barril, mais de US$ 20 acima do nível da semana anterior, no maior ganho percentual semanal em registros que remontam à década de 1980.
*Com informações de Reuters, All Jazeera e The Guardian.
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