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Irã promete manter fechada a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz em meio aos ataques dos EUA e de Israel; pelo menos três navios foram atingidos na quarta-feira (11)
Ao sul, Omã e Emirados Árabes Unidos. Ao norte, o Irã. Entre eles, uma extensão de 55 quilômetros de água de uma costa a outra por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo. Nos mapas, o Estreito de Ormuz se parece com um chifre que sai da península arábica e quase perfura o território iraniano.
Essa conexão entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico ganhou os holofotes depois que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. Em resposta, o país persa proibiu a passagem de embarcações por Ormuz.
Na quarta-feira (11), por exemplo, três navios foram atacados. O Irã assumiu a responsabilidade por um dos ataques. Nesta quinta-feira (12), o governo iraniano prometeu manter o bloqueio. Conflito militar à parte, o Irã e outros governos da região têm pela frente um desafio de origem bem distinta.
Antes de chegar a isso, porém, é preciso entender como esse estreito se formou para hoje concentrar tanto poder — e voltar no tempo. Como se trata de tempo geológico, estamos falando de muito tempo.
A história começa há cerca de 80 milhões de anos, quando a região era ocupada pelo mar de Tétis, um antigo oceano que separava o que viria a ser a Península Arábica de um arquipélago de microcontinentes que, aos poucos, formariam o Irã.
Esse mar raso, de águas claras e quentes, era extraordinariamente rico em vida. Recifes formados por organismos chamados rudistas, moluscos que dominaram os mares do período Cretáceo no lugar dos corais, acumularam-se por milhões de anos no fundo da bacia. Esses organismos ajudaram a formar os calcários porosos que hoje funcionam como reservatórios naturais de petróleo.
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O cenário começou a mudar quando a Placa Arábica avançou para o norte e colidiu com a Placa Euroasiática. O fechamento gradual do mar de Tétis empurrou e dobrou as camadas de rocha, levantando os Montes Zagros, a cadeia montanhosa que percorre o oeste do Irã.
Por baixo dessas rochas existe outro elemento crucial: uma espessa camada de sal depositada em antigos períodos de forte evaporação na bacia. Impermeável e quimicamente estável, esse sal funciona como um selo natural que aprisiona o petróleo gerado nas rochas mais profundas e impede que ele escape.
A formação de um campo petrolífero depende de três peças que precisam se encaixar na ordem certa. A primeira é a rocha reservatória, os calcários porosos formados naquele antigo mar raso, onde o petróleo pode se acumular. A segunda é o selo, a camada de sal que impede que ele escape. A terceira é a rocha geradora, um folhelho escuro e rico em matéria orgânica enterrado a vários quilômetros de profundidade.
É lá, sob calor e pressão intensos ao longo de milhões de anos, que os hidrocarbonetos se formam.
"É como a mandioca-brava usada para fazer tucupi", disse Cristiano Rancan, da Sociedade Brasileira de Geologia (SBG) ao Seu Dinheiro. "Ela precisa ser cozida de uma forma ideal. Queimada demais, vira carvão. Na condição certa, vira petróleo."
Esse petróleo migra por falhas abertas pelo movimento das placas até encontrar os calcários porosos, onde fica preso sob o selo de sal.
O resultado são campos relativamente rasos, de exploração mais simples e petróleo de alta qualidade química, com menos impurezas e refino mais barato. Esse conjunto de fatores ajudou a transformar o Golfo Pérsico na maior província petrolífera do planeta. Quase metade das reservas conhecidas de petróleo está na região.
No pré-sal brasileiro, a geologia seguiu um caminho diferente. O petróleo ficou soterrado a mais de 6.000 metros de profundidade sob o oceano Atlântico. No Golfo Pérsico, o movimento das placas empurrou e dobrou as rochas, aproximando os reservatórios da superfície. Hoje, a profundidade média do mar por ali é de apenas 35 metros. "Lá está fechando um oceano; aqui está abrindo", afirma Rancan.
Essa diferença nos movimentos geológicos tem consequências. Por se tratar de uma crosta continental e rasa, o Golfo Pérsico já foi seco. Há cerca de apenas 20 mil anos (apenas em termos geológicos), o nível do médio dos oceanos estava aproximadamente 120 metros abaixo do atual.
No Golfo Pérsico, o que hoje é água era então uma planície percorrida pelos rios Tigre e Eufrates, às margens dos quais desenvolveu-se a Mesopotâmia. O golfo como o conhecemos hoje existe há cerca de 10 mil anos. Foi o degelo provocado pelo fim da última era glacial que encheu essa bacia e criou o corredor de navegação que o mundo hoje disputa.
O golfo é raso e quase fechado, conectado ao Oceano Índico apenas por esse corredor entre o Irã e Omã. Petroleiros que saem de portos da Arábia Saudita, do Kuwait, do Iraque, dos Emirados Árabes Unidos e do próprio Irã precisam cruzar esse mesmo ponto antes de seguir para os mercados da Ásia, da Europa ou das Américas.
Ao mesmo tempo, o movimento que ergueu os Zagros não parou. Eles continuam avançando sobre a Península Arábica a cerca de 20 milímetros por ano. Em escala geológica, isso significa que o Golfo Pérsico tende a desaparecer. O choque entre as placas deve fechar completamente a bacia. Entretanto, isso só vai acontecer daqui a alguns milhões de anos.
Antes disso, porém, há desafios mais imediatos. Sedimentos carregados pelos rios e pela erosão das montanhas podem se acumular gradualmente na bacia.
"Se o balanço hídrico ficar mais negativo, isso pode dificultar a navegação em vários setores do golfo", diz Rancan. Para manter as rotas abertas, governos da região já investem em dragagens constantes.
Por enquanto e pelos próximos muitos anos, aqueles 55 quilômetros seguem e seguirão existindo, e o mundo continuará dependente deles.
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